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Diagnóstico do Câncer: Estamos Diante da Próxima Grande Transformação?

Novos exames de sangue conseguem identificar sinais da doença antes mesmo de ela aparecer nas imagens e podem mudar o futuro da detecção precoce

3 min

Recentemente, publiquei um vídeo no Instagram falando sobre o que considero uma das próximas grandes transformações da oncologia. A repercussão foi enorme. Milhares de pessoas curtiram, comentaram, compartilharam e enviaram perguntas. Isso mostra o quanto esse tema desperta interesse e esperança. Afinal, uma das maiores duvidas de quem enfrenta o câncer é justamente o diagnóstico. Quanto mais cedo a doença é identificada, maiores costumam ser as chances de tratamento e cura.

A medicina evoluiu muito nas últimas décadas. Hoje contamos com exames de rastreamento que salvam vidas, como a mamografia para o câncer de mama, a colonoscopia para o câncer colorretal e a combinação do PSA com a avaliação clínica para o câncer de próstata, entre outros. Esses exames permitem diagnosticar muitos tumores ainda em fases iniciais, quando as possibilidades de terapias são maiores.

Mas existe uma pergunta que mobiliza pesquisadores do mundo inteiro: é possível descobrir o câncer ainda antes desse momento? Ou seja, identificar a doença quando ela ainda não é visível em exames de imagem e antes mesmo de causar qualquer sintoma?

É exatamente essa a fronteira que vem sendo explorada atualmente.

Diversos grupos de pesquisa desenvolvem tecnologias capazes de detectar, por meio de um simples exame de sangue, pequenos fragmentos de DNA liberados pelas células tumorais, alterações no RNA ou padrões específicos de metilação, uma característica molecular presente em muitos tumores. A expectativa é que esses exames consigam identificar o câncer semanas ou até meses antes do diagnóstico que seria feito pelos métodos convencionais.

Um dos exemplos mais conhecidos é o teste Galleri, avaliado em estudos como o Pathfinder. Nessa pesquisa, cerca de 1% dos participantes considerados saudáveis apresentou resultado positivo para um sinal de câncer. Entre esses casos, aproximadamente 99% tiveram a presença da doença confirmada e, em 88% deles, o teste conseguiu indicar corretamente o órgão de origem do tumor.

Esses resultados mostram que essa tecnologia já deixou de ser apenas uma hipótese científica. Ainda são necessários estudos maiores, acompanhamentos por mais tempo e avaliações em diferentes populações para definir exatamente como esses exames serão incorporados à prática clínica. Também existe um desafio importante relacionado ao custo e ao acesso, fatores que podem limitar sua utilização inicialmente.

Mesmo assim, acredito que estamos diante de uma das áreas mais promissoras da oncologia. Se, nas últimas décadas, a grande revolução aconteceu com as terapias-alvo, a imunoterapia e a medicina personalizada, os próximos anos poderão ser marcados por uma transformação igualmente importante: a capacidade de detectar o câncer muito antes do que fazemos hoje.

*Dr. Fernando Maluf é médico oncologista, cofundador do Instituto Vencer o Câncer e professor livre-docente da Faculdade de Medicina da Santa Casa de São Paulo.

Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião de Forbes Brasil e de seus e ão refletem, necessariamente, a opinião de Forbes Brasil e de seus editores.

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