Eleita a primeira colocada na lista Forbes Self-Made 250 — que elenca os 250 maiores americanos vivos que construíram a própria fortuna —, Oprah Winfrey afirma que as chaves para o seu sucesso são fruto das duras lições aprendidas em seus primeiros anos de vida.
A infância e a adolescência da empresária foram marcadas por traumas. Vítima de abuso sexual a partir dos 9 anos, ela deu à luz um bebê aos 14 anos, que morreu pouco tempo depois. “Achei que minha vida tinha acabado e tentei me machucar. Sentia muita vergonha de tudo aquilo”, revelou durante um evento de celebração da lista da Forbes.
Se precisasse criar o filho, Winfrey teria sido obrigada a abandonar os estudos. Hoje, no entanto, ela enxerga a tragédia como uma segunda chance. Ao permanecer na escola, descobriu seu talento para debates e oratória — habilidades que lhe renderam o primeiro emprego no rádio, uma bolsa de estudos na Universidade Estadual do Tennessee e, futuramente, a consolidação de sua marca global de mídia.
Um novo legado
O impacto filantrópico de Oprah foi moldado por grandes ícones. Ela conta que 29 refeições compartilhadas com Nelson Mandela foram essenciais para estruturar a Oprah Winfrey Leadership Academy for Girls, um internato na África do Sul inaugurado em 2007 para meninas superdotadas sem recursos financeiros.
O projeto, segundo ela, trouxe sua lição filantrópica mais dura: descobrir que “apenas assinar cheques não resolve o problema”. Ela compartilha o que aprendeu após décadas de erros e acertos sociais: “Nunca dê a ninguém mais dinheiro do que eles já conquistaram por conta própria”.
Ela também credita à escritora Maya Angelou uma mudança em sua visão de mundo. Quando Oprah afirmou que a Academia seria sua maior herança para o mundo, Angelou a corrigiu: “Você não faz ideia do que será o seu legado. Ele não é algo tangível como um prédio ou uma quantia em dinheiro, mas sim cada vida que você tocou.”
Invertendo o paradigma
Ao refletir sobre a distância que percorreu, Oprah compartilhou uma memória marcante sobre sua criação e as barreiras raciais e sociais que quebrou. “Minha avó, que era trabalhadora doméstica, costumava dizer: ‘Querida, espero que você cresça e arranje pessoas brancas boas para trabalhar, assim como nós temos’”, lembra.
Para sua avó, “pessoas brancas boas” eram aquelas que permitiam que levasse restos de comida para casa ou ficasse com roupas de segunda mão. “Ela jamais acreditaria que eu cresceria para ter ‘pessoas brancas boas’ trabalhando para mim. Ela nem sequer entenderia o que isso significa, que eu fui capaz de inverter esse paradigma.”
A construção de um império
Nascida no Mississippi, em 1954, Oprah construiu sua fortuna após assumir um programa matinal em dificuldades em Chicago, em 1984. O projeto foi distribuído nacionalmente como “The Oprah Winfrey Show“, mantendo-se no ar por 25 temporadas (1986 a 2011) e tornando-se o programa de entrevistas de maior audiência da história dos EUA.
A virada de chave em seus negócios envolveu ousadia em busca de independência. O conselho de seu advogado durante as gravações do filme “A Cor Púrpura” — quando ganhava US$ 235.000 e abriu mão de suas férias — a impulsionou a fundar sua própria produtora, a Harpo Productions.
Com a produtora, ela assumiu a propriedade de seu próprio programa, garantindo o controle total sobre os lucros. Antes disso, a King World Productions, que distribuía o show, ficava com a receita e apenas lhe pagava um salário. “A melhor coisa do mundo para mim, como mulher negra, foi ser subestimada. Aqueles garotos brancos nunca teriam me dado 50% de participação se acreditassem que eu estaria onde estou hoje”.
Desde então, sua expansão não parou. Ela levou seus negócios para a TV a cabo com a OWN (Oprah Winfrey Network) e consolidou sua presença no cinema, atuando e produzindo obras como o remake de 2023 de “A Cor Púrpura”. Hoje, ao longo de cinco décadas de atuação ininterrupta na mídia, Oprah Winfrey acumula um patrimônio líquido estimado pela Forbes em US$ 3,4 bilhões.
*Reportagem publicada originalmente em Forbes.com