1. Início
  2. /
  3. Forbes Life
  4. /
  5. Instituto Brasileiro de Teatro É Inaugurado em São Paulo com Programação Diversa
Forbes Life

Instituto Brasileiro de Teatro É Inaugurado em São Paulo com Programação Diversa

Com R$ 45 milhões investidos, espaço de 12 andares no centro da cidade quer democratizar acesso à arte e ajudar na revitalização da região

4 min

Um edifício de 12 andares e 7,5 mil metros quadrados na Avenida Brigadeiro Luís Antônio, coração da capital paulista, ganha uma nova função a partir desta sexta-feira (29). O Instituto Brasileiro de Teatro (iBT) inaugurou oficialmente seu centro cultural, projetado para ser mais do que um espaço de espetáculos: um ponto de encontro que integra artes cênicas, gastronomia, convivência e formação.

A iniciativa soma R$ 45 milhões em investimentos privados — entre a compra do prédio em 2022 e as reformas posteriores — viabilizados pela mantenedora Viva do Brasil e por Leis de Incentivo à Cultura. A proposta é democratizar o acesso à arte e contribuir para a revitalização do entorno. “Esse é um processo que já está acontecendo. O iBT é mais um agente que vem somar, trazendo fluxo de pessoas para cá”, afirma Thiago Albanese, diretor executivo do instituto. Segundo ele, o objetivo do investimento é claro: “Nosso retorno, sendo um instituto privado sem fins lucrativos, é reinvestir em cultura”.

Estrutura e programação

O espaço abriga oito salas de ensaio de diferentes dimensões, já utilizadas por 90 projetos contemplados pelo Edital iBT antes mesmo da abertura. Para Albanese, esse edital é um dos pilares do centro: “A cultura, e principalmente o teatro, são muito marcados pela falta — falta de apoio, de recurso, de espaço para ensaiar. Muitas vezes ensaiei em lugares que não eram salas de ensaio e a gente transforma isso. Poder oferecer esse espaço para a classe é uma estratégia muito importante”.

Desde o ano passado, o instituto já oferecia as salas, mesmo em meio às reformas. Agora, com o centro pronto, o modelo foi aprimorado: os grupos recebem mentoria, acompanhamento curatorial e, em muitos casos, auxílio financeiro e de transporte. “Percebemos que os grupos mais periféricos tinham dificuldade de ocupar as salas por falta de recursos para se deslocar. Hoje, 30% deles também recebem bolsa, vale-transporte e vale-alimentação para poder realizar o trabalho”, explica Albanese.

No térreo, café está aberto à livre circulação do público. Os dois primeiros andares recebem performances e eventos, enquanto os demais abrigam espetáculos, oficinas e experiências imersivas. Parte da programação é gratuita ou a preços acessíveis.

A curadoria é conduzida por Aline Mohamad, Guto Ezek e Wallace Farias, com uma rede de co-curadores de diferentes linguagens artísticas. Para Mohamad, a pluralidade foi a linha-guia: “O teatro é atravessado por tudo e também atravessa todas as outras artes. Então, esse centro cultural precisava ter espaço para todos os corpos, todas as linguagens. É um espaço vertical, de doze andares, mas pensado para que todo mundo caiba aqui”.

Um dos destaques é o Palco Praça, voltado para apresentações visíveis da rua. “A ideia é ocupar a rua com aulas, teatro de rua, música e poesia. Não é um palco convencional, porque o que separa é só o vidro. Queremos que as pessoas que passam em frente se sintam convidadas a entrar”, explica a curadora.

Essa integração com o entorno é uma das marcas da programação. Projetos como “Prato do Dia” e “Nossa Leitura” foram desenhados para dialogar com quem trabalha e circula na região. “O trabalhador muitas vezes fala que não tem tempo de assistir a algo. Então vamos oferecer atividades na hora do almoço, na saída do expediente. Democratizar é ocupar a rua”, diz Mohamad.

Entre os eixos programáticos estão temporadas de peças de pequeno formato, oficinas infantis, música participativa, saraus e exibições de filmes independentes. Também haverá espaço para experimentações interdisciplinares, como o projeto “Encruzas”. Para Mohamad, a proposta é incentivar a experimentação: “Aqui tudo pode ser teatro. Se você está descendo a escada, pode encontrar uma cena no final. O artista pode vir, tentar, errar, se reinventar. Esse é o diferencial do iBT”.

Cultura como investimento

O modelo de financiamento do centro combina aportes privados, fundo patrimonial e parcerias com patrocinadores como XP Investimentos, AMBEV, Instituto Aegea, Electrolux, Grupo Fleury e Tigre Brasil. Para Albanese, essa lógica aproxima o teatro de outros territórios já consolidados para as marcas. “Hoje mostramos para os patrocinadores que o teatro é tão relevante quanto a música. As novas gerações buscam propósito e engajamento cultural nas marcas, e o teatro oferece isso”.

Além de São Paulo, o iBT já atua em Recife — onde gere quatro parques culturais, incluindo o Dona Lindú — e em Manaus, que em 2024 recebeu a Mostra de Teatro Águas de Manaus, com 21 mil espectadores. “Espalhamos palcos pela cidade inteira e o protagonismo foi de artistas locais. Essa expansão é muito importante: queremos descentralizar e democratizar o acesso à cultura em todas as regiões do país”, completa Albanese.

Assine Forbes. Inspire-se, lidere, conquiste. Ao se cadastrar, você concorda com nossa Política de Privacidade e com o uso de seus dados para fins de comunicação.