Veja 12 ações de empresas para ajudar os pequenos negócios a passar pela crise do coronavírus

Venda de vouchers online é uma das estratégias para gerar fluxo de caixa aos estabelecimentos afetados pelo isolamento social

Laís Campos
Compartilhe esta publicação:
Getty Images / John Lamb
Getty Images / John Lamb

A venda de vouchers online é uma das principais estratégias adotadas para ajudar os pequenos negócios

Acessibilidade


Além das graves questões de saúde pública, o cenário da pandemia do novo coronavírus tem representado uma ameaça para a estabilidade financeira dos pequenos negócios em todo o Brasil. Em São Paulo, entre os dias 16 e 17 de março foi realizada uma pesquisa pelo Sebrae-SP que entrevistou 1.509 donos de empresas de todo o Estado. O estudo revelou que seis entre dez empreendedores estão “muito preocupados” com o vírus, e para 83% dos entrevistados ele afetará sua empresa.

Em relação ao setor de atuação, os empresários mais preocupados estão no comércio: 86,5%, contra 81,9% na indústria e 81,5% no setor de serviços. Já no que diz respeito ao porte da empresa, 90,4% dos donos de companhias de pequeno porte (EPPs) acreditam que vão sofrer impacto. Entre os proprietários de microempresa (ME), esse índice é de 86,8%; já entre os microempreendedores individuais (MEIs), o indicador é de 79,1%.

VEJA MAIS: Forbes abre canal para ajudar pequenas e médias empresas


Os empresários também responderam sobre quais as principais consequências negativas que eles esperam para o seu negócio: 71,6% temem queda nas vendas; 59,7% citam redução no fluxo de consumidores e 43,8% diminuição das atividades da empresa.

Em meio a este contexto de extrema apreensão, um conjunto de empresas que apresentam melhores condições de resistirem a crise criaram diversas iniciativas para ajudar os pequenos negócios inseridos nos setores mais ameaçados, entre os quais se evidenciam os estabelecimentos gastronômicos. Segundo a Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes), cerca de 10% desses negócios localizados na capital paulista devem encerrar suas atividades por conta da crise da Covid-19. “Será inevitável uma queda na demanda, principalmente nas atividades que envolvem atendimento ao público, como restaurantes, salões de beleza e comércio em geral”, afirma o diretor-superintendente do Sebrae-SP, Wilson Poit.

Inscreva-se para receber a nossa newsletter
Ao fornecer seu e-mail, você concorda com a Política de Privacidade da Forbes Brasil.

A Stella Artois é uma das organizações que desenvolveram ações de apoio a esses negócios. A companhia criou o movimento “Apoie um Restaurante”, o qual promove uma corrente de união entre espaços gastronômicos, comunidades e marcas de todo o Brasil por meio de uma plataforma colaborativa onde os consumidores podem comprar vouchers antecipadamente e desfrutar da aquisição de forma presencial no futuro. “Vários chefes renomados, como Renata Vanzetto, se juntaram a gente a fim de pensar em uma estratégia de ajudar os pequenos estabelecimentos. Este é um movimento que faz apelo para as pessoas se unirem em prol desse objetivo e, no final, o cliente também acaba ganhando um benefício”, diz Bruna Buás, diretora de marketing de Stella Artois.

Para Carlos Melles, presidente do Sebrae, a superação dos obstáculos da crise por parte dos pequenos negócios é possível se atrelada a busca por conhecimento e preparação. “A marca das micro e pequena empresas é a resiliência. Pânico é o medo associado à desinformação. Estamos confiantes de que, com a orientação e apoio adequados, os empreendedores de MPE superarão mais este desafio”, diz. Pensando nas particularidades específicas de cada grupo afetado, o Sebrae preparou um conjunto de informações para ajudar os empreendedores a enfrentarem a crise de forma mais profissional e qualificada, que podem ser acessadas no portal da instituição.

No que diz respeito ao papel de todas as companhias que criaram iniciativas de apoio neste cenário, o objetivo é minimizar os danos causados nos pequenos negócios pela pandemia do coronavírus de modo a gerar faturamento em meio ao isolamento social, bem como a equalização e balanceando de seus fluxos de caixa.

Não só grandes conglomerados podem ajudar. Há casos de startups e empresas de médio porte que estão atrás de ideias para jogar boias salva-vidas para negócios menores. Veja, na galeria de imagens a seguir, 12 ações deste tipo:

  • Divulgação/ Stella Artois

    Stella Artois

    Em meio ao eminente encerramento das atividades de estabelecimentos gastronômicos, Stella Artois pensou no movimento “Apoie um Restaurante”, que se traduz em uma plataforma colaborativa, criada com o clube de gastronomia ChefsClub, para gerar fluxo de caixa a fim de que esses negócios, em especial os menores, se mantenham em funcionamento durante a fase de baixa demanda. Ao acessar o site, o consumidor escolhe um restaurante e na compra de um voucher de R$ 100 paga só R$ 50 para consumir presencialmente no futuro (o desconto de 50% é custeado pela Stella Artois e outros parceiros da ação e o valor arrecadado será 100% revertido aos estabelecimentos participantes). Entre os apoiadores do projeto está a fintech brasileira de meios de pagamento Stone, que realiza as transações sem cobrança de taxas aos restaurantes e transfere na hora para cada um deles a verba obtida pela venda dos vouchers. Atualmente, são mais de 1.500 estabelecimentos cadastrados e mais de 10 mil vales vendidos.

  • Getty Images / Nicolas Jeanne - Eye Em

    Alexandra Forbes e Start Pay

    “Compre um vale-presente hoje para o seu lugar favorito não quebrar amanhã”, diz a tagline do movimento GGG (de “gentileza gera gentileza”), que está ajudando bares e restaurantes de São Paulo a permanecerem em funcionamento em meio a crise sem precedentes. A iniciativa, idealizada pela jornalista Alexandra Forbes, promove a venda em uma loja virtual criada pelo aplicativo Start Pay (plataforma completa de pagamentos online) de vales-presente de R$ 150 de mais de 90 bares e restaurantes que só poderão ser redimidos a partir de outubro. Para comprar, basta baixar o app, se registrar, e em seguida, ir à loja do GGG onde encontrará a lista de restaurantes e bares, que irá crescendo a cada dia. Entre os estabelecimentos, há desde alguns dos mais premiados da cidade a restaurantes casuais, bares, uma lanchonete, um bar de vinhos naturais e até o negócio social Bufê Flor de Mandacaru, sediado em uma comunidade carente de São Paulo.

  • Divulgação/Outback

    Outback

    A rede de restaurantes com temática australiana Outback Steakhouse criou uma ação que propicia a doação de 7.600 unidades de seu exclusivo ovo de chocolate “Outback Duo Thunder” para pequenos mercados da cidade de São Paulo. Com a contribuição, os estabelecimentos podem vender o doce da marca e utilizar o valor arrecadado em benefício do próprio comércio. Na visão do Outback, os clientes que forem aos pequenos mercados para adquirir os ovos também poderão aproveitar a oportunidade para comprar outros itens necessários no dia a dia e assim esse fluxo poderá contribuir ainda mais para o aquecimento desses negócios. Segundo Pierre Berenstein, presidente da Bloomin’ Brands, grupo detentor do Outback no Brasil, é a primeira vez que o ovo é comercializado fora dos restaurantes da marca e o objetivo é beneficiar cerca de 200 estabelecimentos.

  • Getty Images / d3sign

    Gabriel Gasparini e Suflex

    O influenciador que cobre tendências gastronômicas e a Suflex, empresa de tecnologia que oferece uma plataforma de gestão para restaurantes idealizaram o projeto “Menu do Amanhã”. Ao acessar o site “Gaspa Indica”, os clientes podem adquirir vouchers com validade de até um ano e utilizá-los depois que a situação se normalizar. Os bares High Line, Pracinha do Seu Justino, Seu Justino e Oh Freguês, do Grupo Ideia, se juntaram ao movimento e oferecem na plataforma vales antecipados de R$ 100 que dão direito a um crédito de R$ 150 ao cliente para desfrutar de qualquer drink ou prato dos cardápios posteriormente. Entre os participantes também estão o renomado Tre Bicchieri, de cozinha italiana, sob comando do chef Rodrigo Queiroz e Vulcano que traz uma gastronomia do sul da Itália. Os descontos variam de R$ 30 a R$ 50.

  • Getty Images

    quem disse, berenice?

