Líder do YouTube na América Latina fala sobre multiculturalidade no Dia da Mulher

Nascida na periferia de Salvador, Bibiana Leite, diretora de parcerias e comunidade da plataforma, também comenta liderança e carreira internacional.

Luiz Gustavo Pacete
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Bibiana Leite: “Existem avanços em relação à inclusão da mulher nas organizações, mas o caminho certamente ainda é longo”

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Mais do que exaltar mulheres negras por serem “batalhadoras”, neste dia 8 de março, Bibiana Leite, diretora de parcerias e comunidade do YouTube para Canadá e América Latina, prefere assistir a resultados concretos por parte das empresas no que diz respeito à inclusão. Nascida na periferia de Salvador, Bibiana é executiva de destaque internacional e, além do cargo no YouTube, faz parte do Summer Search, entidade localizada em San Francisco, na Califórnia, que capacita jovens em pré-estágio profissional por meio de mentorias e formação básica.

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“Existem avanços em relação à inclusão da mulher nas organizações, mas o caminho certamente ainda é longo. Há uma história de opressão no Brasil que todos precisam conhecer, pois muito se fala sobre meritocracia – que, trabalhando muito duro, as pessoas conseguem – no entanto, como sociedade ainda temos que entender e aprender sobre equidade e criar planos para promover oportunidades aos que não tiveram”, diz Bibiana. Ela conta que, nos Estados Unidos, a narrativa reforça a importância de que a sociedade precisa se educar em relação ao racismo e à criação de oportunidades que contemplem as maiorias minorizadas.

Bibiana conta que, no começo de sua trajetória profissional no mercado estadunidense, teve a autoconfiança abalada devido a uma cultura corporativa diferente do Brasil. “Um dos exemplos foi a falta do bom dia pelas manhãs, as interações e engajamento nas reuniões e, é claro, a diferença do sotaque e da interação fora da língua materna. Mas tudo isso é uma questão de amadurecimento e tempo e creio que as diferenças culturais são positivas para o nosso desenvolvimento pessoal e profissional. Hoje, consigo manter a autenticidade de brasileira e baiana dentro do ambiente corporativo e também mostrar a minha eficiência como profissional.”

Multiculturalidade como fator de inovação

Sobre a oportunidade de atuar com equipes diversas também do ponto de vista regional, Bibiana ressalta que seu time de gerentes de parcerias está em quatro localidades (São Paulo, Cidade do México, San Bruno e Nova Iorque). “E em minha trajetória, aprendi que a diversidade, de raça, gênero e nacionalidades, é uma chave para trazer inovação aos processos e times. A integração multicultural favorece novas trocas de ideias e a aprendizagem dos funcionários. Conforme a cultura, as vivências podem ser muito diferentes e o resultado será uma onda de ideias ricas e diversas, além de uma variedade de perspectivas para a resolução de problemas.”

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“Estudei no meu mestrado em Psicologia Organizacional, na Universidade de Columbia, diversos livros e artigos, e entendi que, na verdade, a diversidade traz conflito para a dinâmica de um time. Os conflitos são positivos, pois quando todos pensam igual, a capacidade de inovar é menor, e eles fazem com que as pessoas cresçam porque favorece o feedback. A equipe começa a questionar também a própria atuação e performance. E isso dá a elas o ânimo de continuar se especializando, além de trazer uma grande vantagem competitiva para a empresa e para o próprio grupo”, destaca Bibiana. “É importante que quem esteja fazendo uma transição para trabalhar em outros mercados, seja o europeu, americano ou outros, tenha em mente que tudo será muito diferente da cultura de trabalho brasileira.”

Ações concretas

Segundo Bibiana, o Google e o YouTube possuem iniciativas que promovem oportunidades, como, por exemplo, o Next Step, criado em 2019 como o primeiro programa de estágio focado em aumentar a representatividade de talentos negros no Google Brasil. “O YouTube Black é outro exemplo. Um conjunto de iniciativas que tem como principal objetivo contribuir com a equidade racial e colaborar com o ecossistema de criadores negros para ajudá-los a se desenvolver na plataforma. Ao longo dos últimos anos, temos promovido projetos para atingir esse objetivo, como o #YouTubeBlack Voices, YouTube Talks, YouTube Originals Creator Spotlight, Live do YouTube Black e o Fundo Vozes Negras.”

“O projeto Fundo Vozes Negras, por exemplo, teve sua turma de 2022 anunciada recentemente. Foram mais 35 criadores brasileiros selecionados para o Fundo, mesmo número de artistas negros que tivemos em 2021 recebendo apoio da iniciativa. Também é importante destacar o YouTube Originals Creator Spotlight, projeto que reuniu minidocumentários estrelados por criadores negros de sucesso na plataforma. Iniciativas como estas representam um compromisso global do YouTube para elevar e incentivar criadores e artistas negros na plataforma, bem como a produção e aquisição de novos programas do YouTube com foco em justiça racial e na experiência negra”, conclui Bibiana.

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