O SPFW N60 começou na segunda-feira (13), com João Pimenta, e vai até a outra segunda (20), fechando com Lino Villaventura. Esta edição tem um quê de emoção: em 2025, Paulo Borges comemora 30 anos do evento que fez avançar a moda nacional em diversos aspectos, desde o desenvolvimento de talentos criativos e do mercado de modelos, até a costura de diversas pontas da indústria, que antes não dialogavam com tanta fluidez.
51 anos de carreira para Gloria Coelho, a volta de estilistas após seis anos.
Entre números importantes, confira os destaques dos dois primeiros dias do SPFW.
Gloria Coelho
Criar uma analogia do trem com o curso da vida é algo que faz sentido: o percurso contínuo, as paradas, quem entra e sai do círculo de convívio… Gloria Coelho recorreu a essa imagem quando decidiu desfilar dentro de um vagão do metrô da linha 8. Essa reflexão tem a ver com seus 51 anos de carreira, mas ela vai além, e aproveita para pensar o futuro a partir do passado, igualando a Inteligência Artificial e a Revolução Industrial como movimentos de transformação definitivos. Como se vestiriam as moças do século XIX hoje em dia? O exercício rendeu looks românticos, com floral criado por IA, assim como os urbanos, com direito a corsets e cropped.

Patricia Viera
A mestra do couro exibiu toda a sua habilidade com o material natural em um desfile com direito a flores, pink combinado com vermelho, texturas criadas a laser, plaids e muita feminilidade em vestidos acinturados, como a estilista gosta. A inspiração? Uma viagem a Londres, cidade onde ela começou a carreira na década de 1970. O vestido que encerra o desfile tem 33 mil pequenas flores bordadas à mão – um trabalho artesanal incrível de 9 bordadeiras do Rio de Janeiro, além de uma forma poética de combater o desperdício de material, iniciativa criada pela marca em 2017.

João Pimenta
Sabe aquela vontade de emprestar a uma peça do guarda-roupa masculino? A coleção Tropicalizando, do João Pimenta, é perfeita para isso. Tanto que ele, que faz moda masculina, incluiu um look feminino fechando o desfile, que aconteceu na Biblioteca Mário de Andrade. Para Pimenta, essa é a vez dos costumes de aspecto esportivo. A monocromia é bem vinda: deixa a modelagem brilhar.

Flavia Aranha
“Floresta vive, tudo respira” dizia o convite para o desfile da estilista Flavia Aranha, conhecida pelo uso de materiais como o linho e a seda, com tingimento natural, estampas botânicas e shape relax, que privilegiam o caimento dos tecidos. Uma paleta de cores calmas, tramas de juta e aproveitamento de sobras de tecido apareceram em peças com drapeados leves, de astral effortless chic. Sua volta ao SPFW, que acontece seis anos após a estreia, aconteceu no Parque Trianon, que guarda um pedaço remanescente original de Mata Atlântica em plena avenida Paulista.

Ronaldo Fraga
De volta ao evento depois de seis anos, Ronaldo Fraga dedicou seu desfile à celebração da existência de Milton Nascimento – para o estilista, ele é “o outro nome de Minas Gerais”. A coleção vai além da entidade Milton Nascimento: fala também do Estado conhecido pelas montanhas (que viraram adorno de cabeça), com o marrom da mineração e o azul do céu. Destaque para os exercícios têxteis, bordado e crochê. A trilha sonora, você pode imaginar: o melhor de Milton.
Com Antonia Petta e Milene Chaves
Donata Meirelles é consultora de estilo e atua há 30 anos no mundo da moda e do lifestyle.
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