Lançado em junho de 2024 com um capital inicial de R$ 50 milhões, com projeção de expansão para R$ 150 milhões, o Natura Ventures ampliou seu portfólio investindo na terceira startup. O primeiro aporte foi feito em dezembro do ano passado, na startup de controle digital logística Abbiamo. Em seguida, no mês de julho, a startup americana especializada em captação de metano Mango Materials também entrou para o ecossistema. José Manuel Silva, vice-presidente de Novos Negócios da Natura, explica que o foco do fundo vai além do mero investimento financeiro, visando a aquisição de capacidades inovadoras e o fortalecimento do ecossistema da empresa.
“Nossa inovação ‘core’ é muito baseada em produto e bioativos. De alguns anos para cá, começamos a aproveitar a potência do ecossistema de tudo que envolve nossos modelos de negócios: as 3,1 milhões de mulheres, diversas partes do ecossistema, ‘corporate venture building’, alguns negócios dentro de casa, dentro da rede para ter outras fontes de receita e aproveitamento de valores estratégicos e sociais”, explica Silva.
Exemplos disso incluem a EmanaPay e o Natura Startups, que já mapeou 6 mil startups. O Natura Ventures, por sua vez, foca em teses estratégicas para aprimorar modelos de negócio, como a circularidade, regeneração e novas abordagens em marketing e experiência do cliente (D2C).
Um dos segmentos onde a Natura tem avançado significativamente é a logística. “Durante muito tempo, foi um segmento subinvestido, onde conseguimos, através de um funil de startups de investimento em ‘last mile’, encurtar os passos e movimentos entre redes de consultoras”, comenta Silva. Ele destaca que, embora a Natura seja conhecida por interações com startups e universidades, a captura de valor dessas conexões vai além do ‘equity’. O “smart money” e o investimento intelectual de parceiros são fundamentais.
A startup WareClouds é um grande exemplo dessa estratégia, focada em criar micro-hubs logísticos que transformam residências em pontos de distribuição. Essa descentralização do estoque visa reduzir o tempo de reação para o consumidor final e, ao mesmo tempo, criar uma nova fonte de renda para as consultoras de beleza. Silva menciona que a capilaridade e a dificuldade de operar em regiões remotas impulsionam essa solução. “Imagina que eu possa, através da tecnologia, colocar minhas consultoras como ‘hubs’ de distribuição muito mais próximos”, idealiza o executivo. A iniciativa, que já testa o modelo em regiões como Sorocaba e Pará, busca otimizar a logística, principalmente em áreas de difícil acesso.
Silva também aborda a importância de novas tecnologias e modelos de negócio. Ele cita o social selling, onde as consultoras na rede da Natura produzem conteúdo, e a busca por deep tech e inovações disruptivas. “Deeptech para produtos e inovação, e a outra tem a ver com a tese de Social Selling”, afirma, indicando que a Natura está focada em expandir suas fronteiras de P&D, com centenas de patentes e 46 bioativos já desenvolvidos. A ambição é consolidar a Natura como uma empresa líder não apenas em seus produtos, mas também em seu ecossistema de inovação e impacto social.