Laranja do RJ recebe 100ª Indicação Geográfica registrada do Brasil

A laranja de Tanguá é conhecida por ter uma doçura além do comum

Erich Mafra
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Divulgação/Mapa
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A laranja produzida na região de Tanguá é conhecida por sua doçura

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Nesta semana, o Brasil ganhou a sua 100ª IG (Indicação Geográfica), reconhecimento dado pelo Inpi (Instituto Nacional da Propriedade Industrial) a produtos nacionais e internacionais. O centésimo registro foi dado a uma laranja produzida na região de Tanguá, um município do estado do Rio de Janeiro que esperava o reconhecimento da entidade desde janeiro do ano passado.

Na espécie de DO (Denominação de Origem), a nova IG reconhece que aquele produto só pode ser criado em uma determinada região, com qualidades geográficas e climáticas exclusivas. No caso, a produção deste tipo de fruta somente é realizada em lavouras que estão localizadas integralmente nos municípios de Itaboraí, Tanguá, Rio Bonito e Araruama.

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Segundo José Ronaldo de Macedo, pesquisador da Embrapa Solos que prestou apoio ao processo de registro do IG da laranja de Tanguá, o reconhecimento trará valorização do produto e dos agricultores dessa região. “O aumento do turismo, a revitalização do parque citrícola da região e até o desenvolvimento de comércio diferenciado para hotéis e restaurantes que procuram produtos de qualidade e com certificação de origem são alguns dos benefícios trazidos pela IG-OD”, explica.

A laranja de Tanguá é conhecida por ter uma doçura além do comum — enquanto a maioria das laranjas costuma ter uma pontuação entre 10 e 12 brix, escala que identifica o quão doce um alimento é, a versão carioca chega a ter pontuação de até 16 brix. As frutas dessa região são da espécie Citrus sinensis e das variedades Seleta, Natal Folha Murcha e Natal Comum.

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Um dos grandes diferenciais da produção, além de todas as condições climáticas e geográficas, é que os produtores de Tanguá e região têm o hábito de colher os frutos com o pedúnculo (“cabinho”) para manter algumas folhas da laranjeira. “A colheita desta forma é uma tradição da região e serve para diferenciar as laranjas produzidas nos municípios do Rio de Janeiro”, comenta Macedo. “As laranjas comercializadas com cabinho apresentam maior tempo de prateleira.” Esse diferencial pode ser explicado pela redução da entrada de patógenos e da perda de água da fruta.

Segundo dados da prefeitura de Tanguá, a região tem cerca de 200 sítios, em sua maioria de agricultura familiar, com aproximadamente um milhão de pés de laranja plantados. O grande número de estabelecimentos envolvidos na produção e comércio da fruta motivou a criação do “Circuito da Laranja” em 2010.

O circuito é a principal atividade turística da cidade e permite que o visitante conheça um pomar de laranja, realize a colheita, deguste a fruta e também veja algumas propriedades rurais importantes na história do desenvolvimento de Tanguá. As atividades ocorrem durante o período de safra, são agendadas e devem ser realizadas por um grupo de, no mínimo, 30 pessoas — mais informações sobre o agendamento podem ser encontradas no site do circuito.

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