Sete a cada dez líderes esperam ser cobrados para fazer suas equipes usarem Inteligência Artificial (IA) no dia a dia, segundo pesquisa do iFood em parceria com o Instituto QualiBest.
Os números do levantamento ainda indicam quem há uma diferença de nove pontos percentuais na percepção de preparo para uso de Inteligência Artificial entre os funcionários e as empresas.
Os números do levantamento apontam que 69% dos entrevistados se dizem preparados para usar ferramentas de IA na rotina (33% totalmente preparado e 36% preparado), ante 60% que avaliam que suas respectivas empresas estão preparadas (27% totalmente preparada e 33% preparada).
“Um outro dado ajuda a explicar isso: 28% dizem que a empresa incentiva o uso, mas que eles usam versões gratuitas ou pagam por uma ferramenta de IA porque a empresa não oferece. Outros 57% dizem que a empresa incentiva e oferece ferramentas. Entre quem considera a empresa preparada, 74% afirmam que ela incentiva e oferece; entre quem a considera despreparada, o índice cai para 42%. Poucos dizem que a empresa restringe ou proíbe o uso”, explica Fábia Silveira, Gerente de Atendimento e Planejamento do Instituto QualiBest, em coletiva a jornalistas.
A pesquisa é quantitativa e foi realizada por meio de autopreenchimento em um painel online do Instituto QualiBest. Foram entrevistados 1.406 profissionais de todas as regiões do país entre os dias 13 e 17 de julho de 2026.
A amostra incluiu desde analistas até diretores e profissionais C-level com vínculos formais de trabalho (CLT, PJ ou contrato formal), todos atuando em empresas com mais de 100 funcionários. A margem de erro do levantamento é de 2,6 pontos percentuais, considerando um nível de confiança de 95%.
Percepção da IA entre níveis hierárquicos
A pesquisa do iFood e QualiBest aponta que há uma diferença de quase 20 pontos percentuais na percepção do uso de IA entre a gestão e a base de analistas.
Embora 75% dos entrevistados relatem perceber uma contribuição positiva no trabalho e nos resultados da empresa com o uso de IA, esse percentual é mais alto entre diretores, de 85%, ao passo que entre analistas fica em 67%.
“É de novo a distância entre o topo e a base. Quando perguntamos se a IA está incorporada à cultura da empresa, as distâncias são enormes, com índices muito parecidos entre coordenadores e analistas”, diz Silveira.
Acerca do receio com a perda de emprego, no entanto, não há um degrau.
Foram 36% que discordam que a IA vai reduzir empregos, ante 42% que têm algum grau de concordância de que sim, ela vai reduzir.
No entanto, todos os níveis hierárquicos ficam próximos dos 42%, sem uma grande disparidade.
Cultura versus metas
O levantamento indica que há quase uma unanimidade sobre a importância da cultura nas organizações (89%), mas os valores da empresa acabam falhando na hora da pressão. Isso, dado que 41% dos líderes admitem que renunciam a pontos importantes da cultura para bater metas, e 56% se sentem pressionados a ceder.
Raphael Bozza, CHRO do iFood, avalia que esse foi um dos dados que mais lhe chamou a atenção. “Por isso, aqui o líder tem cinco comportamentos, e um deles é: não negocie a cultura. Uma ligação minha e do Diego Barreto [CEO] para todo gerente que entra na empresa é uma forma de dar as boas-vindas, mas também de dizer: aqui no iFood, essa é a nossa cultura, e eu não a negocio. É nos momentos difíceis que a cultura é medida, não quando está tudo certo. É na hora em que a meta está vermelha, ou em que você tem uma decisão com algum dilema para tomar.”
A pesquisa não faz uma relação de causa e efeito, mas evidencia uma associação entre cultura forte e uso de IA.
Entre os entrevistados, 75% dos profissionais que enxergam a cultura da empresa sendo “praticada sempre” associam diretamente o uso da IA a essa mesma cultura. A média geral de todos os respondentes é de 55%.
Estatísticas e insights da pesquisa
- 70% dos líderes afirmam que serão demandados para fazer com que suas equipes usem IA no dia a dia
- 25% dos líderes se dizem muito preparados para liderar a transformação da IA
- 71% dos profissionais apresentam alta familiaridade com o uso de ferramentas de IA
- 69% dos profissionais se sentem preparados para usar ferramentas de IA no dia a dia, enquanto 60% consideram a empresa preparada para o uso da tecnologia
- 74% apontam que a empresa incentiva o uso de IA e fornece ferramentas para uso no trabalho
- 86% veem a IA como oportunidade de novas formas de trabalhar, enquanto 42% concordam que a tecnologia reduzirá empregos
- 75% acreditam que a IA está contribuindo positivamente para o trabalho e o resultado da empresa; entre diretores, o índice é de 85%, e entre analistas, de 67%