Casa com praia particular em Paraty é refúgio para quem quer conforto, paz e exclusividade

À frente da Paris Filmes, Sandi Adamiu usou o período da pandemia para transformar uma antiga casa de barcos da família no Loft Bom Jardim, um refúgio de paredes de vidro em uma baía particular.

Décio Galina
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Um universo paralelo em Paraty (RJ)

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É quando o motor da lancha desacelera e o silêncio da pequena baía te abraça que se tem a real noção de quão especial é esse cantinho de mar calmo, cercado por uma Mata Atlântica intensa, a 15 minutos de barco do centro de Paraty (RJ), reconhecida pela Unesco como Patrimônio Mundial Cultural e Natural, graças à exuberância de flora e fauna. Uma vez no deque de madeira da casa de vidro e pedra, não se tem pressa para entrar, pois o olhar estaciona na praia particular de 300 metros, logo à direita, e na transparência do Atlântico. Como uma borboleta gigante batendo asas em câmera lenta, uma arraia preta de manchas brancas funciona como recepcionista, e quando estou quase hipnotizado por seu balé, quem aparece e põe a cabeça para fora da água? Sim, uma tartaruga curiosa com a chegada do hóspede que não consegue entrar na casa. Ela mergulha, nada em minha direção, me espreita mais duas vezes e, quando estou quase dando a mão para cumprimentá-la, ela some no verde do mar.

Vista para o mar de uma das suítes

Mal cheguei, nem pus o pé na sala, e já fico encantado pelo Loft Bom Jardim, com 400 metros quadrados e três suítes (uma máster, e todas com vistas espetaculares), uma antiga casa de barcos do Sítio Villa Bom Jardim, outro lugar cinematográfico (em vários sentidos), de sete suítes, da empresária e decoradora “de alma caiçara” Sandra Foz, proprietária da Pousada do Sandi (casarão do século 18, Casa da Moeda no Ciclo do Ouro, um dos endereços mais famosos do Centro Histórico e o primeiro hotel de luxo da região desde a década de 1980), que tem como braço direito e administrador do local o filho Sandi Adamiu.

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O refúgio de uma das famílias mais tradicionais da região – em um dos trechos mais lindos do litoral brasileiro – passou por reforma durante a pandemia e abriu as portas para locação (é possível ficar com as duas casas, ou só com uma). “Ver o nascer do sol e vivenciar de perto a natureza em um lugar com esse me deu forças para mudar a prioridade dos meus negócios e encarar mais de um ano de obras para iniciarmos a locação”, conta Sandi. “Muitas famílias brasileiras estão valorizando como nunca a experiência de uma vida mais equilibrada em recantos únicos do país como este.”

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Deck com praia particular de 300 m à direita

A família baixou âncora no local na década de 1960. Foi Jamil, pai de Amyr Klink, quem apresentou o terreno à venda do Sítio Bom Jardim para Joviro Foz, pai de Sandra. Conheceu e comprou na hora. Na década de 1980, Sandra conheceu Alexandre Adamiu, empresário e dono da Paris Filmes. Ela apresentou Bom Jardim a Alexandre, que passou a tê-lo como segunda casa (quem tem idade de ter assistido VHS se lembra da propaganda da Pousada do Sandi no começo das fitas). Estão no quintal da casa até hoje as duas réplicas de gorilas usadas na divulgação do lançamento de King Kong no Brasil.

A decoração atual do Loft Bom Jardim mescla litogravuras de aves e plantas da Mata Atlântica, móveis contemporâneos, peças e estampas náuticas, com destaque para objetos indígenas de caça e pesca. Por onde quer que se ande pela casa, sobram enquadramentos lindos pelas amplas janelas. Para ir até a casa principal há uma trilha – mas dá para ir nadando, também. A dica para o primeiro reconhecimento das redondezas é remar de stand up paddle ou caiaque.

Casa à beira-mar oferece conforto, vista incrível e tranquilidade

Já para ir mais longe e se deslumbrar com o litoral cheio de recortes e ilhas, o jeito é embarcar na NX 250, lancha de 25 pés, com motor V8 de 300 hp. Uma das paradas obrigatórias é o Saco do Mamanguá, uma formação única no país e que se assemelha aos fiordes nórdicos: um braço de mar de 8 quilômetros e 33 praias entre duas montanhas. É escolher a sua e se esbaldar em mergulhos de snorkel, peixes coloridos e estrelas do mar de diversos tamanhos – esteja preparado para a companhia de cardumes de golfinhos fazendo graça fora d’água. A cerca de 40 minutos de barco, outro destaque de Paraty, o Pouso da Cajaíba. Ali é a base da Fazenda Marinha, projeto ambiental e social da Pousada do Sandi, que envolve apoio à comunidade e incentivos ao cultivo de vieiras. Depois de nadar ao lado das plantações, fica ainda mais saboroso provar as vieiras gratinadas servidas no Loft.

Centro histórico

Sandi, hoje, além administrar a ampliação da pousada, consolida outros endereços que formam um circuito irresistível no piso pé de moleque que tanto faz tropeçar em Paraty. Por isso, atenção ao sair de uns drinks (ótimos) no balcão de 12 lugares do ambiente avermelhado e tentador do Apothekario, inaugurado em dezembro de 2020. Dois quartos da pousada foram transformados em um bar que também chama atenção pelo corredor anexo, que funciona como uma galeria de arte, com cópias de litogravuras dos séculos 18 e 19. Na sequência, com um cardápio inspirado em tradições antigas da Sicília, o chef Pippo comanda o restaurante homônimo, destaque da gastronomia da cidade, com pratos divinos que misturam massas e frutos mar frescos. A pegada italiana segue na Gelateria Miracolo.

Projeto que faz brilhar os olhos de Sandi – e do maestro Weslem Daniel de Freitas, de 33 anos – é a formação da Orquestra Municipal de Paraty, com 60 músicos entre 13 e 17 anos. “Conseguimos R$ 100 mil para compra dos instrumentos”, celebra Weslem. Na pousada, formações com poucos músicos se revezam em pequenas apresentações de dançarinos do Educar pela Dança, outro projeto apoiado pelo empresário.

Saindo de carro do centro, no sentido das cachoeiras na serra, uma visita muito especial à Fazenda Bananal, do século 17, em um terreno de 180 hectares, com 70% de Mata Atlântica preservada. Observação de pássaros, agrofloresta, horta, queijaria, pomares, trilhas e um restaurante que valoriza cada folha local, graças a uma profunda pesquisa sobre pancs (plantas alimentícias não convencionais). Lugar para comer devagar – e muito bem. Na saída, pit stop mais do que providencial no Alambique Paratiana, com um tour pela produção, seguido de degustação, além de um museu com 5 mil tipos de cachaça do Brasil.

Programação excelente, mas com o passar do tempo você começa a ficar com vontade de voltar o quanto antes para o sossego do Loft Bom Jardim. O barco que atravessa o braço de mar funciona como um portal que te leva para um universo paralelo, suspenso por uma natureza irretocável e canto de pássaros. A casa de vidro vai crescendo conforme nos aproximamos – e quando o motor desacelera… bom, você já sabe o que acontece.

Reportagem publicada na edição 93, lançada em janeiro de 2022.

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