    A marca de cosméticos “quem disse, berenice?” lançou o projeto “Apoie um Maquiador”, que será realizado via Instagram, no perfil “@ApoieUmMaquiador”, que funcionará como um portfólio digital para conectar maquiadores a consumidores, os quais poderão conferir o trabalho de cada um e fazer agendamentos de acordo com as ofertas– de aulas a serem feitas após a quarentena até conteúdos digitais de maquiagem e automaquiagem. A empresa custeará o equivalente a esses serviços de beleza para mais de 600 dos profissionais apresentados (número possível de ser ampliado ao longo do programa), com fundos próprios e advindos de reduções e doações de cachês de influenciadores e parceiros. O valor custeado por maquiador é o mesmo do serviço de maquiagens das lojas da marca (neste momento 100% fechadas), “Menu de Makes”, de R$120. Para reforçar ainda mais o alcance do perfil da campanha, a “quem disse, berenice?” vai reverter parte do seu investimento de mídia para focar na divulgação deste portfólio digital e investiu em parceiros influenciadores.

  • Divulgação

    3,2,1 Beauty

    Idealizada pela 3,2,1 Beauty, empresa que fornece serviços de beleza e bem-estar em escritórios corporativos, a campanha “Beleza de Mãos Dadas” pretende apoiar 2 mil profissionais manicures de todo o Brasil com uma renda mínima por meio de crowdfunding na plataforma Catarse. Além da contribuição do público, o projeto conta com o apoio das principais marcas de esmaltes do Brasil como Risqué (patrocinadora),O.P.I., Dailus, Vult, Impala, Colorama e também da Beauty Fair, maior feira de beleza do país. Para garantir repercussão e mobilização, essas empresas apoiarão o movimento por meio da divulgação e amplificação da causa em suas redes sociais. As manicures cadastradas ainda participarão de um sorteio de 100 ingressos para o Congresso de Manicures Beauty Fair, importante evento do setor. Já foram arrecadados até o momento R$ 33.200,00 e a meta é atingir R$1 milhão até 7 de maio. Para doar, clique aqui.

  • Getty Images

    L’Oréal Produtos Profissionais

    A L’Oréal Produtos Profissionais, o aplicativo de gestão e agendamento online para salões Trinks e a fintech Stone se uniram para criar a plataforma de apoio “Beleza Amiga”, centrada na campanha “#Juntospelosalão”. Por meio do site, é possível comprar vouchers de R$ 50 que serão abatidos do valor final de serviços prestados por salões de beleza cadastrados quando eles reabrirem e que poderão ser utilizados até 31 de dezembro. Além de contribuir com a saúde financeira desses negócios, os colaboradores receberão um cupom de desconto no valor de R$ 50 na compra de produtos das marcas L’Oréal Professionnel, Kérastase e Redken, pelo site “Segredos de Salão” “http://www.segredosdesalao.com.br), até o dia 30 de junho. A plataforma repassará integralmente os valores comprados aos salões, sem descontos de taxas e comissões, e a campanha tem a expectativa de cadastrar mais de 2500 estabelecimentos de diversas regiões do Brasil. Até o momento, já foram cadastrados 900.

  • Getty Images

    Avec

    A Avec, maior empresa de tecnologia B2B para o mercado de beleza, lançou o movimento “Apoie um Salão”, em parceria com grandes marcas do setor, como Wella e Ga.Ma Professional. O objetivo da campanha é apoiar profissionais e gestores que atuam no setor e estão entre os mais afetados visto que seus estabelecimentos foram fechados e não é permitido realizar atendimentos em domicílio. Para aderir ao projeto, o cliente comprará uma assinatura de serviços com bônus de até 50% todo mês, por meio da plataforma destinada à causa. Dessa forma, o valor da compra será revertido imediatamente para o espaço de beleza e o consumidor terá os créditos com o bônus extra para agendar o serviço após o período de crise. A Avec garante que toda a sua margem de lucro será revertida a fim de ajudar o setor e, caso o cliente esteja procurando um estabelecimento ou profissional não cadastrado no site, basta indicá-los para a empresa entrar em contato.

