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Vinícola Boutique Brasileira Produz Vinho No Uruguai E Planeja Conquistar O Mundo

Novo rótulo, novo CEO e ambição global: a Guaspari prepara sua entrada em mercados de prestígio fora do Brasil

5 min

A vinícola Guaspari, localizada em Espírito Santo do Pinhal, no interior de São Paulo, inicia um novo capítulo de sua história com planos de internacionalização. Reconhecida como uma das principais produtoras de vinhos finos do Brasil, a marca — símbolo do sucesso da vitivinicultura de altitude e da técnica da poda invertida — acaba de anunciar Paulo Brammer como seu novo CEO, com a missão de levar o nome Guaspari para além das fronteiras nacionais. Paralelamente, a vinícola lançou seu primeiro rótulo internacional, elaborado no Uruguai, marcando a estreia da marca fora do país.

Brammer, que assumiu o comando há poucos dias, traz uma longa experiência no setor, com passagens por importadoras e relacionamento com vinícolas estrangeiras. Embora seja sua primeira vez à frente de um projeto em uma vinícola, ele chega com o desafio claro de posicionar a Guaspari como uma marca brasileira no mundo.

“Nosso objetivo é estar em pontos selecionados ao redor do mundo. Queremos que os vinhos Guaspari estejam nas cartas de grandes restaurantes estrelados, como acontece com as grandes vinícolas internacionais”, explica o executivo.

Atualmente, 95% das vendas da Guaspari concentram-se em São Paulo, e 65% do faturamento vem das experiências enoturísticas — degustações e visitas à vinícola, que recebe cerca de 40 mil visitantes por ano. A nova estratégia, porém, não passa por aumentar o volume de produção — hoje em torno de 150 mil garrafas anuais —, mas sim por diversificar mercados e reposicionar a marca no cenário global. “Não buscamos crescer em volume, mas equilibrar o mercado interno com o externo”, resume Brammer.

O enólogo Gustavo Gonzalez continua à frente da parte técnica, mantendo a consistência dos vinhos que consolidaram o nome Guaspari.

O primeiro passo internacional: Porcellino Branco

O movimento de internacionalização começa com o Porcellino Branco, vinho elaborado no Uruguai, em parceria com um produtor local (não revelado por questões contratuais). O projeto nasceu da necessidade de ampliar o portfólio da vinícola com rótulos brancos, uma categoria em forte crescimento no mercado mundial. “Tínhamos essa necessidade porque o consumo de vinhos brancos cresceu muito nos últimos anos”, afirma Brammer.

O Porcellino Branco é elaborado com uvas Albariño (72%) e Sauvignon Blanc (28%). Após seleção, os cachos de Albariño são prensados a frio em prensa pneumática, enquanto os de Sauvignon Blanc passam por uma maceração pelicular de oito horas antes da prensagem.

A fermentação ocorre em tanques de inox, entre 15°C e 20°C, seguida de estabilização e envase. O resultado é um vinho de coloração amarelo-limão, com notas cítricas de toranja e casca de limão-siciliano, ameixa amarela e toques herbáceos sutis. Também se destacam notas salinas, típicas de terroirs próximos ao mar, e o equilíbrio entre fruta e acidez, sustentado pelo contato com borras finas.

Com o lançamento, a Guaspari passa a assinar um vinho de alma internacional, mas com a mesma precisão técnica e atenção ao terroir que definem sua identidade. O preço ao consumidor chega por R$ 158. Anualmente, a produção desse rótulo será de aproximadamente 20 mil garrafas.

O futuro: ícones e novos horizontes

Entre os rótulos nacionais, o Vista do Chá é o vinho mais próximo de se tornar o ícone global da marca. Elaborado com uva 100% Syrah, variedade que melhor se adaptou à técnica da poda invertida, o vinho passa por 28 meses de maturação em barricas de carvalho francês, o que confere estrutura e longevidade. “É o melhor lote da parte produtiva, de onde sempre colhemos as melhores uvas. Mas o projeto ainda está em formação — é algo para os próximos 15 anos”, explica Brammer.

Além dos vinhos, a Guaspari também produz azeite e café na propriedade, reforçando seu posicionamento como uma marca de terroir e experiências.

Para o futuro, Brammer vê potencial em novas castas. “A Cabernet Franc pode ser uma das próximas fronteiras, e não apenas para nós. Possivelmente no futuro temos também, na minha opinião, a Grenache — uma uva que se adapta bem a terroirs de altitude, semelhante à Serra de Gredos, na Espanha”, afirma. A ideia é continuar explorando variedades que expressem frescor e elegância, mantendo a sofisticação que caracteriza o portfólio da vinícola.

O processo de internacionalização da Guaspari é acompanhado por um investimento em hospitalidade. Está em andamento o projeto de um hotel com 120 quartos na propriedade, cuja conclusão total é prevista para a vindima de 2027. O espaço reforçará a proposta da vinícola como um destino completo de enoturismo e experiência sensorial, consolidando Espírito Santo do Pinhal como um dos polos do vinho brasileiro de alta gama.

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