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Dia da Igualdade Feminina: Por Que Estamos a Mais de um Século da Paridade de Gênero?

Segundo o Fórum Econômico Mundial, faltam 123 anos para as mulheres alcançarem a plena equidade em relação à saúde, educação, participação econômica e política

5 min

No ritmo atual de avanços e retrocessos em relação à igualdade de gênero global, levará mais 123 anos, ou cinco gerações, para alcançar a paridade total. É o que aponta o Índice Global de Disparidade de Gênero 2025, divulgado pelo Fórum Econômico Mundial, que monitora a evolução do tema desde 2006.

Pesquisas de grandes organizações e especialistas indicam que a busca pela equidade de gênero não é apenas uma questão moral, mas também estratégica e econômica. “Investimentos em igualdade podem ajudar os países a construir economias mais resilientes, prósperas e produtivas”, destaca Saadia Zahidi, economista e diretora executiva do Fórum Econômico Mundial, no relatório.

O Índice Global de Disparidade de Gênero acompanha a igualdade de gênero em quatro dimensões principais: participação econômica e política, nível educacional e saúde. A nota, numa escala de 0 a 100, indica o percentual da lacuna de gênero que já foi fechada.

Dia Internacional da Igualdade Feminina

Nesta terça-feira (26) é celebrado o Dia Internacional da Igualdade Feminina. Com origem nos EUA, a data ficou marcada como o aniversário da aprovação da 19ª Emenda da Constituição Americana em 1920, que concedeu a algumas mulheres, mas não a todas, o direito de votar. Mais de 100 anos se passaram desde que a emenda foi ratificada. Enquanto muitos progressos foram feitos, ainda existe um longo caminho a percorrer. 

Segundo o Índice, nenhuma economia atingiu a paridade de gênero. A única que eliminou mais de 90% da disparidade de gênero é a Islândia, líder do ranking pelo 16º ano consecutivo. Todos os outros nove países no top 10 fecharam mais de 80% do gap de gênero.

Veja os 10 países que lideram o ranking de igualdade de gênero

1. Islândia — 92,6%
2. Finlândia — 87,9%
3. Noruega — 86,3%
4. Reino Unido — 83,8%
5. Nova Zelândia — 82,7%
6. Suécia — 81,7%
7. República da Moldávia — 81,3%
8. Namíbia — 81,1%
9. Alemanha — 80,3%
10. Irlanda — 80,1%

Igualdade de gênero no Brasil

O Brasil ocupa a 72ª posição no Índice – caiu duas desde 2024, quando estava em 70º lugar.

No quesito educação, o país alcançou 100% de igualdade de gênero, avançando desde os 99,6% de 2024 e saltando da 54ª para uma posição de paridade total. Entre as 148 economias analisadas, 35 atingiram a igualdade plena na educação em 2025.

Já na dimensão de saúde e sobrevivência, o país caiu da 1ª para a 28ª posição, com índice passando de 98% para 97,7%.

A igualdade econômica também teve recuo, de 66,7% para 66,2%, e a posição caiu do 88º para o 96º lugar. Em cargos de liderança sênior, a participação feminina diminuiu de 66,1% para 65%.

A equidade salarial segue preocupante, com apenas 53,4%, e o Brasil na 118ª posição.

A participação feminina na força de trabalho se manteve em 72,6%, ainda 4,5 pontos abaixo do melhor desempenho do país, registrado em 2021 (77,2%).

Na política, houve um pequeno avanço: o Brasil passou do 74º lugar para o 70º, e seu índice subiu de 22% para 24% – porém, ainda está abaixo dos 26,3% de 2023.

Onde estamos na América Latina

Na divisão regional, a América Latina e o Caribe ocupam o terceiro lugar, com 74,5% da lacuna de gênero fechada, ficando atrás apenas da América do Norte e da Europa. A região mantém a taxa de progresso mais rápida, avançando 8,6 pontos percentuais desde 2006.

Apesar de registrar a terceira menor pontuação global em Participação e Oportunidade Econômica (65,6%), todas as economias da região fecharam pelo menos metade de sua lacuna econômica.

A região registra a terceira maior pontuação em Nível Educacional (99,6%), com 10 das 23 economias alcançando paridade educacional completa, e as 13 restantes a menos de 3 pontos percentuais de atingir esse patamar.

No quesito Empoderamento Político, a América Latina e o Caribe ocupam o segundo lugar global (35,0%), destacando-se pelo histórico de liderança política feminina: 15 economias tiveram uma mulher como chefe de Estado nas últimas cinco décadas. Em 17 economias, as mulheres representam pelo menos um terço dos ministérios, e todas incluem mulheres no parlamento — com Nicarágua e México atingindo a paridade parlamentar completa.

O que falta para alcançar a igualdade de gênero

Até agora, os maiores avanços rumo à paridade de gênero ocorreram nas áreas de Participação e Oportunidade Econômica e Empoderamento Político, embora ambas ainda apresentem as maiores lacunas a serem superadas.

Ao longo das 19 edições do índice, o Empoderamento Político registrou o maior progresso, passando de 14,3% em 2006 para 23,4% em 2025. Mesmo assim, no ritmo atual, levará 162 anos para alcançar a paridade total nessa dimensão.

De forma semelhante, a lacuna em Participação e Oportunidade Econômica diminuiu 5,6 pontos percentuais (de 55,1% em 2006 para 60,7% em 2025), com a previsão de que a paridade completa só será atingida em mais 135 anos, caso as tendências atuais se mantenham.

“Avanços tecnológicos, conflitos geopolíticos e incertezas econômicas estão criando desafios sem precedentes, ao mesmo tempo em que trazem novas oportunidades. Em meio a tantas transformações, a paridade de gênero é tanto um princípio quanto uma estratégia. Economias que aproveitam todo o espectro de talentos e capital humano estão mais bem posicionadas para navegar nesta era de transformação e acelerar a produtividade e a prosperidade.”
Saadia Zahidi, diretora executiva do Fórum Econômico Mundial

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