A pintura “El sueño (La cama)”, de Frida Kahlo, foi vendida por US$ 54,7 milhões (cerca de R$ 292,6 milhões) em leilão realizado na noite de quinta-feira (20), na Sotheby’s, em Londres. Com o resultado, Kahlo torna-se a artista com a obra mais valiosa já comercializada no mercado global.
O novo valor supera o recorde anterior da própria pintora, estabelecido em 2021, quando “Diego y Yo” (1949) foi arrematada por US$ 34,9 milhões. Até então, a marca entre artistas mulheres pertencia a “Jimson Weed/White Flower No. 1”, de Georgia O’Keeffe, vendida por US$ 44,4 milhões em 2014.
Produzida em 1940, a obra integra um período de mudanças na trajetória de Kahlo. O quadro mostra a artista deitada em uma cama de estilo colonial, coberta por uma colcha dourada com trepadeiras. Acima da estrutura, aparece um esqueleto em tamanho real com dinamite e um buquê de flores. A última exibição pública ocorreu no fim dos anos 1990.
A venda gerou discussões entre historiadores da arte, que apontam preocupações sobre o acesso público à pintura. O trabalho já recebeu solicitações de exposição em Nova York, Londres e Bruxelas. A sobrinha-neta da artista, Mara Romeo Kahlo, afirmou estar satisfeita com a valorização da obra e declarou que a imagem de Frida segue reconhecida por diferentes públicos.

A pintura é uma das poucas de Kahlo em coleções privadas fora do México. No país, obras da artista são classificadas como monumento artístico, o que impede venda internacional ou descarte. “El sueño (La cama)” havia sido negociada anteriormente em 1980 por US$ 51 mil.
Caso estivesse viva, Frida Kahlo completaria 119 anos em 2026. Sua produção, marcada por temas ligados à cultura mexicana, tradições indígenas, relações pessoais, gênero e classe, inclui cerca de 200 pinturas. A imagem da artista ganhou projeção adicional a partir dos anos 1970, acompanhando o avanço do movimento feminista.
Entre outras obras de alta valorização no mercado estão “Retrato de una mujer de blanco” (c. 1929), leiloada em 2019 por US$ 5,8 milhões, e “Cesta con flores” (1941), vendida por US$ 3,13 milhões. Já “Diego y Yo”, segunda obra mais cara de uma artista mulher, havia alcançado US$ 1,4 milhão em 1990 antes de retornar ao mercado três décadas depois.