Tania Cosentino prioriza sustentabilidade na Microsoft

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A presidente da gigante de tecnologia no Brasil, Tania Cosentino, acredita que cuidar do impacto ambiental e social das empresas gera melhores resultados

O ano de 2019 tem sido intenso para Tania Cosentino. Desde janeiro, quando foi escolhida para a presidência da Microsoft, a executiva se reinventa para imprimir sua marca no que é um dos maiores mercados da gigante de tecnologia do mundo.

“Os últimos nove meses têm sido um turbilhão de coisas novas”, diz a executiva. “Conhecer novas pessoas, a nova empresa e sua cultura tem me trazido um enorme aprendizado. Nessas situações, vemos nossa capacidade de reinvenção, de absorver, de se testar e de se colocar à prova.”

Neste espaço de tempo, a executiva também conseguiu criar uma estratégia de negócio própria e conversou com a Forbes sobre como têm sido os últimos meses, em um evento de ex-alunos da escola de negócios Insead, onde estudou no ano passado.

Única latino-americana a vencer o SDG Pioneers, concurso da Organização das Nações Unidas (ONU) para executivos que promovem objetivos de sustentabilidade globais, Tania tem um forte discurso sobre a necessidade de gerar impacto positivo para a sociedade, atrelada ao foco em gerar receita.

“Tenho um desafio básico, que é levar a nuvem para todos os lugares e ajudar meus clientes na transformação digital”, aponta. “A forma como isso é conduzido é minha: dou o meu toque, agregando minha paixão por sustentabilidade.”

“Podemos dizer que é um olhar ‘mais Tania’, que busca ajudar o cliente, fazendo com que ele entenda que ele pode desenvolver seu negócio e fazer o bem ao mesmo tempo.”

A executiva conta que os objetivos de desenvolvimento sustentável da ONU estavam embutidos na estratégia de negócios de seu antigo empregador, a Schneider Electric, onde era presidente para a América do Sul. Sob sua liderança, a Schneider também foi premiada no Women’s Empowerment Principles, programa da ONU que destaca empresas que promovem ações para o combate à desigualdade de gênero.

“Eu dizia que o negócio da Schneider era um negócio para o bem e demonstrava os objetivos de desenvolvimento sustentável que cada ação gerava. Estou trazendo isso para a Microsoft.”

Dar ênfase à sustentabilidade também é uma forma de abordar assuntos que até então não tinham sido trazidos para o debate com clientes e até mesmo começar conversas. “Isso abre portas para um novo grupo de stakeholders, como os VPs de sustentabilidade das empresas, e essa pode ser um aspecto da agenda de CEOs que não explorávamos.”

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Como é possível gerar retorno e ao mesmo tempo cumprir uma agenda de sustentabilidade? Segundo a líder da Microsoft, a chave é não separar os dois assuntos.

“Se você [escolher entre] sustentabilidade ou lucro, já começou mal: a empresa é cobrada pelo ‘quarterly review’ e só vai perceber que está fazendo a coisa errada quando se envolver em um escândalo que afetou o meio ambiente, por exemplo”, afirma.

Empresas realmente engajadas com o tema tem seu “core business” alinhado a objetivos de desenvolvimento sustentável, diz a executiva, que ilustra seu ponto com exemplos da oferta da própria Microsoft, que buscam endereçar estas metas:

“Trabalhamos áreas como ‘smart cities’, que traz desenvolvimento econômico, melhoria de infra-estrutura, economia circular para a cidade. Em saúde, democratizamos o acesso e damos mais eficiência à governança; desenvolvemos ferramentas de educação para o século 21”, pontua.

A presidente da Microsoft argumenta que dar mais atenção à sustentabilidade aumenta a capacidade de atração de talentos de empresas e também é uma questão de reputação: “Assim como diversidade, sustentabilidade significa mais negócios. Tenho sido bastante provocativa com este tema.”

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O grande foco comercial da Microsoft é a oferta de inteligência artificial, que roda na plataforma de nuvem Azure. Os clientes brasileiros têm mostrado um “aumento exponencial de conscientização” sobre a necessidade de adoção destas tecnologias nos últimos meses, segundo Tania.

“Ninguém quer ficar para trás. Existe uma corrida pela competitividade e entrega de uma melhor experiência para o cliente, bem como maior lucratividade e melhora do impacto econômico e social”, ressalta.

Mesmo assim, o desafio de detalhar os benefícios da transformação digital persiste, segundo a executiva, que gosta de contar a história recente de reinvenção da Microsoft para apoiar seu pitch.

“Somos um case de sucesso de transformação cultural que todas as empresas querem ouvir e que ajuda clientes além da tecnologia.”

Embarcar clientes neste processo de evolução cultural inclui um diálogo constante sobre temas como o papel da ética no uso de dados, bem como um debate sobre a necessidade de requalificação da mão de obra no Brasil.

“Precisamos falar sobre como retreinar os mais de 12 milhões de desempregados no Brasil, não só para suprir a lacuna do mercado, mas para preparar essas pessoas para que respondam às grandes mudanças nas funções de trabalho,” aponta.

“Essa transformação já aconteceu com a automação industrial no mundo de onde eu vim, só que aconteceu em 40 anos. Mudanças provocadas por inteligência artificial vão se desdobrar em menos de 10 anos, portanto tenho um senso de urgência”, ressalta. “Precisamos nos mobilizar, e rápido.”

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César Gon, fundador e CEO da empresa de tecnologia CI&T, foi nomeado empreendedor do ano na etapa brasileira do prêmio global World Entrepreneur Of The Year, da EY. Além de Gon, a EY reconheceu diversas outras categorias, como empreendedores em expansão e com alto potencial de crescimento e homenageou Leo Cesar de Melo, da Allonda Ambiental. Edições anteriores do evento da EY incluem Rodrigo Galindo, da Kroton (atual Cogna Educação), e Rubens Menin, da Engenharia MRV, o primeiro brasileiro reconhecido na edição global, em 2018. O evento ocorre em junho de 2020 em Monte Carlo, no principado de Mônaco.

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A primeira edição do programa de inovação da Petrobras anunciou as 20 empresas que seguirão para a segunda fase do processo seletivo. O processo recebeu mais de 250 inscrições, alcançando 21 estados brasileiros. Após essa etapa, serão definidos os 10 projetos vencedores, que poderão receber de R$ 500 mil a R$ 1,5 milhão em financiamento cada um. O programa, promovido em parceria com o Sebrae, vai focar em tecnologias digitais, novas energias, captura e utilização de CO2, corrosão, nanotecnologias e catalisadores.

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A transformação digital no setor da construção será discutida em um evento em 30 de outubro, no Espaço Pro Magno, em São Paulo. A Construdigital debaterá a visão do futuro para as empresas do segmento, novas tecnologias, comportamento e tendências, empreendedorismo, sustentabilidade e responsabilidade social. O evento terá palestrantes como André Medina, head de inovação da Andrade Gutierrez, e Gustavo Werneck, CEO da Gerdau, entre outros.

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Angelica Mari é jornalista especializada em inovação há 18 anos, com uma década de experiência em redações no Reino Unido e Estados Unidos. Colabora em inglês e português para publicações incluindo a FORBES (Estados Unidos e Brasil), BBC, The Guardian e outros.

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