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Seu Portfólio de Investimentos Parece Entediante? Isso Significa Que Você Está Certo

Investidores experientes reconhecem que o portfólio não deve ser encarado como um espaço para buscar emoção ou entretenimento

7 min

A diferença entre o que as pessoas imaginam que investir deveria parecer ou proporcionar e o que realmente acontece na prática é grande. A verdade é que, para a maioria dos investidores, o modelo mental de “bom investimento” pode estar invertido.

Muitos imaginam que uma boa experiência ao investir deveria significar ver números subindo constantemente, realizar operações no momento certo e até ganhar prestígio em conversas sociais ao contar que compraram determinada ação antes de sua forte valorização.

Investidores experientes, porém, reconhecem que o portfólio não deve ser encarado como um espaço para buscar emoção ou entretenimento. Em vez disso, eles ajustam suas expectativas para conseguir manter a estratégia e construir riqueza real e sustentável ao longo do tempo por meio de ativos de crescimento.

Eles entendem a realidade de ser um grande investidor — alguém que permanece no jogo tempo suficiente para colher os melhores resultados. Quando o assunto é construir riqueza no longo prazo para as coisas que realmente importam na sua vida,o tédio pode ser exatamente o que o investidor precisa.

Por isso, aqui estão algumas expectativas contraintuitivas que o investidor pode ter se quiser construir uma boa experiência de investimento:

1. Volatilidade é normal

Muitas pessoas têm uma expectativa simplista sobre os mercados financeiros. Se os números sobem, tudo está ótimo. Se caem, o mundo parece estar entrando em colapso. Esse pensamento binário ignora como os mercados realmente funcionam.

Um sistema financeiro completo apresenta ciclos de alta e movimentos de queda. Se não existisse risco de desvalorização dos ativos, não haveria recompensa por mantê-los. O potencial de volatilidade é o que cria oportunidades de ganhos no longo prazo.

A volatilidade do mercado deve ser esperada, não interpretada como um sinal de desastre iminente. Os mercados se movem em resposta a novas informações e dados.

No entanto, o fato da volatilidade ser normal não significa que ela seja algo positivo ou que possa ser ignorada. Ela precisa ser administrada, ou seja, evitar assumir mais risco ou exposição às variações do que o necessário para atingir objetivos específicos.

2. Investir é entediante

Se a estratégia de investimentos for adequada à situação pessoal, capacidade de risco e horizonte de tempo, ela deve parecer maiscomo assistir tinta secar do que andar em uma montanha-russa.

Analistas afirmam que há mais chances de sucesso como investidor passivo com horizonte de longo prazo. Porém, isso pode ser simples ou difícil de executar por várias razões. Uma delas é queé entediante.

Essa estratégia exige muita paciência e longos períodos de espera. As emoções frequentemente atrapalham a capacidade de manter a calma e preservar a perspectiva.

É fácil dizer que a pessoa permanecerá tranquila e resistirá às tempestades do mercado quando tudo ainda é apenas teórico. Muito mais difícil é manter a estratégia quando você vive a incerteza diária, o medo e o estresse provocados por conflitos geopolíticos, pandemias ou até pela possibilidade de perder o emprego e não saber como pagará a hipoteca no mês seguinte.

3. Não é em um jogo equilibrado

O segredo de muitas operações está em entenderem que contextoos investimentos funcionam. O que um investidor institucional faz, na maioria das vezes, não se aplica ao patrimônio pessoal de um investidor comum.

A análise técnica envolve estudar gráficos, volume de negociação e indicadores para prever movimentos futuros de preços. Ela não se concentra no que as empresas realmente fazem ou em seu valor fundamental, mas apenas nos padrões de preços das ações.

A análise técnica funciona melhor — se funcionar — para operações de curto prazo, não para a construção de riqueza de longo prazo. A maioria das pesquisas mostra que ela não é particularmente eficaz para investidores comuns que tentam financiar a aposentadoria ou a educação dos filhos.

Esse pode ser um caminho legítimo para obter retornos com investimentos. No entanto, exige:

  • Educação:compreender demonstrações financeiras e modelos de negócios em nível especializado
  • Tempo:centenas de horas pesquisando cada possível investimento
  • Acesso:contato com executivos e especialistas do setor para coletar informações
  • Recursos:uma equipe de pesquisa capaz de analisar várias empresas simultaneamente

Mesmo que o investidor consiga fazer tudo isso de forma sistemática por 10 ou 20 anos, não há garantia de que uma ação específica se comportará da maneira prevista.

Os mercados são movidos por bilhões de pessoas realizando negociações com base em suas próprias expectativas.

4. Capacidade de risco é mais importante que tolerância ao risco

Quando um gestor institucional faz apostas agressivas, ele está tentando atingir um determinado benchmark ou meta de retorno. Se perder dinheiro, pode dizer que tentou e seguir para a próxima oportunidade.

O aplicador comum enfrenta uma limitação diferente, já que está investindo seu próprio dinheiro. Esse é o capital que você economizou com esforço, que precisa financiar objetivos importantes de vida — e que não pode perder e ignorar.

É verdade que sempre é possível ganhar mais dinheiro no futuro. Mas quando a pessoa comete um erro de investimento e perde muito capital, não há tempo para recomeçar. O horizonte de tempo é relativamente curto: do presente até o momento em que deseja se aposentar. O investidor não pode voltar no tempo e refazer a última década da sua vida.

As estratégias que podem funcionar para traders profissionais ou gestores de fundos geralmente são inadequadas para indivíduos que estão construindo patrimônio para suas famílias. Sua capacidade de risco é diferente — e sua estratégia precisa refletir essa realidade.

5. Seu benchmark é o único que importa

Segundo especialistas, existe outra armadilha entre expectativa e realidade que bons investidores precisam evitar: a tendência de comparar o desempenho do próprio portfólio com investimentos que tiveram resultados melhores.

Por exemplo, seu portfólio subiu 8%, mas você ouviu falar de uma ação que subiu 25%. De repente, seus 8% parecem um fracasso — mesmo sendo um crescimento sólido que o aproxima de seus objetivos.

Os investidores que alcançam mais sucesso ao longo do tempo sabem acompanhar seu desempenho de forma correta. Eles não se medem por benchmarks arbitrários e não comparam toda a sua situação financeira com pequenos fragmentos da vida financeira de outras pessoas.

Como é, na prática, um bom investimento?

Se investir bem não significa emoção ou perseguir retornos extraordinários, como isso realmente funciona?

De acordo com especialistas, um bom investimento começa com uma estratégia baseada em evidências e construída para durar no longo prazo. Ou seja, utilizar a alocação de ativosadequada à sua tolerância ao risco, horizonte de tempo e objetivos financeiros, mantendo a diversificação apropriadaentre diferentes classes de ativos.

Não se trata de descobrir um código secreto para vencer o mercado ou de acertar o timing perfeito. É sobre definir expectativas corretas e compreender como deve ser a realidade de um bom investimento.

*Reportagem originalmente publicada em Forbes.com



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