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Contra DeepFakes e Golpes de IA, Meta vai à Justiça Brasileira

Empresa promete ir além da remoção de anúncios e acionar judicialmente operadores de golpes

4 min

A Meta anunciou na quinta-feira, 26, a adoção de medidas legais para combater golpes veiculados em anúncios em suas plataformas no Brasil, China e Vietnã. Segundo a empresa, o objetivo é não só remover os conteúdos fraudulentos, mas também responsabilizar judicialmente os envolvidos.

No Brasil, a iniciativa tem como foco o uso de deepfakes e de técnicas de cloaking — prática que exibe uma versão do conteúdo para sistemas de verificação e outra, diferente, para o usuário final. As investigações miram duas frentes principais: de um lado, redes que manipulam vídeos e imagens de figuras públicas — a reportagem apurou que os réus utilizavam imagens falsas de Maira Cardi, Lair Ribeiro, Maiara, Luiz Bacci e Drauzio Varella; de outro, estruturas que vendem supostos cursos para criação de vendedores virtuais automatizados.

A empresa também afirmou estar investindo em ferramentas de IA capazes de detectar anúncios suspeitos e atuar na remoção rápida deles. Entre as medidas técnicas de fiscalização previstas estão a suspensão de métodos de pagamento, desativação de contas e bloqueio de domínios dos sites usados nos golpes.

Em ações anteriores, a Meta já havia recorrido à Justiça no Reino Unido e colaborado com autoridades na Nigéria para desarticular redes especializadas em golpes digitais, resultando em sete prisões.

Em novembro do ano passado, a Reuters informou que cerca de 10% da receita projetada da empresa em 2024 poderia estar associada a anúncios de golpes ou produtos proibidos. A publicação também revelou que a bigtech exibia cerca de 15 bilhões de anúncios golpistas de alto risco todos os dias em suas plataformas.

Pressão de Todos os Lados

A Meta vem sendo pressionada regulatória e judicialmente em diferentes frentes, em um movimento global de tentativa de responsabilização das plataformas digitais. Nos Estados Unidos, a empresa enfrenta uma ação judicial por supostamente facilitar a exploração sexual de crianças e adolescentes e promover conteúdos ilegais para lucrar com isso — acusações negadas por parte da empresa.

No Brasil, a CPI do Crime Organizado do Senado questionou a big tech sobre ganhos econômicos com atividades ilícitas e sobre os limites da criptografia de ponta a ponta, apontada como dificultadora da atuação das autoridades no combate à fraudes. Em resposta, a diretora da Meta, Yana Alves, afirmou que a empresa desarticulou quase 12 milhões de contas associadas a golpes no Facebook, Instagram e WhatsApp, além de remover 134 milhões de anúncios fraudulentos no último ano.

“Quando nós dizemos que temos essa prioridade de combater golpes e crimes online, esse esforço tem que ser transnacional. Nós estamos lidando com organizações criminosas extremamente sofisticadas, extremamente capitalizadas, muitas vezes localizadas em outros territórios”, afirmou a executiva durante a audiência.

Fraude em Aplicativos Android

Os esforços de gigantes da tecnologia para combater sites e anúncios falsos tem se intensificado após o advento da IA, que escalou publicações fraudulentas ao redor do mundo. Nesta quinta-feira, 26, o Google removeu 115 aplicativos Android ligados a esquemas de fraude publicitária. A verificação foi feita pela Integral ad Science (IAS) e desmantelou a operação Genisys, projetada para extrair receitas de anúncios de sites falsos gerados por IA.

As organizações criminosas atuavam por meio de aplicativos comuns como leitores de QR Codes, leitores de PDF e detectores de wi-fi, redirecionando usuários para quase 500 domínios criados por IA, que simulavam engajamento humano e inflavam métricas publicitárias. A apuração identificou milhões de solicitações de compra de mídia associadas a esses domínios.

O Que Esperar?

A intensa cobrança por responsabilização das redes sociais deve levar a uma ampliação de medidas civis e criminais contra organizações criminosas, além de maior cooperação transacional em países alvos das fraudes. Exigências de verificação prévia de anunciantes e regulamentação das redes sociais também devem ganhar força em países da Europa e no Brasil, que já vêm se posicionando a respeito do tema nos últimos anos.

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