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Setembro Púrpura Reforça a Importância de Olhar para a Saúde da Mulher

Atenção aos sinais do corpo e acompanhamento médico são essenciais para o cuidado e a prevenção dos tumores ginecológicos

4 min

Como médico e oncologista, sei que falar sobre câncer também é falar sobre prevenção, atenção aos sinais do corpo e acesso ao diagnóstico e ao tratamento. No Setembro Púrpura, mês dedicado à conscientização sobre os tumores ginecológicos, essa conversa ganha ainda mais importância.

Estamos falando de doenças que podem atingir diferentes partes do sistema reprodutivo feminino, como o colo do útero, os ovários, o endométrio (o revestimento do corpo do útero), além da vulva e da vagina. De acordo com as estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA) para 2026, tumores do colo do útero, corpo do útero e ovário, somados, representam quase 37 mil novos casos por ano no Brasil.

São números que mostram por que precisamos abordar mais sobre a saúde da mulher e, principalmente, sobre a importância de conhecer o próprio corpo.

Quando falamos em prevenção, existe uma diferença importante entre esses tumores. O câncer do colo do útero é o único desse grupo para o qual existe uma estratégia de rastreamento populacional, com o exame Papanicolau e, mais recentemente, o DNA-HPV. Para os demais, como os tumores de ovário e de endométrio, não há evidência de que a realização de exames periódicos em mulheres sem sintomas traga mais benefícios do que riscos. Por isso, a atenção aos sinais e sintomas e a busca por avaliação médica diante de alterações persistentes são tão importantes.

Sangramentos vaginais fora do período menstrual, depois das relações sexuais ou após a menopausa devem ser investigados. Também merecem atenção corrimentos vaginais anormais, dor ou pressão na região pélvica ou abdominal, aumento persistente do volume abdominal, mudanças nos hábitos intestinais ou urinários, perda de peso ou de apetite sem explicação e cansaço persistente.

É importante lembrar que esses sintomas não significam necessariamente câncer. Eles podem estar relacionados a diversas outras condições. O ponto é não ignorar, principalmente quando persistem ou representam uma mudança em relação ao que é habitual para aquela mulher.

Nesse contexto, a consulta periódica com o ginecologista continua sendo muito relevante. Esse acompanhamento é uma oportunidade para falar abertamente sobre o corpo, a sexualidade, o ciclo menstrual, contracepção, menopausa e qualquer alteração percebida. Uma conversa franca é também uma forma de cuidado.

Há ainda medidas que fazem parte de uma vida mais saudável e ajudam a reduzir o risco de diferentes tipos de câncer. Praticar atividade física regularmente, manter um peso adequado, ter uma alimentação equilibrada, não fumar e evitar o consumo de bebidas alcoólicas são recomendações que devem fazer parte dessa rotina. No caso do câncer do colo do útero, a vacinação contra o HPV e o rastreamento recomendado são medidas fundamentais de prevenção.

Em outro artigo recente sobre os tumores ginecológicos, falei justamente sobre a importância de conhecer as diferentes doenças e compreender que o tratamento depende do tipo de tumor, do estágio em que ele é diagnosticado e das características de cada paciente. Hoje temos diversas estratégias terapêuticas e, em muitas situações, avanços que permitem oferecer tratamentos mais precisos e personalizados.

O Setembro Púrpura é uma oportunidade para reforçar essa mensagem. O autocuidado significa criar espaço para que a mulher pergunte, fale sobre sintomas, procure ajuda e tenha acesso à informação de que precisa para tomar decisões sobre a própria saúde.

*Dr. Fernando Maluf é médico oncologista, cofundador do Instituto Vencer o Câncer e professor livre-docente da Faculdade de Medicina da Santa Casa de de São Paulo.

Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião de Forbes Brasil e de seus editores.

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