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Preço de Aluguel de Escritórios na Faria Lima É o Único de São Paulo Acima da Inflação em Dez Anos, Diz SiiLA

Preço médio do metro quadrado saltou 75% em uma década, superando o avanço do IPCA e desbancando as demais regiões corporativas de São Paulo

4 min

A Faria Lima figura como, na prática, a única região com lajes corporativas de São Paulo cujos preços de aluguel apreciaram acima da inflação em uma janela de dez anos. O diagnóstico é de um levantamento da SiiLA enviado à Forbes Brasil.

O preço médio do aluguel na Faria Lima subiu 75,4% em dez anos, conforme os dados da companhia, que faz parte da REIX Corp. e é dedicada à inteligência para o mercado imobiliário comercial na América Latina.

A inflação mensurada pelo IPCA avançou cerca de 63% no mesmo período.

As regiões do Itaim Bibi e Vila Leopoldina também ficaram acima no percentual, com 69% e 68%, respectivamente. No entanto, outras variáveis fizeram com que esse número passasse por uma distorção, explica Giancarlo Nicastro, CEO e fundador da SiiLA.

“De fato, só podemos considerar que a Faria Lima corrigiu acima da inflação porque as outras duas regiões que citamos tiveram entrega de novo estoque. Esse novo estoque chegou ao mercado com preços acima da média da região, considerando o momento do mercado”, detalha.

“Isso distorce a média, dando a impressão de que aquelas regiões também superaram a inflação, o que não é verdade, porque aquele prédio não existia no histórico analisado”, completa.

Baixa vacância mantêm o metro quadrado valorizado na Faria Lima

Segundo o especialista, o principal motivo para esse fenômeno é a máxima do capitalismo que prevê preços em alta em um ambiente de demanda aquecida e oferta relativamente estável.

O cenário é confirmado pela dinâmica de preços dos escritórios da Faria Lima, que tem superado R$ 300 por metro quadrado em vários casos, conforme reportado pela Forbes Brasil, na esteira da alta procura de empresas por escritórios considerados de alto padrão (Triple A ou AAA no jargão da indústria).

A região reúne locatários como grandes bancos, empresas de investimentos e grandes firmas de tecnologia, e tem operado com vacância abaixo de 10% nos últimos trimestres — percentual que torna a barganha mais favorável ao locador e tende a pressionar preços para cima.

Os dados mais recentes, de junho, indicam 9% de vacância para a Faria Lima, ante 5% para a região da Avenida Juscelino Kubitschek, onde estão as torres corporativas do JK Iguatemi e o São Paulo Corporate Towers, complexo imobiliário de duas torres que tem a XP como um dos locadores.

No extremo oposto, a SiiLA mostra que Santo Amaro foi a única região do levantamento a registrar desvalorização dos aluguéis na década. A região possui 54% de vacância nos dez edifícios premium que foram mapeados, com aluguel pedido de R$ 38,44 por metro quadrado, abaixo do valor de mercado de R$ 43,16.

A região da Rebouças, em outra dinâmica de mercado, tem mostrado um crescimento relevante. De nove imóveis premium monitorados no levantamento, a vacância fica em 4,3%.

O estoque de maior padrão começou a ganhar relevância a partir de 2022 e hoje possui aluguel médio de mercado de R$ 173,84 por metro quadrado. A entrega mais recente foi o Biosquare, edifício de 30 mil m² já totalmente pré-locado pela Amazon.

Para o levantamento, a SiiLA analisou 952 imóveis em 12 regiões de escritórios em São Paulo. A amostragem totaliza 9,2 milhões de metros quadrados.

Absorção líquida caminha para novo recorde

Em 2025, São Paulo registrou a maior absorção líquida anual da série histórica, de mais de 215 mil metros quadrados de lajes corporativas. Neste ano, nos primeiros seis meses, foram absorvidos líquidos 183 mil metros quadrados.

Nicastro entende que a segunda metade do ano só não deve superar a primeira por conta da ausência de estoque no ciclo atual.

“Ela só não será maior porque não há imóveis disponíveis para alugar. Então, a absorção líquida, no segundo semestre, deve ficar próxima desse patamar [183 mil metros quadrados]. Uma coisa é demanda e outra é disponibilidade. Acreditamos que ficará em torno de 150 mil a 180 mil, não muito diferente disso.”

Os dados do levantamento apontam que o estoque de edifícios corporativos das classes A+ e A da capital paulista cresceu 43% em dez anos, ultrapassando 4,9 milhões de metros quadrados.

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