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Sua Concentração Pode Estar em Risco por Causa Deste Hábito

O hábito de abandonar uma tarefa ao primeiro sinal de dificuldade pode fragmentar a atenção e enfraquecer, aos poucos, a capacidade de concentração

6 min

A maioria das pessoas que sente a concentração escapar culpa os dispositivos, e essa explicação está parcialmente correta. Mas ela não explica a parte mais reveladora da experiência: aquela que acontece em uma sala silenciosa, com o celular virado para baixo em outro canto e nada exigindo atenção. Mesmo assim, muitas vezes é difícil manter o foco. Há algo além da notificação corroendo sua capacidade de se concentrar.

O hábito responsável é fácil de ignorar porque acontece um instante antes da própria distração. Trata-se de abandonar uma tarefa exatamente no momento em que ela começa a exigir esforço. Não é deixar de lado algo tedioso que nunca foi desejado, mas se afastar de um trabalho que foi escolhido e que importa diante do primeiro pequeno obstáculo.

Normalmente, o obstáculo é mínimo. Uma frase precisa ser lida duas vezes antes de fazer sentido e, em algum momento dessa segunda leitura, a mão alcança outra coisa. A mudança costuma acontecer antes mesmo de o desconforto ser percebido conscientemente, e é por isso que raramente parece uma decisão.

O hábito de trocar de tarefa para evitar o desconforto

Pesquisas mostram que uma grande parte das interrupções que vivenciamos diariamente é gerada por nós mesmos, em vez de ser imposta por outras pessoas. As pesquisas de longo prazo de Gloria Mark, da UC Irvine, sobre atenção documentaram que, quando as interrupções externas são removidas do ambiente de alguém, o espaço deixado por elas acaba sendo preenchido por autointerrupções.

Isso não é uma falha de caráter nem falta de força de vontade. Afastar-se de algo difícil realmente ajuda a aliviar um estado interno desagradável — e funciona imediatamente. Em termos comportamentais, isso funciona como alívio, um dos mecanismos de aprendizagem mais poderosos que existem. Um comportamento que consegue interromper o desconforto de maneira consistente é aprendido rapidamente, sem qualquer intenção consciente de aprendê-lo.

O verdadeiro custo não é o tempo passado longe da tarefa. A psicóloga Sophie Leroy deu um nome ao mecanismo que se consolidou nas pesquisas sobre interrupções: resíduo de atenção, descrito em uma revisão de 2020 publicada na Academy of Management Annals.

Quando a atenção se desloca para algo novo, parte dela permanece naquilo que foi deixado inacabado. Voltar à tarefa não restaura totalmente a capacidade de concentração, porque uma parte da mente continua ocupada com aquilo que foi abandonado no meio do pensamento.

Também há evidências de que essa fuga acaba trabalhando contra nós mesmos. Em um estudo de 2024 publicado no Journal of Experimental Psychology: General, pessoas que alternavam entre vídeos curtos e avançavam rapidamente por eles acabaram mais entediadas do que aquelas que assistiram aos vídeos do início ao fim, apesar de esperarem o contrário. A troca foi feita para aliviar um estado, mas acabou intensificando-o.

É isso que transforma um hábito comum em um ciclo cumulativo. Voltar com menos atenção disponível faz com que o trabalho pareça mais monótono e pesado do que alguns minutos antes. Isso torna a próxima fuga mais fácil de justificar e deixa um pouco mais de resíduo para trás. Nada dramático acontece em cada ciclo isoladamente — e é justamente por isso que a erosão é lenta o suficiente para passar despercebida enquanto acontece.

Por que esse hábito se torna tão difícil de abandonar desde o início

Os hábitos se formam com mais eficiência quando a recompensa chega imediatamente e varia de intensidade, e esse comportamento reúne as duas condições. O alívio do atrito é instantâneo, e o que espera do outro lado da mudança é diferente a cada vez — uma combinação conhecida por favorecer a repetição de um comportamento.

O que acaba sendo treinado não é a preguiça. É a velocidade. Com a repetição, o intervalo entre uma pequena dificuldade e a fuga fica cada vez menor, até que os dois acontecimentos se tornam praticamente simultâneos.

É importante ser preciso sobre o que as evidências mostram. Como apresenta uma revisão de 2026 das pesquisas publicada na Scientific American, testes controlados de concentração permaneceram surpreendentemente estáveis ao longo das décadas, sem sinais convincentes de que a capacidade fundamental do cérebro de se concentrar tenha sido prejudicada.

O que mudou foi o comportamento — ou seja, por quanto tempo as pessoas costumam permanecer em uma atividade antes de passar para outra. Essa distinção é mais importante do que parece, porque uma capacidade reduzida representaria uma perda, enquanto um comportamento aprendido pode ser reaprendido.

Como mudar esse hábito

Bloquear aplicativos e fazer pausas da tecnologia pode ser útil, mas essas estratégias atuam sobre o ambiente, e não sobre o reflexo. Por isso, a concentração muitas vezes volta a desmoronar assim que as restrições são retiradas.

O alvo mais direto é o minuto que vem depois do impulso de abandonar a tarefa. Permanecer em uma atividade diante de um obstáculo, em vez de tentar resistir durante uma tarde inteira, é o que começa a enfraquecer a ligação entre uma pequena dificuldade e a fuga imediata. Ajuda tratar o impulso como uma informação sobre a tarefa, e não como uma ordem para agir.

Transformar os momentos de saída em passos deliberados também ajuda. O trabalho de Leroy sugere que fazer uma pausa para registrar em que ponto você está antes de se afastar — às vezes chamado de plano de “pronto para retomar” — deixa menos resíduo de atenção.

E descanso não é a mesma coisa que trocar de tarefa. A teoria da restauração da atenção diferencia atividades que recuperam a atenção, como caminhar ou olhar pela janela, daquelas que apenas a redirecionam. As evidências variam conforme a habilidade mental analisada, mas uma meta-análise de 2025 publicada no Journal of Environmental Psychology encontrou os ganhos mais claros no controle atencional, justamente a capacidade mais desgastada por um dia de trocas constantes. Rolar a tela do celular se apresenta como uma pausa, mas silenciosamente consome a mesma reserva de atenção que já estava baixa.

A capacidade de concentração costuma ser descrita como algo que está sendo perdido, mas ela se comporta muito mais como um hábito que responde àquilo que praticamos com maior frequência.

*Mark Travers é colaborador da Forbes USA. Ele é um psicólogo americano formado pela Cornell University e pela University of Colorado em Boulder.

*Reportagem publicada originalmente em Forbes.com

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