Há momentos em que o mundo lá fora continua girando na velocidade de sempre, enquanto o nosso mundo particular para por completo.
Recentemente, vivi uma situação pessoal que me paralisou. De um lado, a dor de ter que parar tudo para proteger o que é essencial na minha vida. Do outro, a cobrança fria e apressada por prazos, acertos financeiros e uma prontidão imediata.
Como mulher, líder e parceira de negócios, tento exercitar a empatia todos os dias. Mesmo assim, me pergunto quantas vezes, no automático da rotina, o mercado acaba reduzindo o outro a uma pendência a ser resolvida. Quando um acerto financeiro passa na frente de uma crise humana, a gente perde a chance de ser, de fato, solidário.
Um dos pontos mais sutis desse atropelo vivido veio quando fui questionada a partir da minha presença digital: “Não deve ser tão ruim assim, você continua ativa nas redes.” Percebi como é fácil medir a dor do outro pelo que aparece na superfície. Para quem trabalha com internet, postar também é trabalho, e muitas vezes é o que ajuda a manter a vida de pé. O que vai para o feed é só um recorte.
Contratos e compromissos têm valor, e eu sei disso. Mas a vida, a saúde e estar perto de quem eu amo não entram em negociação. Saber a hora de pausar, recuar e dar espaço é, antes de tudo, um gesto de maturidade e de humanidade.
Acredito que a verdadeira elegância, nos negócios e na vida, não está na rigidez dos processos, mas na sensibilidade de reconhecer a fragilidade do outro e a nossa também.
Que a gente, como mulheres e profissionais, construa ambientes em que a compaixão e o bom senso sejam sempre a primeira resposta. Nem sempre conseguimos, mas não custa corrigir a rota.
*Juliana Ferraz é sócia da Holding Clube e tem quase 30 anos de carreira no universo da comunicação e eventos no Brasil.
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