1. Início
  2. /
  3. Forbes Saúde
  4. /
  5. “Com mais ferramentas de combate, pandemia perderá força”, diz CEO da Pfizer Brasil
Forbes Saúde

“Com mais ferramentas de combate, pandemia perderá força”, diz CEO da Pfizer Brasil

Marta Díez destaca o papel da inovação nos avanços relacionados à batalha contra a Covid-19

8 min
Marta Díez: “No Brasil, onde temos uma cultura forte e seguimos com um bom ritmo da imunização contra a Covid-19, fica ainda mais nítida a importância da prevenção” (Crédito: Divulgação)

Desde fevereiro de 2021 no comando da Pfizer no Brasil, assumindo um mês depois do início da vacinação no país, a executiva Marta Díez é enfática ao afirmar, em entrevista à Forbes Brasil, o papel da tecnologia e a inovação no desenvolvimento de ferramentas de combate à Covid-19. Para Marta, com outros elementos além da vacina, como os antivirais, por exemplo, o curso natural da pandemia será perder força.

“Os dois últimos anos resgataram o papel da inovação e da saúde. Muitas vezes, não nos damos conta, por exemplo, do quanto o aumento de expectativa de vida se deve aos avanços da tecnologia que obtivemos na área da saúde e que seguiremos conquistando nos próximos anos. Ao enfrentarmos a Covid-19, também ficou claro o papel da ciência para vencer essa batalha. Temos que aproveitar esse momento e manter esse tema em evidência”, destaca.

Forbes: Em entrevista ao O Globo, você comentou sobre a pandemia caminhar para ser cada vez mais leve, quais fatores fazem com que esse cenário seja possível?
Marta Díez: O grande diferencial de hoje na comparação com um ano atrás, sem dúvida, é a vacina. Já é possível observar que as taxas de mortalidade e de casos graves vêm caindo ao redor do mundo, ao mesmo tempo que também podemos notar, em alguns países, os impactos negativos da baixa adesão à vacinação. No Brasil, onde temos uma cultura forte e seguimos com um bom ritmo da imunização contra a Covid-19, fica ainda mais nítida a importância dessa prevenção, inclusive no enfrentamento da Ômicron. Além disso, com as novas ferramentas disponíveis para o combate à pandemia, como os antivirais, o curso natural da pandemia será perder força, mas isso não quer dizer que a doença sumirá completamente, ainda teremos o vírus circulando, porém, aprenderemos a conviver com ele.

LEIA TAMBÉM: Entenda por que Ômicron pode indicar que a pandemia de Covid-19 está no fim

F: A Pfizer esteve globalmente no foco nos últimos anos em função da vacina, como que a empresa estava preparada do ponto de vista de inovação e tecnologia para responder a esse tipo de visibilidade e demanda?
MD: Investimos todos os anos mais de US$ 8 bilhões em pesquisa e desenvolvimento, direcionando nossos recursos para seis áreas terapêuticas: vacinas; inflamação e imunologia, oncologia, doenças raras, hospitalar e medicina interna. De fato, no ano passado e neste ano, por conta da pesquisa da vacina e do antiviral, esse número é bem maior. Com mais de 100 moléculas em estudo, nosso objetivo é levar aos pacientes grandes avanços que mudem suas vidas, focando em necessidades médicas não atendidas. No caso da vacina contra a Covid-19, é importante destacar o benefício da tecnologia que usa RNA mensageiro sintético para auxiliar o organismo a gerar anticorpos contra o vírus, capaz de conferir rapidez para a fabricação do imunizante, quando comparamos às vacinas tradicionais. Já estávamos trabalhando nesta tecnologia com a BioNTech desde 2018 no estudo de uma vacina contra o vírus da influenza, e com a chegada da pandemia, conseguimos redirecionar rapidamente nossos estudos para que essa tecnologia pudesse ajudar no combate ao SARS-COV-2.

F: O que uma empresa como a Pfizer, na linha de frente de uma pandemia, aprende do ponto de vista de gestão e inovação, sobretudo na liderança para com os colaboradores?
MD: Uma grande conquista deste período é a de demonstrar que podemos mudar a vida dos nossos pacientes por meio da ciência. Fazer o impossível se tornar possível é uma tarefa árdua. Motivamos nossos colaboradores a atuar pautados pelo propósito de mudar a vida dos pacientes e de praticar valores sempre com coragem, excelência, equidade e alegria. Além disso, por meio de nosso valor de equidade, queremos atuar para que todos tenham direito à saúde no país. Um exemplo poderoso de nossa capacidade e cultura foi visto na resposta da empresa à pandemia do Covid-19. Investimos mais de US$ 2 bilhões a risco, inspiramos colegas a entregar uma vacina segura e eficaz em apenas oito meses – um processo que normalmente leva de 8 a 10 anos – sem comprometer a qualidade ou a integridade. E um ano depois, continuamos a nos mover na velocidade da ciência, desenvolvendo o primeiro tratamento antiviral oral autorizado pelo FDA para tratar a Covid-19, implementando o mesmo senso de urgência e novas formas de trabalho que tornaram o programa de vacinas tão bem-sucedido. Estamos aplicando muitos desses princípios de “velocidade da luz” a projetos em uma ampla gama de áreas terapêuticas, incluindo câncer, doenças cardiovasculares e condições inflamatórias.

