Jeff Bezos é o grande vencedor da gestão Trump

Reprodução Forbes
Em 2018, Bezos ultrapassou Gates como o pessoa mais rica dos Estados Unidos e do mundo

Não há amor entre Donald Trump e Jeff Bezos. Desde o momento em que o atual presidente norte-americano iniciou sua campanha presidencial em junho de 2015, ele deixou bem claro seu desdém por Bezos, fundador e diretor executivo da Amazon. A inveja pode fazer parte disso: o executivo é o segundo homem mais rico da Terra, ostentando uma fortuna 37 vezes maior que a de Trump.

Mas também existem outras duas possibilidades. A primeira delas é que Bezos é dono do “Washington Post”, jornal que atacou agressivamente o presidente. A segunda é o modelo de negócios adotado por Bezos, que afasta os compradores das lojas físicas, reduzindo a fortuna de corretores de imóveis que possuem pontos de vendas tradicionais – como o próprio Donald Trump.

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O presidente dos Estados Unidos pode até ter desacelerado o boom de Bezos, mas não o interrompeu completamente. Quando Trump assumiu o cargo, o fundador da Amazon estava em segundo lugar na lista FORBES 400 dos norte-americanos mais ricos, atrás do cofundador da Microsoft Bill Gates, a pessoa mais rica do país desde 1994. Mas, em 2018, Bezos ultrapassou Gates como o pessoa mais rica dos Estados Unidos – e do mundo. As ações da Amazon dispararam 130% e o fundador da gigante do varejo online adicionou US$ 46 bilhões ao seu patrimônio desde que Trump tomou posse em janeiro de 2017, em grande parte graças ao aumento dos negócios em seu império de comércio eletrônico e sua divisão Amazon Web Services, uma plataforma sob demanda de computação em nuvem. Hoje, o patrimônio líquido de Bezos é de US$ 115,6 bilhões. Mesmo depois de um divórcio histórico, que custou a ele US$ 35 bilhões em ações da Amazon destinadas para sua ex-mulher, MacKenzie, Bezos continua como o maior vencedor, em termos de crescimento da fortuna, desde que Trump assumiu o comando da Casa Branca.

Em 2017, primeiro ano de Trump no cargo, o Amazon Prime, serviço de assinatura paga que garante a entrega de produtos comprados em até dois dias, atingiu 100 milhões de membros em todo o mundo. As vendas de varejo e serviços da companhia aumentaram 33% na América do Norte e 23% nos mercados internacionais, gerando US$ 160,4 bilhões. A receita da AWS aumentou 43% em 2017, o que rendeu US$ 17,5 bilhões para a empresa. Antes do divórcio, Bezos ainda possuía 16% das ações da Amazon, o que na época da publicação da FORBES 400, em outubro daquele ano, era equivalente a US$ 81,6 bilhões.

No ano seguinte, em 2018, as vendas de varejo e serviços da Amazon alcançaram US$ 207,2 bilhões, um aumento de 29% em relação ao ano anterior, enquanto a AWS arrecadou US$ 25,7 bilhões, incremento de 47%. Como resultado, as ações da companhia subiram. Quando a edição 2018 da FORBES 400 saiu, em outubro, Bezos havia quase dobrado seu patrimônio líquido, o que garantiu sua estreia no posto de pessoa mais rica do país (e do mundo), com um patrimônio líquido de US$ 160 bilhões.

Já 2019 começou difícil para o bilionário. Em janeiro, ele anunciou que ele e sua então esposa MacKenzie estavam se divorciando após 25 anos de casamento. Logo depois, o “National Enquirer”, de propriedade da American Media, publicou fotos pessoais e mensagens de texto de Bezos detalhando um relacionamento com Lauren Sanchez, uma jornalista ex-âncora de TV. Bezos então fez uma publicação extremamente pessoal na plataforma Medium, acusando a American Media de chantagem e extorsão. Em seu texto, ele também deixou clara a estreita amizade entre o CEO da American Media, David Pecker, e Donald Trump, e disse acreditar que a invasão das mensagens foi “motivada politicamente ou influenciada por forças políticas”.

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Como parte do acordo de divórcio, que foi finalizado no primeiro semestre de 2019, Bezos deu um quarto de suas ações da Amazon para MacKenzie, o que reduziu para 12% sua participação na companhia. Em julho, Trump disse à imprensa que estava pensando em intervir no processo de licitação de um enorme contrato de US$ 10 bilhões de computação em nuvem do Pentágono, para o qual a Amazon era vista como a principal concorrente. Alguns meses depois, o Pentágono concedeu o contrato à Microsoft.

Bezos, no entanto, continua muito bem. As ações da Amazon aumentaram 20% no ano passado. Embora o balanço referente a 2019 ainda não tenha sido publicado, os registros trimestrais mostram que, nos primeiros nove meses do ano passado, a Amazon bateu US$ 168 bilhões em vendas de varejo e serviços em todo o mundo, um aumento de 18% em relação a 2018. O segmento da AWS levantou US$ 25 bilhões, um aumento anual de 27%.

Entretanto, o divórcio e a perda do contrato do Pentágono podem ter custado caro. Na última sexta-feira (17), Bernard Arnault, o francês amigo de Trump e a única pessoa que adicionou mais à sua fortuna desde a posse do presidente norte-americano, substituiu o fundador da Amazon como o novo homem mais rico do mundo.

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