Sam Altman diz que o bastão de urânio posicionado em sua mesa de escritório não é motivo de preocupação. Na sede da OpenAI, em San Francisco, o objeto é, provavelmente, o item mais surpreendente de sua coleção de inovações históricas. “Ele está inativo, não vai te machucar”, explica o executivo.
“Você faz uma grande descoberta na física e… desbloqueia basicamente energia ilimitada”, diz ele sobre a haste de urânio. “Nós não sabíamos disso, então a possibilidade era apenas uma teoria. Duas décadas depois, criaram uma bomba atômica, uma coisa louca e rápida.”
Altman, vestindo tênis Adidas Lego Ultraboost e um suéter cinza simples, percorre metódica e cronologicamente seus artefatos, a maioria dos quais normalmente fica em seu escritório em casa, podendo ser vistos apenas por amigos próximos.
Em exibição hoje, o executivo mostra um machado de mão de 40.000 anos (“uma ferramenta incrível da Idade da Pedra”), uma espada de bronze de 3.500 anos (“um exemplo interessante de tecnologia de grande impacto geopolítico”) e uma lâmina de ventilador de compressor de um motor a jato Concorde (“a única peça pequena o suficiente” para carregar). Contrário ao protocolo de curadores de museus, Altman transportou todos esses itens para seu escritório em uma bolsa, envoltos individualmente em toalhas de banho.
“Fico constantemente impressionado com o quanto cada geração constrói uma nova camada de alicerces”, diz ele sobre o progresso tecnológico. “Estamos realmente vendo isso agora.”
Tão memorável quanto a haste de urânio é um um antigo chip de GPU, também parte da coleção de Altman. Ele treinou uma versão inicial do modelo por trás do ChatGPT, que levou a IA a se tornar mainstream em novembro de 2022, desencadeando uma reação em cadeia de inovação que pode vir a ser tão transformadora quanto a Revolução Industrial.
Os Estados Unidos possuem um histórico de inovadores que não são conhecidos por inventar, mas por testar os limites da vida cotidiana por pura força de vontade e inteligência. Pense em Steve Jobs, Bill Gates e Elon Musk. Thomas Edison não inventou a lâmpada, ele a aperfeiçoou com um filamento de maior duração e depois a levou ao mercado.
“Fico constantemente impressionado com o quanto cada geração constrói uma nova camada de alicerces”
Hoje aos 40 anos, Altman nasce do mesmo molde. Ele é um investidor e um acelerador, mais do que um engenheiro ou cientista. Sua visão não é sobre aperfeiçoar produtos de consumo, é sobre construir os sistemas subjacentes dos quais o resto da economia poderá em breve depender.
O ChatGPT agora tem mais de 800 milhões de usuários semanais. A OpenAI, com mais de US$ 13 bilhões em receita no ano passado, foi avaliada recentemente em US$ 500 bilhões (Altman não tem participação direta no capital da empresa, mas outros investimentos o tornam dono de uma fortuna estimada em US$ 3 bilhões).
Atualmente, a empresa está em negociações para captar mais US$ 100 bilhões em uma mega rodada de investimento que poderia avaliá-la em US$ 750 bilhões ou mais. Inspiradas pela OpenAI, as grandes empresas de tecnologia podem injetar estimados US$ 500 bilhões em data centers e chips de IA este ano. Neste momento, ela é talvez a empresa mais importante do mundo.
O CEO da Disney, Bob Iger, diz que Altman consegue “enxergar depois da curva” para ver o futuro. O cofundador do AirBnb, Brian Chesky, o chama de “uma das duas pessoas mais ambiciosas que conheço” (a outra sendo Musk). A lenda do design da Apple, Jony Ive, diz que Altman “está confortável com o desconhecido, mas não é casual em relação à responsabilidade”. O renomado investidor de risco, Paul Graham (ex-mentor de Altman na incubadora de startups Y Combinator) afirma: “Ele é bom em convencer as pessoas das coisas. Ele é bom em fazer as pessoas fazerem o que ele quer.”