  • Getty Images / Virojt Changyencham

    EBANX

    Em busca de oferecer uma alternativa a comerciantes que estarão fechados ao público durante a quarentena, a fintech brasileira EBANX lançou o “EBANX Beep”, uma funcionalidade que comporta a venda de vouchers para produtos e serviços de modo a proporcionar uma forma rápida de lojistas venderem online. Pequenos comércios e profissionais autônomos como personal trainers, manicures, diaristas e confeiteiros, entre outros, podem comercializar os vales e definir a troca deles por suas ofertas, bem como as datas para a permuta. Além de montar a loja virtual, também é possível contar com o processamento de pagamentos do EBANX Pay, automaticamente disponibilizado dentro da plataforma, que aceita cartões de crédito de todas as bandeiras, possibilita o parcelamento, boleto bancário, e permite ainda que a liquidação seja feita quinzenalmente. Montar a loja no portal é um processo simples, que não exige a presença de um programador, e a adesão ao sistema é feita de forma online de modo que, em poucos minutos, pode-se começar a cadastrar os artigos, sejam eles produtos, serviços ou os próprios vouchers.

  • Getty Images / supersizer

    Petlove e Vet Smart

    A empresa Petlove, maior petshop online do Brasil, e a Vet Smart, plataforma de auxílio na prescrição e educação continuada do médico veterinário, lançaram um projeto que permite aos profissionais da área e lojas pequenas do setor de todo o país venderem seus produtos por meio do portal da comerciante de artigos para animais. Os parceiros poderão, de forma automática e rápida, criar um site de venda integrado com a plataforma da marca e terão a oportunidade de divulgar o seu próprio portal (com nome e logo de cada estabelecimento) para seus clientes, de modo a realizar as negociações normalmente. No que diz respeito a logística de entrega dos produtos, será responsabilidade da Petlove. O projeto não possui prazo de funcionamento e continuará ativo após o fim do isolamento social como forma de impulsionar a venda de lojas menores.

  • Reprodução/Instagram

    Patties Burguer

    Neste período de turbulência econômica, a hamburgueria criou uma iniciativa para ajudar o negócio do Lira, dono do mercado de bairro chamado “Mercadinho”, que se localiza ao lado do restaurante do hub da Patties no Brooklin. A empresa comprou todos os chocolates do estabelecimento por R$1,98 a unidade e está revendendo cada uma por R$ 5 no aplicativo de delivery Rappi. Desse valor, é subtraído o custo e o que sobra de lucro (R$ 2,47) é doado ao Mercadinho. Ao entrar no app, existe a opção de compra separada caso os clientes não queiram comprar o hambúrguer, mas apenas ajudar Lira. A campanha será finalizada no dia 4 de abril e até o momento já foram vendidos 2.448 chocolates, que geraram um lucro de R$ 5.556,96.

  • Getty Images / gilaxia

    Securisoft

    A distribuidora de software Securisoft, localizada em Alphaville, já havia definido um orçamento para os presentes e festa de Páscoa da equipe. Mas o destino da verba mudou. Empresa e colaboradores concordaram em ajudar o restaurante vizinho, onde a maioria dos funcionários costuma gastar seu vale-refeição no bufê por quilo. A Securisoft comprou então 100 quilos de comida pronta antecipadamente. Como contrapartida, o proprietário do estabelecimento transformou a quantidade para 130 quilos, que poderão ser aproveitados quando a prefeitura de Barueri permitir que os comércios reabram e as operações da organização voltarem ao normal.

Divulgação/ Stella Artois

Stella Artois

Em meio ao eminente encerramento das atividades de estabelecimentos gastronômicos, Stella Artois pensou no movimento “Apoie um Restaurante”, que se traduz em uma plataforma colaborativa, criada com o clube de gastronomia ChefsClub, para gerar fluxo de caixa a fim de que esses negócios, em especial os menores, se mantenham em funcionamento durante a fase de baixa demanda. Ao acessar o site, o consumidor escolhe um restaurante e na compra de um voucher de R$ 100 paga só R$ 50 para consumir presencialmente no futuro (o desconto de 50% é custeado pela Stella Artois e outros parceiros da ação e o valor arrecadado será 100% revertido aos estabelecimentos participantes). Entre os apoiadores do projeto está a fintech brasileira de meios de pagamento Stone, que realiza as transações sem cobrança de taxas aos restaurantes e transfere na hora para cada um deles a verba obtida pela venda dos vouchers. Atualmente, são mais de 1.500 estabelecimentos cadastrados e mais de 10 mil vales vendidos.

Siga FORBES Brasil nas redes sociais:

Facebook
Twitter
Instagram
YouTube
LinkedIn

Baixe o app da Forbes Brasil na Play Store e na App Store.

Tenha também a Forbes no Google Notícias.

Compartilhe esta publicação: