As indicações para a 98ª cerimônia do Oscar foram divulgadas nesta quinta-feira (22), e as mulheres marcaram presença na maioria das categorias. Entre estreantes, como a diretora de fotografia de “Pecadores”, Autumn Durald Arkapaw, e veteranas, como Chloé Zhao, vencedora do prêmio de direção de 2021 e indicada em duas categorias por “Hamnet”, as mulheres nomeadas este ano podem fazer história na cerimônia.
A edição deste ano marca um recorde de representatividade. Com alguns indicados ainda a serem anunciados, ao menos 74 mulheres receberam indicações este ano, superando a marca anterior de 71 estabelecida em 2023. Com exceção das categorias de Melhor Ator, Melhor Atriz e coadjuvantes, elas representam cerca de 31% dos indicados.
História do Oscar prestes a mudar
Em quase um século de Oscar, nenhuma mulher foi premiada na categoria de Fotografia entre os 126 troféus entregues. Até 2025, apenas três mulheres haviam sido indicadas: Mandy Walker, em 2023, por “Elvis”; Ari Wegner, em 2022, por “Ataque dos Cães”; e Rachel Morrison, em 2018, por “Mudbound – Lágrimas Sobre o Mississipi”.
As indicações de 2026 adicionaram mais um nome a essa lista. Autumn Durald Arkapaw concorre ao prêmio por “Pecadores”, e pode se tornar a primeira mulher a vencer o Oscar de Fotografia, caso leve a estatueta.
Outro possível marco envolve Chloé Zhao, a única mulher indicada à categoria de Direção neste ano, um dos maiores prêmios da noite. Ao longo da história do Oscar, cineastas mulheres concorreram ao prêmio 10 vezes – Zhao é a 11ª e Jane Campion foi indicada duas vezes –, e somente 3 venceram: Kathryn Bigelow, em 2010, por “Guerra ao Terror”; a própria Zhao, em 2021, por “Nomadland”; e Jane Campion, em 2022, por “Ataque dos Cães”. As vitórias femininas representam apenas 3% do total na categoria.
Categorias com maioria feminina
A categoria de Figurino teve exclusivamente mulheres entre as indicadas em 2026. Historicamente, é também a de maior presença feminina entre os vencedores do Oscar, individualmente ou em equipes com ao menos uma mulher. Segundo levantamento da empresa de pesquisa Hibou, a pedido da Forbes Brasil, que analisou todas as edições da premiação até 2024, cerca de 69% das estatuetas de Figurino tiveram ao menos uma mulher entre os vencedores.
Em Animação, todos os filmes indicados neste ano contam com pelo menos uma mulher entre os nomeados. Outro destaque é a mais nova categoria do Oscar, Direção de Elenco, inaugurada neste ano. Além do brasileiro Gabriel Domingues, de “O Agente Secreto”, apenas mulheres disputam a estatueta: Nina Gold, por “Hamnet”; Jennifer Venditti, por “Marty Supreme”; Cassandra Kulukundis, por “Uma Batalha Após a Outra”; e Francine Maisler, por “Pecadores”.
Categorias com maior disparidade de gênero
Em 2026, três categorias do Oscar não tiveram nenhuma mulher entre os indicados: Montagem, Trilha Sonora e Roteiro Original. Historicamente, Trilha Sonora está entre as categorias com menor percentual de premiação para mulheres, atrás apenas de Fotografia e Direção, com cerca de 3% das estatuetas entregues a mulheres ou a equipes com pelo menos uma mulher.
Enquanto isso, na categoria de Canção Original, duas compositoras marcam presença: EJAE, por “Gold”; e Diane Warren, por “Dear Me”. Já em Roteiro Adaptado, entre os cinco filmes concorrentes, apenas um conta com mulheres roteiristas: “Hamnet”, por Chloé Zhao e Maggie O’Farrell.
Outra categoria com uma baixa presença feminina é a de Efeitos Visuais. Entre as cinco equipes indicadas, com um total de 20 profissionais, apenas uma mulher marca presença: Charmaine Chan, por “Jurassic World: Recomeço.”
Mulheres não chegam a 18% dos vencedores na história do Oscar
Até a edição de 2024, em quase um século da maior premiação do cinema, as mulheres não chegaram a 18% dos vencedores dos principais prêmios — aqueles entregues na noite mais aguardada da indústria.
Das 1.695 vitórias registradas em 18 das principais categorias do Oscar (com exceção de Melhor Ator, Melhor Atriz, coadjuvantes e Melhor Filme Internacional, cujo prêmio é atribuído ao país), apenas 17,88% foram concedidas a mulheres ou a grupos com ao menos uma mulher. Os outros 82,12% das estatuetas ficaram exclusivamente com homens.