Embora fale suavemente e de forma discreta, Altman é uma espécie de “marqueteiro” da IA. Suas previsões agressivas sobre o crescimento exponencial da tecnologia precisam se concretizar para justificar não apenas a avaliação da OpenAI, mas as vastas apostas econômicas e sociais que se formam ao seu redor. E não está claro se ele sabe exatamente como chegar lá: ele conseguirá entregar um futuro tão grande, rápido e caro quanto o que descreve?.
“Acho que sou excepcionalmente bom em projetar múltiplas coisas – seja em anos ou décadas no futuro – e entender como elas vão interagir umas com as outras.” Algumas pessoas são boas em prever o que vem a seguir. Outras veem como mundos diferentes estão prestes a se sobrepor. “Mas a combinação de ambos é meio que a minha especialidade”, acrescenta o executivo.
A Forbes acompanha Altman, que ocupa o sexto lugar em nossa próxima lista dos maiores inovadores americanos vivos, há mais de uma década. Em 2015, ele foi destaque na lista inaugural Forbes 30 Under 30 de Venture Capital, como o líder de 29 anos da Y Combinator. “É legal que você possa fazer uma lista dos problemas do mundo e depois financiar empresas para resolvê-los”, disse na época.
Visto apenas pela lente de investimentos, Altman é um líder de negócio ambicioso, arquitetando meticulosamente sua visão do futuro. À medida que a era móvel se consolidava na década de 2010, Altman previu o sucesso de uma série de empresas – investindo US$ 15.000 por 2% da empresa de pagamentos Stripe, antes mesmo de ela ter um nome, e liderando uma rodada de financiamento de US$ 50 milhões no Reddit em 2014, por exemplo – que se tornaram pilares da economia de aplicativos.
“Acho que sou excepcionalmente bom em projetar múltiplas coisas – seja em anos ou décadas no futuro – e entender como elas vão interagir umas com as outras.”
Com a IA, ele está fazendo isso de novo. Há a OpenAI, é claro, mas também há a Helion, que tenta aproveitar o poder quase ilimitado da fusão nuclear (tipo de energia que o sol utiliza), e a Oklo, que desenvolve reatores de fissão nuclear mais convencionais, porém menores e mais modulares. Ambas poderiam atender às necessidades de energia da IA. Há também a World (anteriormente Worldcoin), que desenvolve tecnologia para fornecer “prova de humanidade” em um mundo de deepfakes de IA. Existe ainda a Merge Labs, que trabalha em computação neural. E por meio de uma organização sem fins lucrativos chamada OpenResearch, Altman apoiou um dos maiores experimentos da América sobre renda básica universal — um esforço que forneceria a todos os cidadãos um salário pequeno, garantido e sem condições, como um possível remédio para a crise econômica que a IA pode causar.
Hoje em dia, Altman tem uma nova lente através da qual vê as promessas e perigos da IA: a paternidade. Ele e seu marido têm um bebê e esperam o segundo filho para o final deste ano. “As pessoas dizem: ‘Ah, fico feliz que você tenha um filho, porque agora você não fará nada para destruir o mundo’”, diz Altman. “Eu já estava bem decidido a não fazer isso antes. Não precisei do filho para isso.”
A trajetória de Sam Altman
A história de Altman é bem conhecida: criado em St. Louis, distante do Vale do Silício, ele era um nerd fascinado por ciência, energia e inteligência artificial. “Fui obcecado pelas mesmas ideias a minha vida toda”, diz ele. Elas não mudaram “desde que eu tinha uns 18 anos”.
Altman chegou a Stanford em 2003 com a intenção de estudar IA em uma época em que o zeitgeist (espírito do tempo) era mais voltado para a Web 2.0. Durante seu segundo ano na faculdade, ele venceu uma competição de planos de negócios para o que viria a ser sua primeira startup, a Loopt, um aplicativo de celular para compartilhar sua localização com amigos. Foi quando ele ouviu falar pela primeira vez da Y Combinator (YC). Ele pegou um voo para Boston para ser entrevistado pelo fundador Paul Graham. “Lembro-me de pensar: deve ser assim que Bill Gates era”, relembra Graham sobre o encontro.
Graham ficou tão impressionado que, quando se afastou em 2014, escolheu Altman – na época com apenas 28 anos – para comandar o lugar. “Sam consegue o que quer”, diz Graham. “Então, se a única maneira de Sam ter sucesso na vida fosse através do sucesso da YC, então a YC teria sucesso.”
