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O Som Que Acolhe: Como a Musicoterapia Pode Transformar o Cuidado de Pacientes com Câncer

Estratégia acessível e baseada em evidências, a musicoterapia fortalece o cuidado integral ao reduzir a ansiedade e promover conexão emocional

3 min

No enfrentamento do câncer, o foco não deve estar apenas na doença, mas também em quem a vive. Alívio da dor, manejo dos efeitos colaterais, acolhimento emocional: tudo isso faz parte de um cuidado integral e humanizado. Nesse cenário, a musicoterapia tem se consolidado como uma estratégia promissora e cientificamente embasada para melhorar a qualidade de vida dos pacientes em tratamento oncológico.

Durante o Congresso da ASCO 2025, um estudo apresentado por pesquisadores do Memorial Sloan Kettering Cancer Center, nos Estados Unidos, reforçou o impacto positivo dessa abordagem. Foram avaliados 300 pacientes com diferentes tipos de câncer, que participaram de sessões semanais de musicoterapia ao longo de algumas semanas. Os resultados foram expressivos: os níveis de ansiedade e angústia caíram significativamente, houve melhora na qualidade do sono e na sensação geral de bem-estar, mesmo quando as sessões foram realizadas por telemedicina.

Os pesquisadores compararam a musicoterapia com outra abordagem reconhecida por sua eficácia, a terapia cognitivo-comportamental (TCC). E, embora a TCC tenha também gerado benefícios, a resposta emocional dos pacientes à música foi especialmente marcante. O estudo ainda destacou o papel da composição musical colaborativa (quando paciente e terapeuta criam juntos uma canção) como ferramenta poderosa no enfrentamento do sofrimento psíquico.

O mais impressionante é que estamos falando de uma intervenção não farmacológica, de baixo custo e sem efeitos colaterais. Em um cenário em que o paciente já enfrenta uma sobrecarga de medicamentos, exames e procedimentos, oferecer uma estratégia como a musicoterapia pode representar um respiro. Um espaço de expressão, de alívio, de conexão.É claro que a musicoterapia não substitui os tratamentos tradicionais. Mas ela pode e deve ser vista como parte do cuidado integral, ao lado de outras práticas que colocam o ser humano no centro da atenção. A música tem o poder de acessar memórias, despertar sentimentos e criar pontes onde antes havia silêncio. E, para quem enfrenta o câncer, isso pode fazer toda a diferença.

Incorporar práticas como essa ao cotidiano dos serviços oncológicos é um passo importante rumo a uma medicina mais humana, mais sensível e mais completa. Porque, no fim das contas, cuidar do câncer é também cuidar da vida.

*Dr. Fernando Maluf é médico oncologista, cofundador do Instituto Vencer o Câncer e professor livre-docente da Faculdade de Medicina da Santa Casa de São Paulo.

Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião de Forbes Brasil e de seus editores.

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