CEO da Visa fala sobre o impacto da Web3 nas transações financeiras

Nuno Lopes, que completa um ano à frente da operação brasileira, explica como que NFTs, criptomoedas e metaverso mudarão as lógicas de pagamentos

Luiz Gustavo Pacete
Compartilhe esta publicação:
Divulgação Visa

Nuno Lopes: “No metaverso ainda vamos evoluir de redes que nasceram fechadas para aquelas que vão se conversar”

Acessibilidade


Em agosto do ano passado, enquanto NFT ainda era um conceito muito mais inacessível do que atualmente, a Visa pagou o equivalente a US$ 150 mil, ou quase R$ 800 mil por um token não fungível, o CryptoPunk 7610. A transação, muito além do aspecto de vanguarda da empresa, tinha a intenção de sinalizar que a companhia não só acreditava na tecnologia como entendia que ela marcava uma nova fase da economia digital.

No artigo “NFTs Marcam Novo Capítulo para o Comércio Digital”, publicado em seu site, a Visa chegou a associar o mundo dos tokens ao início da internet, ou a chamada Web 1.0. “À época, muitas pessoas eram céticas em relação a incluir seus dados bancários em um site. Hoje, algo que se tornou tão comum a ponto de as pessoas nem se recordarem daqueles tempos. Para nós, criptomedas e NFTs ganharão cada vez mais relevância e mudarão o rumo de muitas coisas”, dizia o artigo.

Leia mais: Com criptomoedas e metaverso, Mastercard avança como hub de tecnologia

Com esse mesmo entusiasmo para a tecnologia, porém apresentando possibilidades concretas de como a chamada Web3 pode mudar a dinâmica dos negócios, Nuno Lopes, há um ano à frente da Visa no Brasil, conversou com a Forbes Brasil, na sede da empresa, em São Paulo. Para Nuno, NFTs, criptomoedas, e o próprio metaverso, ampliam as possibilidades de experiências e uso, o que naturalmente expande a quantidade de transações financeiras.

“Hoje, a Visa opera com o objetivo de ser a rede das redes e isso tem uma relação direta quando falamos de novas tecnologias, plataformas e possibilidades. Os desafios estão dados, mas o próprio mercado de meios de pagamento nos ensina que, no passado, tínhamos lugares que não aceitavam determinadas bandeiras, o que limitava a forma das pessoas pagarem. Isso ficou para trás e para mim, no metaverso, não é diferente, ainda vamos evoluir de redes que nasceram fechadas para aquelas que vão se conversar”, destaca.

Inscreva-se para receber a nossa newsletter
Ao fornecer seu e-mail, você concorda com a Política de Privacidade da Forbes Brasil.
Reprodução

O CryptoPunk 7610 foi adquirido pela Visa por quase R$ 1 milhão

Forbes Brasil – Qual o contexto atual de Visa do ponto de vista de negócios e tecnologia, sobretudo, neste momento de retomada econômica?
Nuno Lopes – Nosso posicionamento é ser a rede das redes, independentemente do meio, em si, o importante é conectar empresas e clientes indo além do que apenas nosso próprio ecossistema. Além disso, existe hoje, no mundo, mais de US$ 18 trilhões de transações ainda físicas que podem migrar para plataformas digitais. Definitivamente, queremos permitir que as pessoas movimentem seus valores em qualquer lugar. Isso mostra, inclusive, o motivo de termos ampliado o investimento em tecnologia (a estimativa é que a companhia tenha aportado US$ 10 bilhões em tecnologia).

FB – O quanto o mundo das criptomoedas já é uma realidade concreta para a Visa e quais os desafios?
Nuno – No segmento de criptomoedas temos, atualmente, mais de 70 parceiros e o objetivo é ampliar esses players. É um esforço em dar liquidez para as transações conectando nossa rede com as exchanges. E quanto mais novos players chegarem melhor para essa evolução. Além disso, tem o elemento tecnológico, se você quer levar esse tipo de pagamento para o consumidor não precisa onerar a operação pode contar com nossas APIs. Eu gosto, inclusive, de usar o mundo dos games para ilustrar a importância dessa liquidez. Imagine você poder comprar uma skin em um game e vender essa skin em uma plataforma onde ela faça mais sentido, mas também tenha valor? É a chamada interoperabilidade que é muito importante para a evolução desses ecossistemas.

Leia mais: CEO do Itaú Unibanco lidera iniciativa inédita de inovação

FB – Interoperabilidade, que permite transações independentemente da plataforma, é um grande desafio para o metaverso, como isso pode mudar?
Nuno – São redes que, de certa forma, nasceram fechadas. E se você parar para pensar, não é diferente do nosso mundo. Na primeira parte do milênio, até 2010, se quisesse usar cartão, existiam casos de lugares que recebiam bandeiras exclusivas ou até mesmo redes que funcionavam apenas em determinados lugares. Talvez você ia a um restaurante e lá não aceitava a sua bandeira. Com a abertura do mercado de meios de pagamento, tudo mudou. E eu vejo uma tendência natural para essa integração também quando falamos de metaverso. Se você ganhou Rublos no Roblox e quer usar no Fortnite, por que não? Se hoje, a Visa atua com mais de 180 moedas, por que não também nas moedas e tokens do metaverso?

FB – De que maneira o mundo gamer pode nos ajudar a entender a experiência e as transações fluidas neste novo mundo?
Nuno- No espaço do gaming, tudo isso é muito mais natural na prática. Obviamente que ele é descentralizado porque tem vários personagens, o jogador, desenvolvedor e as propostas de valor são muito mais amplas. Agora tem uma outra discussão muito importante. O metaverso, e grande parte do que eu acredito que pode ser o êxito dele é a experiência. Imagine que você quer fazer alguma transação e ela não é aprovada? Como essa experiência tokenizada pode ser fluída? Ou seja, não faz sentido ter que dizer qual o número do cartão se tivermos, por trás, o suporte com tecnologia que podemos levar essa experiência.

>> Inscreva-se ou indique alguém para a seleção Under 30 de 2022

Compartilhe esta publicação: