A fintech unicórnio Jeeves (startup avaliada em US$ 1 bilhão) captou US$ 110 milhões (R$ 572,23 milhões) em uma nova rodada de investimento e anunciou a ampliação de sua operação internacional.
O avanço ocorre enquanto a Jeeves amplia sua operação internacional e capta US$ 110 milhões em uma nova rodada de investimento. A companhia, avaliada em pelo menos US$ 1 bilhão em rodada anterior, também acelera o uso de stablecoins em pagamentos corporativos e transfronteiriços.
O movimento ocorre em meio ao crescimento da participação do Brasil nos negócios da companhia, que, em agosto, se tornou seu maior mercado em receita.
Entre janeiro e agosto, a receita da operação brasileira cresceu 360%, enquanto o volume bruto transacionado (GTV, na sigla em inglês) avançou 370%, segundo dados divulgados pela empresa. Entre junho e agosto, a receita aumentou 140% e o GTV cresceu mais de 144%. Em agosto, o Brasil respondeu por mais de 35% de todo o volume transacionado globalmente pela plataforma.
A Jeeves fornece infraestrutura financeira para empresas que mantêm operações em diferentes países. Na prática, a plataforma concentra serviços como cartões corporativos físicos e virtuais, contas a pagar, pagamentos de tesouraria, gestão de despesas, contas a receber e automação de processos financeiros.
A proposta é permitir que companhias administrem diferentes etapas de sua operação financeira em uma mesma estrutura, em vez de manter sistemas separados para bancos, cartões, pagamentos e controles internos em cada país.
No Brasil, a empresa atende companhias de setores como tecnologia, mobilidade, serviços financeiros, varejo e comércio eletrônico. Entre os clientes citados pela Jeeves estão XP, Hotmart, Ingresse, Kalunga e Ortobom. Globalmente, a fintech também menciona empresas como BMW, Lululemon, Burger King e Kavak entre os usuários de sua plataforma.
Segundo Dileep Thazhmon, fundador e CEO da Jeeves, a infraestrutura foi desenvolvida para atender empresas que precisam operar serviços financeiros em diferentes continentes. “As empresas que escolhem a Jeeves são globais por natureza, precisam de cartões corporativos, contas a pagar, pagamentos de tesouraria e automação financeira que atravessem continentes”, afirmou o executivo.
A empresa não informou sua receita no Brasil ou globalmente, nem detalhou o valuation atribuído à Jeeves após a nova rodada.

Rodada milionária
A nova captação, classificada pela companhia como rodada C1, foi liderada pela CoinFund e contou com a participação de investidores como AllianceBernstein, Andreessen Horowitz, Coinbase Ventures, CRV, GIC, Global PayTech Ventures, ParaFi, Vista, Wintermute e Y Combinator, entre outros.
A rodada ocorreu após um período de expansão dos volumes processados pela empresa.
No mundo, o volume movimentado pela Jeeves triplicou na comparação anual e superou a marca de US$ 5 bilhões (R$ 26,01 bilhões) em volume anualizado na plataforma, considerando cartões e pagamentos. A receita global, de acordo com a empresa, quadruplicou em um período de 14 meses.
Parte desse crescimento está relacionada ao avanço das operações realizadas por meio de stablecoins, criptoativos desenvolvidos para manter seu valor vinculado a outro ativo, normalmente moedas como o dólar.
Atualmente, essas transações alcançaram um ritmo anualizado de US$ 1,5 bilhão (R$ 7,80 bilhões), segundo a Jeeves, tornando-se a parcela de crescimento mais acelerado dentro do volume processado pela empresa.
A Jeeves também está ampliando de 25 para 35 países a disponibilidade de sua oferta de cartões baseada em stablecoins. Entre eles estão Argentina, Costa Rica, República Dominicana, Guatemala, Panamá, Peru, Paraguai e Uruguai. Com a expansão, a companhia passa a atuar em praticamente todos os mercados da América Central e da América do Sul, além de manter operações na América do Norte, Reino Unido e Europa.
A ampliação internacional inclui ainda a abertura de um escritório em Madri. A unidade será utilizada pela companhia na expansão da oferta de cartões e pagamentos baseados em stablecoins.
David Pakman, managing partner e head de Venture Investments da CoinFund, comentou que a decisão de investir está relacionada à infraestrutura desenvolvida pela empresa e à utilização das stablecoins em atividades financeiras corporativas. “As stablecoins estão mudando de forma fundamental as finanças para as empresas, mas, até agora, pouquíssimas companhias criaram uma infraestrutura robusta baseada em stablecoins realmente adequada para o mundo corporativo.”
Segundo Pakman, a combinação da tecnologia com a presença da Jeeves em mercados da América Latina, Estados Unidos e Europa pesou na decisão da CoinFund de liderar o investimento.
Por que a Jeeves utiliza stablecoins?
Diferentemente de criptomoedas como bitcoin, cujo preço pode apresentar grandes oscilações, as stablecoins buscam manter uma cotação estável por estarem vinculadas a ativos de referência, como o dólar.
No caso da Jeeves, esses ativos são utilizados como parte da infraestrutura responsável pela movimentação e liquidação de recursos entre diferentes países. A empresa afirma que a tecnologia permite reduzir o tempo necessário para determinadas liquidações internacionais, que podem ser concluídas em minutos em vez de dias.
O crescimento desse tipo de operação ocorre em um cenário no qual empresas com atividades internacionais procuram alternativas para transferir recursos entre mercados, administrar moedas diferentes e reduzir a complexidade dos pagamentos transfronteiriços.
Thazhmon destacou que a utilização de stablecoins faz parte da estratégia da companhia para tentar aproximar a velocidade e a estrutura de custos das transferências internacionais das encontradas em operações domésticas.