A Meta lançou nesta segunda-feira o “AI Mode” dentro da busca do Facebook. A funcionalidade responderá às consultas dos usuários usando a Meta AI e apresentará respostas baseadas em conteúdos públicos publicados em Grupos e Reels, em vez de exibir uma lista “genérica” de resultados de pesquisa, informou a empresa.
A ferramenta de busca é alimentada pelo Muse Spark, modelo de IA apresentado pela Meta em abril e o primeiro grande modelo desenvolvido pela Meta Superintelligence Labs, divisão liderada por Alexandr Wang, ex-CEO da Scale AI.
Se a nova ferramenta conseguir manter 1 bilhão de usuários , cerca de um terço dos usuários ativos mensais do Facebook no mundo, e monetizar apenas 10% das buscas diárias, poderá gerar facilmente mais de US$ 10 bilhões por ano (R$ 50 bilhões) em receita para a Meta, segundo o analista Brian Nowak, do Morgan Stanley.
O lançamento desta segunda-feira também inclui novos recursos de edição de fotos e vídeos assistidos por IA, como modelos de recorte para colagens, efeitos de transição em vídeos e predefinições para fotos que permitem aos usuários alterar roupas, cabelos e acessórios nas imagens.
As ações da Meta subiram quase 5%, chegando a pouco menos de US$ 595 (R$ 2.975) às 14h45 (horário da Costa Leste dos EUA) desta segunda-feira. Ainda assim, os papéis acumulam queda de aproximadamente 8% no ano.
O que ainda não se sabe
Ainda não está claro exatamente como o novo AI Mode da Meta seleciona e organiza os resultados de busca. A empresa afirma que a ferramenta irá “fornecer respostas baseadas no que as pessoas estão dizendo publicamente em nossos aplicativos, como Grupos e Reels”, mas não detalhou como seu algoritmo atribui peso às diferentes fontes nem como pretende combater a desinformação, um problema que afeta o Facebook há anos. A Forbes procurou a Meta para obter mais informações.
Contexto
A Meta vem incorporando sua assistente Meta AI ao Facebook, Instagram, WhatsApp e Messenger há anos. No entanto, o lançamento desta segunda-feira marca a primeira vez em que a empresa posiciona a inteligência artificial como uma substituta direta da barra de busca do Facebook, colocando a plataforma em concorrência mais direta com o Google.
Em outubro de 2024, surgiram as primeiras informações de que a Meta trabalhava no desenvolvimento de seu próprio mecanismo de busca. Esta é a primeira vez, porém, que esse projeto chega ao público geral do Facebook.
No cenário mais amplo da inteligência artificial, a Meta ficou atrás de concorrentes após o desempenho abaixo do esperado da família de modelos Llama 4, o que levou a companhia a reduzir significativamente sua estratégia de IA de código aberto. Em vez disso, a empresa investiu US$ 14,3 bilhões (R$ 71,5 bilhões) na Scale AI, operação que incluiu a contratação de Wang, e lançou seu sistema proprietário e de código fechado, o Muse Spark.
Apesar dos investimentos bilionários em inteligência artificial, o sentimento dos investidores em relação à Meta tem permanecido mais contido. Ainda assim, Brian Nowak avalia que a nova ferramenta de busca baseada em IA pode mudar esse cenário.
*Matéria originalmente publicada em Forbes.com