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Como A Leapmotor Virou Peça-Chave Nos Carros Elétricos Da Stellantis No Brasil

Stellantis e Leapmotor formalizaram uma joint venture para operar fora da China. Marca estreia no Brasil no final de novembro

4 min

O mercado brasileiro de carros elétricos e híbridos cresceu de forma consistente nos últimos dois anos. Pelos dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico, de janeiro a outubro deste ano foram cerca de 190 mil elétricos e híbridos emplacados no Brasil, quase 10% do mercado de carros novos. Em 2024, esse número era de 136 mil.

De olho nesse nicho crescente, a Stellantis — dona de marcas como Fiat, Peugeot, Citroën e Ram — delineou uma estratégia para atender o consumidor que quer esse tipo de modal e concorrer com musculatura com as fabricantes chinesas que chegaram em peso nos últimos anos. Para isso, a companhia prepara uma nova peça para o tabuleiro local: a chegada da chinesa Leapmotor, sua parceira global para acelerar o portfólio eletrificado.

Herlander Zola, novo presidente da Stellantis na América do Sul, reforça o plano, que combina ambição e pragmatismo: “Precisamos ser mais eficientes que os concorrentes que estão chegando. O nosso grande diferencial é ter autonomia local para buscar soluções que funcionem”.

Em outras palavras, a Stellantis quer crescer nesse nicho com velocidade, mas sem descuidar do passo a passo. “Não temos a ambição de chegar em seis meses com volumes astronômicos. Vamos dar passo a passo construindo um plano gradativo de crescimento. A relevância dentro do nosso portfólio é muito grande. Temos a chance de utilizar tudo aquilo que temos, do ponto de vista tecnológico, para dar ao consumidor o que ele quer.”

O desenho industrial acompanha a estratégia comercial. Segundo Zola, há a possibilidade de fabricar os carros da Leapmotor em uma das plantas da Stellantis no Brasil. Hoje, a companhia tem capacidade para produzir tanto em Goiana (Pernambuco) quanto em Porto Real (Rio de Janeiro). A movimentação dialoga com a presença regional da empresa — 23% de market share na América do Sul, 29,5% no Brasil e 31% na Argentina — e com a necessidade de escalar produtos eletrificados mantendo custo competitivo e capilaridade.

A Leapmotor

Fundada em 2015 e especializada em veículos elétricos, a Leapmotor confirmou a estreia no Brasil para novembro deste ano. Em maio de 2024, Stellantis e Leapmotor formalizaram uma joint venture para operar fora da China, parte do plano global de avançar em mercados emergentes.

A marca desembarca em solo brasileiro com dois modelos confirmados: o SUV C10, em versões BEV (100% elétrica) e Ultra-Híbrido (tecnologia REEV), e o SUV B10. “É uma marca chinesa que chega com 50 anos de mercado brasileiro”, afirma Zola, aludindo ao suporte industrial, comercial e de pós-venda que a Stellantis oferece ao novo braço eletrificado.

A rede estreia com 36 lojas em 29 cidades — ainda uma dimensão relativamente pequena, mas que cobre as principais capitais e centros do país. Com o suporte da Stellantis, a Leapmotor inicia as operações com gama totalmente eletrificada, amparada por uma rede de concessionários e pós-venda robusta. O movimento fortalece o ecossistema do grupo, acelera a transição energética, amplia o alcance da empresa no mercado brasileiro e reforça a liderança em inovação e novas tecnologias.

O plano regional está lastreado por investimentos recordes: R$ 32 bilhões entre 2025 e 2030, o maior da história da indústria automotiva sul-americana. Além dos produtos Leapmotor, virão novos veículos e powertrains, com o desenvolvimento das tecnologias Bio-Hybrid para atender todas as faixas de consumidores, tornando mais acessíveis diferentes níveis de sistemas híbrido-flex e os modelos 100% elétricos.

“Vamos expandir a tecnologia híbrida. Começou com Fiat e terá em outros carros do grupo”, antecipa Zola. Em síntese: a Stellantis quer liderar a oferta de escolhas — do híbrido ao elétrico —, enquanto prepara chão de fábrica e rede para quando a curva da eletrificação acelerar.

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