Embora o metro quadrado com os preços mais altos na venda fique no litoral catarinense, há um amplo protagonismo de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo no mercado imobiliário. As capitais dos quatro estados aparecem no ranking de valores nacional. Aliás, Vitória tem despontado como uma das cidades com a maior valorização nos últimos tempos.
Atualmente, a cidade de São Paulo possui o segundo metro quadrado mais caro do país, em termos de preço médio de locação, a R$ 64,98, segundo dados do Índice FipeZAP, calculado pela Fipe em parceria com o Grupo OLX (Zap/VivaReal).
O município fica atrás apenas de Barueri (SP), onde fica Alphaville e, portanto, possui alguma distorção e um mercado imobiliário com teor distinto. Por lá, a média do metro quadrado fica em R$ 72,24.
Na capital paulista, o bairro de Pinheiros registra o metro quadrado com preço mais alto, a R$ 98,90 por mês, na média. Assim, a região supera o Itaim Bibi e Moema, que completam o pódio do ranking.
Álvaro Marco Coelho da Fonseca, co-CEO da Coelho da Fonseca, uma das maiores e mais tradicionais imobiliárias de alto padrão, destaca que os bairros possuem resiliência e seguem se valorizando na esteira da proximidade com o centro financeiro e comercial da cidade.
“O Itaim é um dos bairros mais valorizados por estar exatamente onde passa a Avenida Faria Lima. É o principal eixo financeiro, onde estão as maiores empresas, os bancos, é onde o dinheiro gira. Esse centro, muitos anos atrás, ficava na Avenida Paulista, mas hoje é na Faria Lima”, relata, em entrevista à Forbes.
“Já Pinheiros se tornou um bairro bacana e que continua se consolidando, também é bastante próximo da Faria Lima. A própria Rua dos Pinheiros se tornou uma rua muito moderna e jovem, tem atraído os melhores bares e restaurantes, equiparado-se à Oscar Freire”, completa.
Abaixo, veja os rankings dos bairros com o preço do metro quadrado mais alto em São Paulo e nas demais regiões do Sudeste, em termos de locação, conforme dados do Índice FipeZAP atualizados ao fim de junho.
São Paulo (SP)
Pinheiros — R$ 98,9/m²
Itaim Bibi — R$ 93,3/m²
Moema — R$ 84,6/m²
Jardins — R$ 82,7/m²
Paraíso — R$ 81,9/m²
Rio de Janeiro (RJ)
Leblon — R$ 122,5/m²
Ipanema — R$ 117,4/m²
Lagoa — R$ 87,7/m²
Botafogo — R$ 74,9/m²
Barra da Tijuca — R$ 74,8/m²
Belo Horizonte (MG)
Santo Agostinho — R$ 73,7/m²
Savassi — R$ 69,4/m²
Belvedere — R$ 67,4/m²
Lourdes — R$ 65,7/m²
Funcionários — R$ 62,1/m²
Vitória (ES)
Barro Vermelho — R$ 65,2/m²
Mata da Praia — R$ 62,4/m²
Enseada do Suá — R$ 61,1/m²
Santa Lúcia — R$ 61,0/m²
Santa Helena — R$ 56,0/m²
Onde se paga mais para comprar um imóvel em SP, RJ, MG e ES
Afora o mercado de aluguel, compras e vendas no Sudeste também apresentam valores expressivos.
Itapema (SC) e Balneário Camboriú (SC) são as localidades com o metro quadrado mais caro do Brasil, de R$ 15,3 mil e R$ 15,2 mil, respectivamente.
No entanto, Vitória (ES) aparece logo em seguida, com preços também na casa dos R$ 15,2 mil.
Na capital paulista, o preço médio do metro quadrado para compra fica em R$ 12,05 mil, sendo a terceira capital mais cara do país (atrás de Vitória e Florianópolis) e a sétima cidade mais cara (aparecem antes Barueri e Itajaí).
Olhando para os bairros mais caros de SP, da mesma forma, Itaim Bibi e Pinheiros encabeçam o ranking. Todavia, desta vez a ordem se inverte, e o bairro da Zona Sul paulistana lidera com o metro quadrado custando R$ 19,84 mil.
Ana Maria Castelo, coordenadora de Projetos da Construção no Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (IBRE/FGV), comenta que São Paulo se caracteriza por ser uma cidade “mais espraiada” em relação às demais capitais, tanto em termos de infraestrutura quanto em termos de serviços e opções de lazer.
“Ainda assim, há algum nível de concentração, e isso se reflete nos lugares mais buscados e valorizados”, diz, em entrevista à Forbes.
Ademais, frisa que as localidades já consolidadas como bairros nobres tendem a sustentar uma valorização permanente e uma percepção de valor mais alta e, consequentemente, de demanda.
Abaixo, veja os maiores preços por metro quadrado por bairro de São Paulo, Rio de Janeiro, Vitória e Belo Horizonte, segundo os dados do Índice FipeZAP.
São Paulo (SP)
Itaim Bibi — R$ 19.840/m²
Pinheiros — R$ 18.298/m²
Jardins — R$ 17.693/m²
Moema — R$ 16.281/m²
Vila Mariana — R$ 14.759/m²
Rio de Janeiro (RJ)
Leblon — R$ 27.838/m²
Ipanema — R$ 25.866/m²
Lagoa — R$ 17.394/m²
Barra da Tijuca — R$ 14.308/m²
Copacabana — R$ 13.308/m²
Belo Horizonte (MG)
Savassi — R$ 18.092/m²
Lourdes — R$ 16.712/m²
Santo Agostinho — R$ 16.426/m²
Funcionários — R$ 14.994/m²
Sion — R$ 11.984/m²
Vitória (ES)
Enseada do Suá — R$ 18.285/m²
Praia do Canto — R$ 18.209/m²
Mata da Praia — R$ 16.181/m²
Aeroporto — R$ 14.646/m²
Barro Vermelho — R$ 14.516/m²
O que explica o protagonismo do Sudeste
O Sudeste é, de longe, o motor econômico do Brasil, com grande concentração populacional.
Sozinha, a região tem um Produto Interno Bruto (PIB) estimado em R$ 5,80 trilhões, o que, segundo o Sistema de Contas Regionais do IBGE, representa 53,3% de toda a riqueza gerada no país.
As demais regiões possuem representatividade entre 5% e 16%.
Só São Paulo enquanto estado responde por R$ 3,44 trilhões, ou 31,5% do PIB nacional, seguido pelo Rio de Janeiro com R$ 1,17 trilhão (10,7%). A concentração produtiva também tem base demográfica sólida, dado que o Sudeste soma mais de 84 milhões de habitantes.