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Quantos seguidores são necessários para conseguir um contrato
Apesar de um bom número de seguidores ajudar a estabelecer sua audiência, da mesma forma que artigos virais se tornaram livros, não há um número mágico que colocará seu livro instantaneamente nas prateleiras das livrarias. Segundo Rachel Vogel, uma agente literária da Dunow, Carlson & Lerner Literary Agency, editores e agentes levam em consideração mais do que apenas o número de seguidores do perfil.
Isso faz sentido, já que é fácil simplesmente clicar em um botão após ver uma única foto intrigante de um usuário na rede social. A decisão de comprar o livro é mais complicada, e cara. “O conteúdo precisa ser independente. Nos últimos anos, ficou claro que nem toda página de sucesso no Instagram se traduz em vendas de livros”, afirma Rachel. “Fotografia de animais atingiu um ápice fantástico, graças ao livro ‘Underwater Dogs’, mas, com o passar do tempo, as pessoas começaram a ficar entediadas desse assunto e as vendas caíram”, conta.
Se você estiver pensando que o seu número de seguidores não vai servir para conseguir o contrato, esse não é necessariamente o caso. Rachel explica qual é o papel de ter uma audiência no Instagram, ao avaliar a proposta para um acordo. “Perfis no Instagram que conseguem acordos para publicar livros têm seguidores que fazem mais do que apenas sorrir ao ver as fotos postadas. Esses perfis encontram seu conteúdo republicado por outros usuários e compartilhado por pessoas que nem estão no Instagram. Esses são os sinais de que um livro do Instagram sairá da internet para as prateleiras das lojas”, afirma.
Segundo Jen Bilik, CEO e fundadora da editora Knock Knock, o Instagram é atualmente a maior fonte de talentos. A Knock Knock, que, além de publicar livros, cria itens de presente, tem diversas publicações baseadas em perfis da rede social, incluindo “Shit Gardens”, de fotografia de jardinagem, “Groomed”, com fotos engraçadas de cachorros, e “50 Totally Stupid Real-Life Reasons to Work Out by Stupid Fit Couple”, sobre bem-estar e exercícios físicos.
Embora a plataforma seja um solo fértil para a publicação de livros, Jen ressalta que não se trata de números para conseguir a atenção de alguém. “A Knock Knock procura por conteúdo de qualidade, em vez de apenas uma comunidade de seguidores, afinal, estamos criando um livro, e não um feed de uma rede social”, explica a editora. “Não dá para prever quais perfis conseguem virar um livro bem-sucedido. Nós descobrimos que a taxa de conversão de seguidores para vendas de livros não está sempre relacionada à taxa de engajamento. Não dá para prever quando os usuários comprarão os livros.”
Jen enfatiza que não há um número específico de seguidores pelo qual procuram, e o que mais conta são “ideias, vozes, criatividade e capacidade”. Ela diz que, apesar de ser mais seguro de um ponto de vista do marketing quando um autor tem mais seguidores (o que, para a Knock Knock, são cerca de 50 mil), eles estão interessados em perfis com um número menor de seguidores, mas cujo trabalho combine com a sensibilidade da empresa. Um exemplo é o “50 Totally Stupid Real-Life Reasons to Work Out by Stupid Fit Couple”, cujo perfil, na época do lançamento do livro, tinha 8 mil seguidores. Atualmente, o perfil tem 12 mil.
Nem todo livro baseado em uma conta do Instagram tem um aspecto visual elaborado. Poetas também têm utilizado a rede social para construir sua audiência e se transformar em escritores. “Um grande número de seguidores pode colaborar, mas não é essencial”, afirma Kirsty Melville, presidente e editora da Andrews McMeel Publishing, em entrevista à FORBES. “Nós temos uma poeta que tinha menos de 2 mil seguidores quando assinamos com ela. Fizemos isso por causa da qualidade do material e do título, que é muito forte”, acrescenta. Para Kirsty, conteúdo de qualidade e um engajamento forte têm a mesma importância na hora de avaliar os perfis. “A comunidade de um poeta costuma apoiar bastante e, se esses fãs estão engajados o suficiente para comentar e compartilhar, isso geralmente leva a boas vendas.”
É importante pontuar que nem toda conta bem-sucedida no Instagram vale para a publicação de um livro. O que pode funcionar no feed da rede social pode não ser tão coerente, engraçado ou interessante quando impresso no papel. “Livros exigem um princípio mais organizado do que um perfil na rede social”, diz Jen. “Enquanto um perfil precisa de uma visão, uma sensibilidade e uma personalidade, um livro precisa de uma razão mais narrativa para existir.”