“As pessoas dizem: ‘Ah, fico feliz que você tenha um filho, porque agora você não fará nada para destruir o mundo’”
Altman explorou diversas áreas na YC, mas se conectou particularmente a um projeto paralelo: uma organização de pesquisa em IA chamada OpenAI. Fundada em 2015 como uma organização sem fins lucrativos, a OpenAI buscava criar a AGI (Artificial General Intelligence), – basicamente uma IA que consegue “pensar” como os humanos. Altman recrutou pessoalmente Greg Brockman (então CTO da Stripe) e o famoso pesquisador de IA Ilya Sutskever (conhecido por seu trabalho pioneiro em redes neurais) para se juntarem como cofundadores – e ajudou a convencer Elon Musk a apoiar o projeto com US$ 38 milhões.
O foco de Altman na OpenAI se tornou quase monomaníaco, transformando a Y Combinator em um hobby passageiro, diferente do que Graham pretendia que fosse. Em 2019, Graham e a cofundadora da YC, Jessica Livingston, ficaram atônitos ao ler um comunicado de imprensa anunciando Altman como CEO de um novo braço com fins lucrativos da OpenAI. Livingston pediu que ele se comprometesse novamente com a YC ou renunciasse.
Há “algumas críticas merecidas aí”, diz Altman atualmente. “Quando ficou claro para mim que a OpenAI ia funcionar e eu estava dirigindo as duas coisas, eu pensei: ‘Posso fingir que ainda me importo com a YC, mas a OpenAI é o meu propósito e eu preciso cumprir”
Esta não seria a primeira vez que as prioridades de Altman entrariam em conflito com seus colegas. Semanas antes do Dia de Ação de Graças de 2023, ele foi demitido pelo conselho sem fins lucrativos da OpenAI por não ser “consistentemente franco”. Liderando o golpe estava o cofundador Sutskever, que disse ao conselho que “Sam exibe um padrão consistente de mentiras” e o acusou de “criar caos, iniciar muitos projetos novos e colocar as pessoas umas contra as outras” em busca de seus objetivos. Altman seria reintegrado apenas cinco dias depois, após o que foi indiscutivelmente o drama corporativo mais surreal da história do Vale do Silício – uma saga que viu funcionários da OpenAI se revoltarem e ameaçarem sair em massa se Altman não fosse readmitido, além da intervenção súbita da Microsoft para contratá-lo e rumores sobre um novo modelo de IA tão poderoso que assustava.
Tudo isso ocorreu em meio a um turbilhão de alegações de duplicidade e imprudência. Uma investigação do conselho concluiria mais tarde que Altman era de fato o líder certo para a OpenAI, mas o incidente deixou uma marca em sua reputação.
Não ajudou o fato de que, três anos antes, uma disputa interna de poder fez com que uma facção de funcionários de alto escalão da OpenAI, incluindo os irmãos Dario e Daniela Amodei, se separassem da empresa para fundar a Anthropic, uma rival focada na segurança da IA. Avaliada em cerca de US$ 350 bilhões, com cerca de US$ 4,5 bilhões em receita em 2025, a empresa se tornou uma das maiores rivais da OpenAI.
Ainda mais explosiva do que a debandada da Anthropic foi a decisão da OpenAI de reestruturar a organização para adicionar um braço com fins lucrativos. A mudança permitiu que a OpenAI funcionasse mais como uma empresa típica e recebesse financiamento de investidores, incluindo um investimento fundamental de US$ 13 bilhões da Microsoft a partir de 2019.
Musk opôs-se veementemente e saiu em protesto, não recebendo participação acionária na entidade com fins lucrativos. Em um processo judicial, Musk afirma que saiu porque a OpenAI abandonou sua missão original de criar IA para beneficiar a humanidade em favor da maximização de lucros. A OpenAI sustenta que ele saiu, na verdade, porque a empresa não lhe deu o controle da parte lucrativa. Musk rapidamente deu a volta por cima e lançou a concorrente xAI em 2023, que hoje vale US$ 250 bilhões. Espera-se que o caso vá a julgamento neste outono. “Não é como eu escolheria gastar meus dias, mas me sinto bem com a nossa posição”, diz Altman.
