O mundo está mais perto da igualdade de gênero do que nunca, mas o progresso segue lento. Segundo o Global Gender Gap Report 2026, divulgado pelo Fórum Econômico Mundial nesta quarta-feira (16), quase todas as economias avançaram no tema, mas a paridade total ainda está a 120 anos de distância.
O Índice Global de Disparidade de Gênero acompanha, desde 2006, a paridade entre homens e mulheres em quatro dimensões: participação econômica, política, educação e saúde. A nota, numa escala de 0 a 100, indica o percentual da lacuna de gênero já fechada. Em 2026, o relatório aponta a superação de 69,2% da lacuna global, um ganho de 0,4 ponto percentual em relação a 2025.
O cenário no Brasil
No contexto nacional, o Brasil apresenta uma paridade geral de 71,6% em 2026. O número representa um recuo em relação aos 72% do ano anterior. No ranking global, o país ocupa o 72º lugar e mantém a mesma posição de 2025.
O grande destaque brasileiro é o indicador educacional, no qual o país registra 100% de igualdade de gênero. Com isso, assegura a 1ª posição ao lado de outras nações. Entre as 145 economias analisadas, apenas 32 atingem a igualdade plena na educação este ano.
Na área de saúde e sobrevivência, o país figura na 28ª posição, com índice de 97,7%.
A igualdade econômica registra uma leve melhora na pontuação: passa de 66,2% para 66,6%. Apesar desse pequeno avanço, a posição brasileira cai para o 102º lugar.
No mercado de trabalho, a participação feminina saltou de 72,6% para 73,1%. O avanço em cargos de liderança também ocorre de forma discreta. Em postos de legisladores, altos funcionários e gestores (liderança sênior), a equidade chega a 66%, frente a 65% em 2025.
Na política, o país sofre um recuo. O Brasil cai do 70º para o 72º lugar, e seu índice diminui de 24% para 21,8%. Contudo, num recorte histórico de 20 anos, o cenário mostra avanços: a participação feminina no parlamento atinge 20,7% (frente a apenas 9,4% em 2006), enquanto a paridade entre ministros alcança 40,9% (mais que o triplo dos 12,9% registrados há duas décadas).
Top 10 países no ranking de igualdade de gênero
No cenário global, a Islândia segue como líder pelo 17º ano consecutivo, como a única economia com mais de 90% de paridade (93,0%). Todos os países do topo fecharam pelo menos 81% da lacuna de gênero.
- Islândia — 93,0%
- Finlândia — 87,2%
- Noruega — 85,7%
- Namíbia — 84,5%
- Reino Unido — 84,2%
- Nova Zelândia — 82,8%
- Suécia — 82,3%
- Austrália — 81,9%
- Alemanha — 81,7%
- Irlanda — 81,4%
A Austrália entra no top 10 pela primeira vez e sobe cinco posições, enquanto a República da Moldávia deixa o grupo.
A região da América Latina e do Caribe mantém o maior avanço consolidado do mundo desde 2006, com um salto de 8,6 pontos percentuais, e alcança 74,5% de paridade geral. A equidade econômica chega a 66,4%, impulsionada por maiores níveis de paridade na força de trabalho em papéis técnicos e profissionais. Além disso, a região apresenta a segunda maior pontuação global em empoderamento político (34,2%).