Nascido na era pré-Lei Seca, o Corpse Reviver No. 2 faz parte de uma curiosa família de coquetéis históricos criados com um propósito claro: curar a ressaca e “ressuscitar” os boêmios na manhã seguinte.
A categoria dos drinques pick-me-up surgiu em meados do século 19. O original, o Corpse Reviver No. 1, era uma potente mistura de conhaque, calvados e vermute doce. No entanto, foi a sua evolução cítrica – a versão número 2 – que ganhou o mundo.
Sua consagração definitiva veio nas páginas do lendário The Savoy Cocktail Book, publicado em 1930 pelo barman Harry Craddock. A obra eternizou a mistura com um aviso irônico do autor: “Quatro destes tomados em rápida sucessão farão o cadáver desmaiar novamente”.
Esquecido por décadas, o clássico foi resgatado nos anos 2000 pela alta coquetelaria artesanal. Apesar do passado como “remédio matinal”, a bebida entrega pura sofisticação. O perfil é cítrico, perfumado, levemente adocicado e com uma percepção alcoólica bem presente, explica o mixologista Diego Kruz, head bartender do Chika, bar secreto estilo speakeasy em Belo Horizonte. “É elegante como todo clássico deve ser, e cabe em qualquer ocasião que você esteja bem vestido”, brinca ele.
A receita do Corpse Reviver
Para Kruz, a mágica do Corpse Reviver No. 2 está no equilíbrio perfeito de partes iguais (1:1:1:1) e, acima de tudo, na qualidade dos insumos.
A receita original pede o Kina Lillet, um vermute amargo que deixou de ser fabricado na década de 1980. O truque do bartender para recriar o sabor autêntico é usar o Lillet Blanc adicionado de um concentrado de quinino (extrato de tônica). Tudo arrematado por um toque de absinto (de boa qualidade, ressalta Kruz!), para borrifar – explicamos mais detalhes abaixo.
Aprenda a seguir a receita clássica, por Diego Kruz:
Ingredientes
- 22,5 ml de Gin
- 22,5 ml de Licor de laranja (como Cointreau)
- 22,5 ml de Lillet Blanc
- 22,5 ml de Suco de limão siciliano
- Absinto (para borrifar)
- Casca de limão siciliano (para guarnição)
Modo de preparo
- Em uma coqueteleira, adicione o gin, o licor de laranja, o Lillet Blanc e o suco de limão siciliano.
- Complete com gelo e bata vigorosamente para resfriar e diluir a mistura na medida certa.
- Coe o líquido diretamente para uma taça (sem gelo). Servir em uma taça previamente gelada faz toda a diferença.
- Borrife o absinto sobre o coquetel.
- Finalize com a casca de limão siciliano na borda. Experimente fazer cortes diferentes na casca para liberar bem os óleos essenciais e trazer ainda mais frescor à taça.
O ritual do absinto
Embora usado em quantidades mínimas, o absinto é a assinatura aromática do drinque. Para elevar a experiência em casa, a dica de Diego Kruz é colocar a bebida em um frasco de perfume antigo e dar duas borrifadas na taça antes (ou logo após) adicionar o líquido.
Se quiser ousar, borrife o absinto através da chama de um isqueiro para criar um aroma levemente caramelizado. Outra técnica infalível do balcão do Bar Chika: borrife o absinto na taça vazia, encha com água, descarte tudo e leve ao freezer para resfriar. O copo sairá trincando e sutilmente perfumado para receber o coquetel.