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Campanha Quer Mostrar os Impactos do Cigarro Além das Estatísticas

Além dos números: projeto dá voz a histórias sobre o tabagismo

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O Ministério da Saúde lançou uma iniciativa interessante para chamar a atenção da população para o tabagismo. A campanha, que tem como foco o Dia Nacional de Combate ao Fumo, celebrado em 29 de agosto, convida fumantes, ex-fumantes, familiares de pessoas que fumam, profissionais de saúde e a população em geral a compartilhar histórias que revelem os impactos do cigarro que muitas vezes permanecem ocultos.

Batizada de “Conte o que o cigarro não mostra”, a ação quer dar visibilidade aos desafios enfrentados por quem tenta parar de fumar e às mudanças provocadas pelo uso do cigarro na rotina.

Além de reunir relatos, o Ministério da Saúde pretende abrir um canal direto de diálogo sobre o tabagismo e, a partir disso, desenvolver políticas públicas de enfrentamento da questão “de forma mais ampla e humana, para além dos números”.
E essa perspectiva é especialmente importante neste momento. Um levantamento do Ministério da Saúde divulgado neste ano trouxe um alerta: depois de quase duas décadas de queda, o percentual de fumantes no Brasil voltou a crescer.

Em 2024, 11,7% da população adulta brasileira declarou fumar, segundo dados do Vigitel, inquérito que acompanha fatores de risco e proteção para doenças crônicas. Embora o índice represente uma redução importante em relação ao início da série histórica, em 2006, quando 15,7% dos adultos fumavam, ele ficou acima dos 9,2% registrados em 2023.

Ao mesmo tempo, o avanço do uso de dispositivos eletrônicos para fumar no Brasil chama atenção, especialmente entre os jovens, reforçando a necessidade de ampliar a informação sobre os riscos desses produtos e de fortalecer as estratégias de prevenção.

O tabagismo provoca mais de 8 milhões de mortes por ano no mundo. No Brasil, são cerca de 477 mortes por dia em decorrência de doenças relacionadas ao consumo de tabaco, entre elas, diversos tipos de câncer.

Os números ajudam a dimensionar o tamanho do desafio, mas não contam toda a história. Por trás de cada pessoa que fuma há uma rotina, relações, tentativas de mudança e, muitas vezes, uma série de dificuldades que não aparecem nas estatísticas.

Para alguns, abandonar o cigarro significa enfrentar uma dependência que acompanha diferentes momentos da vida. Para outros, envolve reconstruir hábitos, lidar com a ansiedade e com a abstinência, mudar comportamentos e encontrar apoio para conseguir seguir em frente.

Ouvir as histórias de quem vive ou viveu essa realidade também pode ajudar a compreender o problema de maneira mais completa. Afinal, falar sobre tabagismo não deve significar apenas alertar sobre as doenças provocadas pelo cigarro. É preciso também entender o que torna tão difícil deixar de fumar e quais caminhos podem ajudar cada pessoa nesse processo.

*Dr. Fernando Maluf é médico oncologista, cofundador do Instituto Vencer o Câncer e professor livre-docente da Faculdade de Medicina da Santa Casa de de São Paulo.

Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião de Forbes Brasil e de seus editores.

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