“Eu gostaria que eles (time do Elon Musk) fizessem as coisas de forma diferente. É loucura para mim quanto tempo ele gasta nos atacando”
Embora Altman sentisse que a criação de uma ala lucrativa era necessária para a OpenAI prosperar, não há dúvida de que isso também o beneficiou. Reforçou sua influência e seu poder, mas não sua riqueza. Altman não tinha participação direta na OpenAI quando ela foi fundada e ainda não tem, embora pudesse ter adquirido uma na reestruturação. Por quê? “Não sei. Não tenho uma resposta excelente”, diz ele. “Provavelmente eu deveria [ter uma participação], apenas para nunca mais ter que responder a essa pergunta.” Ele acrescenta que sua falta de ações “é essa coisa superconfusa que produz teorias da conspiração insanas”.
A reestruturação transformou o antigo herói de Altman, Musk, em um grande inimigo, que prontamente usou a xAI para construir um concorrente do ChatGPT, chamado Grok. “Eu gostaria que eles fizessem as coisas de forma diferente. É loucura para mim quanto tempo ele gasta nos atacando”, diz Altman, queixando-se das acusações de Musk de que a OpenAI não age com segurança. “A própria casa deles está pegando fogo nessas questões.”
Desafios estratégicos na corrida tecnológica
Embora a tendência de Altman de avançar rapidamente com ideias já o tenha colocado em apuros, essa também é uma das colunas de sustentação de seu sucesso.
Em 2022, a liderança da OpenAI estava hesitante em lançar o modelo ao público, argumentando que era melhor esperar por um mais potente. Foi Altman quem os convenceu a seguir em frente naquele momento. “Sam disse: ‘Vamos apenas tentar colocar isso no mundo’”, conta Brockman, cofundador e presidente da OpenAI. Ele se lembra da equipe fazendo previsões na noite anterior ao lançamento sobre como seria a recepção. “Achei que seria um sucesso passageiro”, diz ele. “Sam sempre teve convicção.”
O momento desse lançamento não poderia ter sido melhor, e a prova está na valorização da OpenAI e as previsões para o mercado de IA. Ele é “extremamente visionário, combinando paciência e impaciência”, diz Iger, da Disney, sobre Altman.
Há mais em jogo: Altman conhece sua história. Sua ânsia de lançar produtos rapidamente é informada pelo estudo do Xerox PARC, o lendário laboratório de pesquisa do Vale do Silício conhecido por inventar a interface gráfica moderna, as impressoras a laser e o mouse, mas que falhou em comercializar qualquer um deles. “Você precisa ter um motor econômico no ciclo”, diz Altman. “Acho que provavelmente há muita inovação excelente que nunca saiu do laboratório porque alguém não se deu ao trabalho de simplesmente colocá-la nas mãos das pessoas.”
Isso é algo em que ele está trabalhando agora. A interface de texto rudimentar do ChatGPT remonta ao Eliza, um chatbot dos anos 60 que personificava mal um psicoterapeuta. Altman quer inventar um paradigma inteiramente novo: dispositivos que tornem a IA essencial para nossas vidas diárias.
Para esse fim, a OpenAI comprou a IO, a empresa de hardware de Jony Ive (o designer do iMac, iPhone e Apple Watch), por US$ 6,5 bilhões, em julho. “Sam entende que a interface do usuário não é decoração, ela define a experiência humana,” diz Ive.

Altman está encantado com o projeto, mas se recusa em descrevê-lo; a equipe trabalha em um escritório secreto no distrito de North Beach, em San Francisco. O executivo fala sobre isso de forma quase enigmática: ele vê uma família de gadgets que fornecem “consciência contextual extrema e assistência proativa”. Pode haver um “pequeno companheiro amigável” que observa você, agilizando tarefas de forma útil e melhorando sua experiência diária geral. Em certo ponto, ele descreve um dispositivo que teria escolhido a seleção perfeita de artefatos que ele exibiu anteriormente. Ele diria: “‘Eu sei o que Sam tem pensado recentemente, o que provavelmente o entusiasma’”, diz ele. “‘Eu também observei para onde os olhos dele se voltam na sala’.”