LEIA TAMBÉM: Pfizer diz que comprimido antiviral reduz risco de Covid-19 grave em 89%

F: O que os últimos dois anos ensinaram para a indústria e como avançaremos em relação à inovação e tecnologia orientada à saúde?
MD: Esse período resgatou o papel da inovação e da saúde. Muitas vezes, não nos damos conta, por exemplo, do quanto o aumento de expectativa de vida se deve aos avanços da tecnologia que obtivemos na área da saúde e que seguiremos conquistando nos próximos anos. Ao enfrentarmos a Covid-19, também ficou claro o papel da ciência para vencer essa batalha. Temos que aproveitar esse momento e manter esse tema em evidência, valorizando tudo que é feito por médicos, pesquisadores, cientistas e indústrias farmacêuticas para que possamos ter vidas mais felizes e saudáveis. Ao longo de 2020 e 2021, vimos empresas como a nossa ganhar destaque, porque todos se deram conta de que sem saúde não há emprego, não há economia, não há lazer, nem encontros com a família. E, se hoje estamos enfrentando uma pandemia com rapidez e agilidade, isso se deve à ciência de ponta. Importante reforçar que o investimento em saúde é essencial e precisa permanecer nos pós pandemia. Prevenção é chave, não só contra a Covid-19 mas contra outras tantas doenças para as quais temos vacinas e tratamentos seguros e eficazes.

Dado Ruvic/Reuters
Dado Ruvic/ReutersO antiviral, de acordo com a Pfizer, diminui em 89% as chances de hospitalização ou morte em adultos com risco de desenvolver uma doença grave (Crédito: Reuters)

F: O que representa o desafio de liderar uma companhia que exerceu tamanha importância no combate à pandemia?
MD: Acredito que mais do que desafios, tenho grandes oportunidades e a oportunidade única de entender as peculiaridades de um país continental como o Brasil e de contribuir com a saúde de uma população diversa. São muitos “Brasis” dentro de um mesmo país e isso é muito enriquecedor. Tenho também a grande oportunidade de atuar ao lado dos colegas e de diversos públicos – sociedade em geral, governo, médicos, associações de pacientes, entre outros, que estão dedicados a melhorar a saúde dos brasileiros. Como mulher, tenho também a oportunidade de motivar que mais e mais mulheres cheguem a altos postos dentro das corporações, tornando, assim, o ambiente empresarial mais diverso, e de inspirar meninas e mulheres jovens que precisam de referências femininas para motivá-las a alcançar o que elas sonham. Acredito que, todos os dias, tenho a oportunidade de mudar a vida de alguém. Uma pessoa que hoje foi imunizada com nossa vacina contra a Covid-19, por exemplo, teve sua vida impactada pelo trabalho de milhares de pessoas. Ter a chance de fazer parte dessa jornada é um grande privilégio.

LEIA TAMBÉM: Com vacina em game, Pfizer quer ampliar conscientização no combate à Covid-19

F: A Pfizer protagonizou um case muito interessante utilizando um game para educar sobre a vacina, o quanto essas novas tecnologias são importantes na conscientização do ato de vacinar?
MD: A pandemia acelerou ainda mais a transformação digital, impactou o comportamento dos consumidores e consequentemente a forma como empresas de diferentes setores se relacionam com seus clientes. Esse cenário de mudanças abriu novos caminhos e oportunidades também para o setor farmacêutico. Estamos mudando a maneira com que engajamos os clientes, buscando entregar uma experiência diferenciada. Esta foi a ideia do game: por meio de uma experiência personalizada, lembrar que a vacinação é um pacto coletivo, mas de decisão individual, reforçando a importância do cumprimento do calendário vacinal contra a Covid-19 na vida real e de incentivar a para a retomada das nossas vidas. Acreditamos que instrumentos lúdicos como esse e outros a que a Pfizer recorre em suas ações e campanhas de responsabilidade social ajudam a disseminar, de forma didática e leve, informações importantes que podem ajudar o público na tomada de decisão sobre cuidados com a saúde, como é o caso de se vacinar

Assine Forbes. Inspire-se, lidere, conquiste. Ao se cadastrar, você concorda com nossa Política de Privacidade e com o uso de seus dados para fins de comunicação.