Para CEO da bilionária Confluent, futuro do open source é compra, não criação

Scott Chernis/Reprodução/Forbes
Scott Chernis/Reprodução/Forbes

Para o CEO, o software de dados é mais importante para a comunidade que se forma em torno dele do que um código insubstituível

Se Jay Kreps fosse criar, atualmente, sua empresa de tecnologia, a Confluent, ele optaria por um caminho mais fácil. Segundo o CEO da companhia avaliada em US$ 4,5 bilhões, em vez de passar cinco anos construindo o software de código aberto que sustenta o sucesso da startup, ele simplesmente o compraria.

Kreps construiu um dos negócios de nuvem de software aberto de maior crescimento no Vale do Silício. Ajudar diversas empresas a trabalhar com o Apache Kafka é um dos pontos fortes de sua startup Confluent, que ocupa a 6ª posição na lista Cloud 100 da Forbes deste ano. No entanto, o campo do código aberto mudou radicalmente desde que Kreps e os cofundadores, Neha Narkhede e Jun Rao, deixaram o LinkedIn para construir seus negócios há quase dez anos. E, se Kreps abrisse um negócio hoje, seria mais provável que ele construísse em cima de ferramentas de infraestrutura já existentes no mercado.

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O CEO acredita que o software de dados é mais importante para a comunidade que se formou em torno dele do que um código insubstituível. “Não foi assim que o Kafka foi criado, mas sim como ele foi adotado”, diz Kreps. “Atualmente, você poderia obter exatamente o mesmo produto a partir de várias empresas diferentes.”

O segredo da estratégia da Kreps é a ascensão do código aberto, uma tendência que permitiu que técnicas de infraestrutura de tecnologia da informação, antigamente com preços bem elevados, fossem adquiridas em vez de construídas por cada empresa. Atualmente, as companhias que desejam terceirizar o armazenamento de dados podem usar, por exemplo, o Snowflake, líder da lista Cloud 100 de 2020. Já os desenvolvedores que criaram bancos de dados personalizados podem recorrer de forma confiável às ferramentas do MongoDB.

O que isso significa, segundo o CEO da Confluent, é que os empreendedores de tecnologia podem se movimentar de maneira mais rápida no mercado a partir de opções já prontas e evitando ter que gastar recursos limitados com uma equipe técnica específica. “Se o primeiro passo do negócio para adotar esse novo recurso é contratar um grupo das pessoas bem pagas, é uma opção bem cara”, diz Kreps. “É por isso que o aumento desses serviços é um grande negócio.”

Desde o seu lançamento em 2014, a Confluent levantou US$ 455 milhões de grandes empresas de capital de risco, incluindo a Sequoia e a Benchmark. Após outro financiamento, em abril, quando a empresa levantou US$ 250 milhões em uma rodada liderada pela Coatue Management, a companhia parece preparada para uma oferta pública –sobre a qual Kreps não quis comentar.

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O que dá ao CEO a confiança para avaliar o estado da construção de empresas de código aberto é sua experiência e a de seus cofundadores em anos trabalhando na infraestrutura do LinkedIn. A atuação deles era na resolução de problemas de gerenciamento de dados, conhecido como “streaming de eventos”, que analisava as enormes quantidades de interações entre os usuários do LinkedIn para extrair informações. Reconhecendo maior necessidade e oportunidade do mercado, Kreps, Narkhede e Rao saíram com o apoio do LinkedIn, levantando uma rodada de financiamento da Série A de US$ 7 milhões da Benchmark em 2014. A empresa, então, lançou um produto Kafka baseado em nuvem e garantiu clientes importantes, incluindo Capital One, JPMorgan Chase e Priceline.com.

Atualmente, Kreps diz que o negócio –a própria versão da Confluent de “código aberto como serviço”– está crescendo rapidamente, com aumento de 450% neste ano nas vendas em relação a 2019. Enquanto a Confluent continua a oferecer serviços locais, Kreps acredita que a Covid-19 vai acelerar a mudança para serviços gerenciados. “As empresas estão sendo obrigadas a dobrar a parte digital do negócio com menos orçamento, menos recursos e a mesma quantidade de pessoas”, acrescenta.

Apesar disso, a Confluent está longe de ser a única empresa seguindo a tendência do código aberto. A Databricks, por exemplo, avaliada em US$ 6,7 bilhões, também está no Top 10 da lista Cloud 100. Ainda, a empresa também enfrenta forte concorrência da Amazon e uma onda de startups. E essa é a ironia do trabalho de Kreps: a próxima Confluent já pode estar trabalhando em um novo desafiado e se beneficiando de suas ferramentas.

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