Tudo isso pode ser uma distração. Altman é conhecido por se encantar com qualquer novidade. E o desafio de conceber dispositivos que poderiam ajudar a definir a experiência humana não é isento de riscos. O Vale do Silício está repleto de fracassos que “mudariam o mundo” – o patinete Segway, a realidade aumentada da Magic Leap e, mais recentemente, o pin assistente de IA vestível da Humane (uma empresa apoiada por Altman). “Pode ser um fracasso”, admite Altman. “Não foram muitas as vezes na história em que as pessoas descobriram uma interface de computação fundamentalmente nova.”
Também pode ser prejudicial. A OpenAI tem sido criticada por lançar produtos sem testes de segurança adequados e por lançar recursos que priorizam o engajamento em detrimento do bem-estar psicológico. A empresa foi citada em vários processos por morte por negligência que alegam que o ChatGPT encorajou e facilitou diretamente a automutilação e o suicídio. Muitos argumentam que os gigantescos data centers que sustentam o ChatGPT são pesadelos ambientais que devoram energia e sugam água. A OpenAI sempre foi rápida com pedidos de desculpas e promessas de fazer melhor, mas é difícil não notar um padrão emergindo.
Empresas americanas se rendem à IA
Em dezembro, Altman e Iger surpreenderam o Vale do Silício e Hollywood quando anunciaram um acordo para permitir que a OpenAI licenciasse personagens do universo Disney – incluindo Mickey Mouse, Darth Vader e Cinderela – para serem usados no aplicativo Sora da OpenAI, que usa IA para gerar vídeos realistas a partir de comandos simples. Foi uma aliança impressionante, já que a Disney é notoriamente protetora de sua propriedade intelectual e Hollywood, em geral, vê a IA como uma ameaça existencial.
Discutido por mais de um ano, o acordo permitiu à Disney, entre outras coisas, incluir vídeos gerados pelo Sora em seu serviço de streaming Disney+. Também viu Altman convencer a gigante do entretenimento a fazer um investimento de US$ 1 bilhão na OpenAI, dando à gigante da IA a mais mágica das bênçãos de Hollywood. “Sam queria isso como um sinal de confiança e, essencialmente, para fortalecer a parceria”, diz Iger. “E para criar uma situação em que a Disney estivesse mais comprometida com o negócio.”
Isso também fala da influência de Altman, que cresceu junto com a da OpenAI. No primeiro dia completo do segundo mandato do presidente Trump, Altman apareceu na Casa Branca ao lado de Trump, do cofundador da Oracle, Larry Ellison, e do bilionário investidor de tecnologia do SoftBank, Masayoshi Son, para anunciar o Projeto Stargate, um compromisso audacioso de US$ 500 bilhões em infraestrutura de IA nos EUA. Foi um movimento extravagante, condizente com um presidente maximalista e um investidor amante do risco como Son. Mas foi Altman quem quis ir ainda mais longe. “Nós discutimos, e ele disse: ‘Quanto mais, melhor’”, conta Son à Forbes.
Altman diz que Trump tem sido fácil de lidar quando se trata de IA, embora as políticas nacionalistas da administração não se alinhem totalmente com as suas ou com as da OpenAI. “O trabalho dele é garantir que a América vença. E vejo nossa missão como voltada para toda a humanidade”, diz Altman. “Há alguma oposição aí.”
Dito isso, enquanto a OpenAI faz uma ocupação abrangente do futuro, também há algumas sinergias em suas tendências expansionistas. Além do ChatGPT, do Sora e do que quer que Jony Ive esteja realmente trabalhando, a empresa está construindo um chip de IA personalizado, um aplicativo de mídia social para competir com o X e está até considerando robôs humanoides de fábrica. Em janeiro, a OpenAI anunciou um conjunto de ferramentas de software para organizações de saúde e um modelo de negócios “freemium” apoiado por anúncios para o ChatGPT. O diretor de pesquisa da OpenAI, Mark Chen, disse à Forbes que, no próximo ano, espera desenvolver um “estagiário” pesquisador de IA que possa ajudar sua equipe a acelerar suas ideias.

“Estamos caminhando para um sistema que será capaz de inovar por conta própria”, diz Altman. “Não acho que a maior parte do mundo entende o que isso vai significar.”
Críticos olham para tudo isso e dizem que Altman está apenas tentando tornar a OpenAI “grande demais para quebrar”, um argumento que aliados descartam. “Não acho que exista algum plano secreto”, diz o presidente do conselho da OpenAI, Bret Taylor. “As pessoas estão apenas muito entusiasmadas com o impacto da IA na humanidade.”
Graham acha que é apenas a natureza de Altman. “Se ele vê uma oportunidade que não está sendo explorada, é muito difícil para ele não aproveitá-la”, diz ele, observando que seu ex-pupilo tem uma fraqueza particular por coisas que estão subvalorizadas. “Aposto que ele acha difícil resistir a comprar imóveis comerciais em San Francisco.”
Altman tem participações em mais de 400 empresas, o que poderia sugerir uma certa falta de foco. Vários funcionários da OpenAI disseram à Forbes que temem que a empresa esteja tentando fazer demais, rápido demais. Eles se preocupam com a capacidade da empresa de se manter à frente na corrida dos modelos, particularmente após o GPT-5, que foi amplamente visto como decepcionante. E ficaram abalados quando a Apple escolheu os modelos de IA do Google para alimentar a próxima geração da Siri — um acordo que a OpenAI “perdeu para si mesma”, já que já estava alimentando a oferta de Apple Intelligence da fabricante do iPhone. “É, isso não foi legal”, diz um engenheiro. “Muitos de nós achamos que era um negócio fechado.”
Altman, por sua vez, diz estar “110%” focado na OpenAI e em sua missão principal de AGI, que é convenientemente difícil de definir e pode estar a três, 30 ou infinitos anos de distância. Em certo ponto, ele simplesmente declara vitória: “Basicamente, já construímos a AGI, ou algo muito próximo disso.”
Informado dessa afirmação, o CEO da Microsoft, Satya Nadella, traz um choque de realidade. “Não acho que estejamos nem perto disso [AGI]”, diz ele com uma risada. “Temos um bom processo em vigor. Não se trata de Sam ou eu declararmos isso.” Mesmo sendo um dos parceiros mais importantes da OpenAI, Nadella reconhece o “atrito” natural conforme as empresas competem em IA. “Haverá zonas cinzentas”, diz ele. “Então esse termo ‘frenemies’ (amigos-inimigos), eu acho, é uma ótima maneira de caracterizar [o relacionamento].”
Alguns dias depois, Altman recua um pouco. “Eu quis dizer isso como uma declaração espiritual, não literal”, diz ele. Alcançar a AGI, ele admite, exigirá “muitos avanços de médio porte. Não acho que precisemos de um grande avanço.”
Altman está ciente de que suas motivações podem ser desconcertantes para alguns. É “difícil saber o que está acontecendo dentro da cabeça dele”, diz Graham, seu mentor de longa data — alguém que você imaginaria ter pelo menos uma ideia geral. A insistência do CEO da OpenAI em escalar agressivamente costuma atrair críticas. Tome como exemplo o seu compromisso de gastar US$ 1,4 trilhão, principalmente em chips de IA e data centers, nos próximos oito anos. Na cabeça dele, é “óbvio” que será necessária essa quantidade de dinheiro e poder computacional para acompanhar o crescimento exponencial do uso de IA.
Altman tem um plano de sucessão bastante simples para a OpenAI: passar a empresa para um modelo de IA. Se o objetivo é que a inteligência artificial se torne tão avançada que possa administrar empresas, então por que não a dele próprio? “Eu nunca ficaria no caminho disso”, diz ele. “Eu deveria ser o mais disposto a fazer isso.”
E depois? Ele diz que não tem ambições profissionais além da OpenAI, com uma ressalva: em um mundo pós-AGI, ele pode encontrar paixão em um novo tipo de trabalho que ainda não foi criado. “As coisas que eu realmente queria realizar, eu realizei na maior parte”, diz ele. “Sinto que, a esta altura, estou jogando pelos pontos de bônus.”
*Matéria originalmente publicada em Forbes.com