Como o distanciamento social mudou a forma de se relacionar nos aplicativos de namoro

GettyImages/ Marco_Piunti
A obrigação de ficar distante aumentou o tempo das conversas em aplicativos de relacionamento

O distanciamento social tem mudado a maneira como as pessoas usam aplicativos de namoro. Como governos do mundo todo têm enfatizado, mais pessoas estão optando por ficar em casa. Inclusive, houve uma diferença marcante na forma de se relacionar virtualmente e na maneira como os aplicativos de namoro são consumidos.

As pessoas relataram ter visto perfis que brincam sobre procurar alguém para ‘se isolar e relaxar’, e os operadores também notaram isso. “Vimos usuários mencionar Covid-19 e coronavírus cada vez mais em seus perfis”, disse um representante da Bumble.

LEIA MAIS: FMI vê pandemia de coronavírus causando recessão global em 2020

No momento, o Bumble está em fase de lançamento do recurso de bate-papo por vídeo. O aplicativo fez uma postagem no Instagram no início desta semana pedindo aos usuários que mantenham a vida digital em dia. “Estamos comprometidos em fornecer conexões * virtuais * positivas e saudáveis”, dizia o texto. “Isso significa permanecer seguro e, tanto quanto possível, ficar em casa”.

Cerca de 25 milhões de pessoas nos EUA usam aplicativos de relacionamento, e a expectativa de arrecadação do setor de namoro online é de US$ 12 bilhões até o final de 2020. As pessoas agora estão tentando navegar no conceito de gratificação atrasada, no mercado que prosperou com a oferta de uma solução rápida.

A impossibilidade de marcar encontros físico se traduz em mais tempo de conversas e interações nos aplicativos. No HER, um aplicativo para lésbicas, queers, bissexuais e não-binários, as comunidades, onde os usuários podem compartilhar postagens e criar tópicos de discussão, tiveram um enorme crescimento. O dia 15 de março foi melhor dia de atividade do ano, houve aumento no número de “curtidas” e 15% de crescimento nas conversas.

“Observamos um aumento bastante acentuado no uso, principalmente no último final de semana”, diz Robyn Exton, fundador do aplicativo. “O HER organiza muitos eventos presenciais, que foram cancelados no momento. Como alternativa estamos realizando uma série de encontros on-line no aplicativo que tiveram uma resposta incrível”.

O S’More, que se vende como um “aplicativo de relacionamento”, registrou um aumento de 30% na atividade diária e crescimento de 15% no número de usuários que utilizam o recurso de gravação de voz. Na mesma direção, a duração das conversas aumentaram duas vezes.

“Estamos vendo uma mudança para conversas mais intencionais em escala”, diz Adam Cohen Aslatei, CEO da S´More. “Espero que as pessoas estejam ansiosas para se conectar em um nível mais profundo. É importante notar que o distanciamento social não significa distanciamento emocional.” Por outro lado, ele acredita que a atividade casual em aplicativos de namoro diminuirá à medida que as pessoas percebem que não poderão se reunir fisicamente para se conectar.

LEIA TAMBÉM: Fed adota novas medidas agressivas para combater impacto do coronavírus sobre economia

A maior disposição das pessoas para se envolver em conversas também foi observada pelos usuários. “Na semana passada, mantive contato com alguns matches e a conversa parece mais relaxada, como se tivéssemos abandonado a fachada, sem a necessidade de fingir que somos legais”, escreveu Rachel Thomson em Mashable esta semana. “Conversamos longamente sobre os livros e programas de TV que estamos assistindo enquanto estamos em casa.”

Ela também observou que, nos últimos dois anos, o excesso de afazeres começou a separar as pessoas. Como relatei recentemente, os aplicativos de namoro foram forçados a serem criativos para atrair os solteiros de volta às suas plataformas. Uma tendência emergente entre os usuários, escreveu Rachel, era que “as pessoas começaram a cortar completamente a cordialidade e a abrir o bate-papo com um pedido de encontro imediato”. Agora, o distanciamento social forçou os usuários a adotar uma abordagem mais lenta.

“Estamos vendo não apenas um crescimento no uso, mas também na intenção”, diz Exton. “Acho que as pessoas estão buscando mais interação social e conexão com os outros, e não apenas um encontro.”

A jornalista Nichi Hodgson, que escreveu “The Curious History of Dating” (A curiosa história do namoro, em tradução livre), sugere que a pandemia pode significar um aumento de conexões mais significativas e dos romances tradicionais.

E TAMBÉM: O que Jorge Paulo Lemann e outros bilionários brasileiros estão fazendo no combate ao novo coronavírus

“Ao longo da história do namoro, tempos de morte, desastres e doenças inspiraram atos de grande oportunismo romântico”, disse a jornalista ao Daily Mail do Reino Unido nesta semana.

“Sejam casamentos em tempos de guerra realizados no dia da licença de um soldado ou Samuel Pepys com seus encontros de adultério durante a Grande Praga de Londres, o desejo de conexão humana se intensifica em períodos desafiadores.”

Siga FORBES Brasil nas redes sociais:

Facebook
Twitter
Instagram
YouTube
LinkedIn

Baixe o app da Forbes Brasil na Play Store e na App Store.

Tenha também a Forbes no Google Notícias.

Copyright Forbes Brasil. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução, total ou parcial, do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, impresso ou digital, sem prévia autorização, por escrito, da Forbes Brasil ([email protected]).