O Google acaba de lançar um novo recurso para o macOS que permite aos usuários conversar instantaneamente com o aplicativo do Gemini em qualquer janela do sistema com um único toque de tecla.
Com essa novidade, a gigante das buscas lança um concorrente direto para o Apple Intelligence e o ChatGPT no ecossistema Mac.
Uma atualização de peso para o app do Gemini no Mac
Por padrão, ao manter a tecla Fn pressionada, o sistema aciona a nova ferramenta de Ditado Inteligente. Ela transcreve automaticamente tudo o que você fala, eliminando hesitações e vícios de linguagem (como os clássicos “hã” e “hum”), e insere o texto final diretamente no seu documento.
Além disso, é possível ativar a função batizada pela empresa de “Raciocínio com Reconhecimento de Tela” (Screen-aware reasoning), que permite ao Gemini entender e interpretar tudo o que está sendo exibido no seu monitor.
O usuário pode dar instruções longas e complexas, fazendo referência a arquivos locais do computador, enquanto o Gemini sintetiza uma resposta e a insere diretamente em um documento ou e-mail. Por exemplo, se o usuário apontar para o Gemini uma pasta no desktop que contém as restrições alimentares da equipe, cardápios de restaurantes e a política de reembolsos da empresa, a IA pode redigir um e-mail destacando as melhores opções.
Contexto de múltiplos arquivos e ditado sem “copia e cola”
O comando de voz mostrado na demonstração inclui trechos como:
“Ei, Gemini, estou organizando o nosso jantar de equipe para a próxima quinta-feira, às 18h. Pode checar os arquivos para garantir que as opções estejam dentro da nossa política de orçamento?”
e logo em seguida:
“Ah, me enganei, tem que ser na sexta-feira às 18h30. Aproveita e pesquisa no Google Maps dois lugares legais de boba tea por perto”
Sem abrir uma única pasta ou aplicativo, o Gemini analisou cinco documentos locais, descartou automaticamente um restaurante fora do orçamento e ajustou o cronograma com base na correção do usuário.
Com o Raciocínio com Reconhecimento de Tela ativado, basta selecionar um trecho de texto em qualquer aplicativo e pedir para o Gemini agir — como solicitar para “transformar estas anotações em um resumo executivo” –, e o assistente inserirá o texto resumido direto no documento.
Essas ferramentas espelham algumas das funcionalidades já demonstradas nos futuros Googlebooks da empresa, que utilizam a ferramenta Magic Pointer para oferecer recursos de IA integrados diretamente ao ambiente de trabalho. Com este update, parte dessas capacidades passa a rodar nativamente no Mac.
Gemini no Mac vs. Private Cloud Compute
Ao vincular o acionamento do Gemini à tecla Fn, a nova ferramenta passa a operar em todo o sistema, dando a sensação de fazer parte do próprio macOS, em vez de ser apenas um programa rodando em segundo plano.
Além disso, o grande trunfo do assistente é a capacidade de ler arquivos direto do Finder do macOS e gerar texto nas janelas abertas, dispensando o trabalho de “copiar e colar”. O ChatGPT Desktop, por exemplo, só consegue exibir resultados em uma janela flutuante — exigindo que você cole o conteúdo manualmente –, e nem ele nem o Apple Intelligence conseguem, atualmente, fazer esse tipo de síntese de múltiplos arquivos direto de uma pasta pelo chat.
O ponto fraco, porém, é que o app do Gemini oferece um serviço estritamente baseado na nuvem, acessado por meio de uma conta pessoal do Google. Isso significa que ele não entrega o mesmo nível de privacidade intrínseco aos modelos que rodam no próprio dispositivo da Apple ou ao serviço Private Cloud Compute, que garante sigilo de dados até mesmo em relação à própria Apple.
Em contrapartida, os usuários do Gemini precisam estar confortáveis em compartilhar dados com o Google, estando sujeitos à Política de Privacidade dos Aplicativos Gemini, que prevê retenção de dados e análise humana por padrão.
O Ditado Inteligente e o Raciocínio com Reconhecimento de Tela chegam como uma atualização para o aplicativo do Gemini no Mac, liberados mundialmente a partir de 29 de julho em inglês. O suporte a outros idiomas deve chegar ao longo de 2026.
*Reportagem publicada originalmente em Forbes.com