Projeções para pecuária em 2022: o que esperar?

Saiba o que os pesquisadores do Centro de Inteligência da Carne Bovina, da Embrapa, traçam como cenários para o próximo ano.

Redação
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Pecuária bovina brasileira é uma das maiores do mundo na produção e exportação

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O que esperar da pecuária para o ano de 2022? Na Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropeciária) os analistas do CiCarne (Centro de Inteligência da Carne Bovina), um departamento de análise de mercado da unidade Gado de Corte, em Campo Grande (MS), traçaram cenários para esse setor do agro brasileiro.

Com um rebanho de 200 milhões de animais e exportações da ordem de US$ 8,5 bilhões, até o mês passado, a pecuária bovina brasileira segue batendo recorde. Os desafios para manter o crescimento são muitos. Guilherme Cunha Malafaia, Sérgio Raposo de Medeiros e Fernando Rodrigues Teixeira Dias, pesquisadores do Cicarne, levantam informações como custos e margens, consumo, ciclo pecuário e o cenário macroeconômico futuro para o setor. Para encerrar as previsões para o próximo período, fazem um balanço de 2021. Confira:

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MACROECONOMIA EM 2022
As exportações de carne bovina brasileira devem crescer, com a Ásia continuando a ser o principal mercado, embora as exportações de carne bovina ainda tenham sofrido com a suspensão das importações pela China em razão dos casos atípicos de vaca louca, até semana passada.
As exportações de carne bovina dos EUA, ganhando acesso à China, proporcionarão competição adicional à carne bovina brasileira.

A estimativa é que a produção de suínos volte a cair em muitos mercados asiáticos, incluindo a China, em 2022, pelos preços descendentes e alto custo com insumos, desestimulando assim a produção. Tal evento criará oportunidades para as exportações brasileiras.

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Apetite do consumidor chinês deve manter o país como principal comprador da carne brasileira

A China deve se manter como o principal parceiro comercial da cadeia produtiva da carne bovina brasileira. Para o câmbio, as expectativas em função das incertezas globais causadas pela Covid-19 são de preços firmes, com o mercado projetando o dólar em R$ 5,50 ao fim de 2022 e alta volatilidade.

O avanço da vacinação e a retomada das economias globais, apesar da inflação mundial projetada, mantêm uma perspectiva positiva para 2022. Entretanto, a inflação e o desemprego deverão pressionar o consumo de carne bovina no Brasil, que representa 75% do total da produção total.

CONSUMO DA PROTEÍNA VERMELHA
A pandemia da Covid-19 provocou mudanças na mesa dos brasileiros, que reduziram o consumo de carne bovina para o menor nível em 25 anos. Entretanto, esse consumo se fortalecerá num futuro próximo.

A previsão é de um crescimento constante, à medida que a renda e as preferências alimentares se expandam. A tendência de premiumisation (percepção de mais saúde, qualidade e experiência) também será forte na carne bovina, gerando oportunidades para projetos de carne de qualidade e de marcas conceito.

OFERTA DE BEZERROS
Atualmente o setor está em um período de transição do ciclo pecuário. Entre o aumento do preço da arroba do boi gordo e o aumento da oferta de bezerros.

Embrapa
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No atual cenário, os custos de reposição de bezerros devem começar a baixar somente em 2023

Apesar das quedas consecutivas nos últimos meses, o preço do bezerro continua acima do valor médio nominal observado em 2020, o que levará à retenção de fêmeas, aumentando a produção de bezerros e, consequentemente, a disponibilidade de ofertas para os recriadores no médio prazo.

Como o atual ciclo pecuário se iniciou em 2019, os custos de reposição devem começar a baixar somente em 2023, apesar do aumento da oferta destes animais em 2022.

CUSTOS E MARGENS
O setor seguirá amargando aumentos nos preços dos insumos, dos animais de reposição e uma menor disponibilidade de animais. O produtor rural conviverá com o alto custo dos fertilizantes, o que impactará o custo de produção do milho e da soja, afetando o preço da ração para suplementação.

Em 2021, houve um aumento de mais de 100% nos custos com fertilizantes e defensivos para culturas como milho e soja. O custo com animais de reposição, em virtude da tendência de alta no ciclo pecuário, também deverá impactar o custo final da terminação.

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Custos com os insumos da dieta animal, entre eles o milho, deve apertar margens

As margens devem continuar apertadas em 2022. Faltarão vacas para abate e abastecimento do mercado interno e as indústrias buscarão bois, que estarão com a demanda aquecida no mercado externo e com a arroba valorizada.

RISCOS PARA O FUTURO
No curto prazo, as questões sanitárias apresentam riscos negativos para o comércio. Surtos de febre aftosa ou vaca louca prejudicam as perspectivas de exportação do país.

Outros casos de doença podem fazer com que a China mantenha a suspensão das importações de carne bovina do Brasil por mais tempo do que foi dessa vez. Como já aconteceu em 2021, isso provavelmente pesaria negativamente na produção em 2022, a menos que destinos de exportação alternativos possam ser encontrados. A Covid-19 continua a representar riscos para os mercados doméstico e de exportação de carne bovina em 2022.

Divulgação/Adaf
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Questões sanitárias permanecem na pauta do criador de gado

As más condições climáticas podem atingir as regiões de cultivo de grãos, o que pode reduzir a produção de ração e, em última análise, resultar em custos mais elevados para os processadores de carne.

No longo prazo, o desafio será intensificar a produção pecuária para que se garanta a capacidade de atender a demanda crescente de carne bovina sem a necessidade de avançar em áreas de florestas. O desmatamento representa riscos negativos para toda a cadeia produtiva da carne bovina.

A tendência de healthification (fixados pela saúde na tradução literal) pode ter um impacto maior na demanda por carne bovina tanto no mercado interno quanto nos principais mercados de exportação nos próximos cinco anos.

O QUE FOI 2021 PARA A PECUÁRIA
O ano de 2021 foi marcado por uma continuidade daquilo que se presenciou no ano anterior: houve falta de animais para abastecer o mercado doméstico, por sua vez, enfraquecido em virtude da crise econômica provocada pela pandemia. A principal causa da falta de animais foi o ciclo pecuário e a escassez de chuvas nos principais polos produtores do país.

O patamar elevado de preços da arroba do boi gordo manteve-se no primeiro semestre acima dos R$ 300. Os problemas para os produtores se agravaram em setembro, quando a China (que importou 50% de 1,27 milhão de toneladas exportadas pelo Brasil no período de janeiro a setembro) suspendeu as importações do Brasil depois de dois casos atípicos de EBB (encefalopatia espongiforme bovina), conhecida como a doença da vaca louca.

Isso teve um impacto negativo significativo nas exportações brasileiras de carne bovina, nos últimos meses, (menos 43% no volume e 31% na receita), com alguns produtores operando em níveis bem abaixo da capacidade. No acumulado do ano, até agora, as exportações brasileiras de carnes bovinas atingiram 1,6 milhão de toneladas, uma queda de 2,4% em relação ao acumulado no mesmo período do ano passado. Em receitas, porém, houve um crescimento no mesmo período de 16% pois o produto está mais caro no mercado global. (Com Embrapa)

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