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Maior Avanço em 25 Anos: Brasil Aprova Nova Terapia para Tumor Cerebral

Tratamento oral inédito para gliomas com mutações IDH oferece esperança de controle da doença com mais qualidade de vida e menos intervenções invasivas

3 min

Um novo medicamento de administração via oral para o tratamento de gliomas, um tipo de tumor cerebral, acaba de ser aprovado no Brasil, o que representa um enorme avanço no tratamento do câncer – e nessa área específica da doença em quase 25 anos. Esta terapia pioneira tem potencial para mudar a história da doença, pois oferece aos pacientes a possibilidade de controlar ativamente sua doença com a conveniência de um comprimido diário.

Os gliomas, ou neoplasia primária do sistema nervoso central, são tumores cerebrais malignos de progressão lenta. Eles surgem em certos tipos de células cerebrais e representam cerca de 81% dos tumores malignos primários na região e sua incidência vem aumentando. A maioria dos gliomas é esporádica, sem ligação hereditária, e podem surgir em qualquer idade. No entanto, a doença é tratável.

Os tumores cerebrais, mesmo quando pequenos, como os gliomas, podem levar a sintomas incômodos para o paciente. Isso acontece porque todas as ligações nervosas do cérebro são muito próximas e, dependendo da localização do tumor, ele pode causar um efeito de massa, ou seja, uma ofensa a essas estruturas neurais.

Os sintomas mais comuns são alterações na
função cognitiva como déficit de memória, raciocínio, e comportamento, convulsões, dificuldades de fala, dificuldades de coordenação motora ou equilíbrio, dor de cabeça intensa e recorrente, náusea, vômito. É sempre importante reforçar que nem todos os gliomas são iguais. Por isso, ter um diagnóstico correto é fundamental.

A presença dos sintomas exige uma investigação completa, com avaliação neurológica e avaliação por imagem. O diagnóstico e tratamento precoce são cruciais para o manejo e prognóstico da doença. Por isso, é tão importante estar atento aos sinais. Ao perceber uma dor de cabeça persistente e inexplicada, crise convulsiva, alteração da motricidade, da fala, do raciocínio, da memória ou do comportamento, deve-se procurar um médico.

Diferentes estratégias de tratamento podem ser empregadas no tratamento dos gliomas, levando em consideração características da doença e do paciente. Invariavelmente, o tratamento começa com um procedimento cirúrgico, que é essencial para o diagnóstico da doença através da realização de análise anatomopatológica e de testes específicos para identificar mutações características.

A abordagem a seguir deve ser personalizada para cada paciente e pode envolver monitoramento ativo, tratamento direcionado, radioterapia, quimioterapia ou ensaios clínicos, visando a melhora dos sintomas e a melhor qualidade de vida dos pacientes. E essa nova medicação, o vorasidenibe, surge como uma possibilidade de tratamento para diversos casos de glioma de baixo grau que apresentam uma mutação muito comum chamada IDH 1 ou 2. Um estudo de impacto mundial incluindo 331 pacientes com glioma grau 2 demonstrou que o vorasidenibe diminui o risco de progressão da doença ou morte em 61% e da necessidade de um novo tratamento em 74%. Inovações como essa são muito bem-vindas, porque podem fazer toda a diferença na vida dos pacientes.

*Dr. Fernando Maluf é médico oncologista, cofundador do Instituto Vencer o Câncer e professor livre-docente da Faculdade de Medicina da Santa Casa de São Paulo.

Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião de Forbes Brasil e de seus editores.

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