A Adecoagro anunciou a compra da usina sucroenergética Caarapó, localizada no estado de Mato Grosso do Sul, por US$ 148 milhões (R$ 821 milhões na cotação atual), em uma operação que tem como objetivo ampliar sua capacidade de produção de açúcar, etanol e energia renovável em um dos mais importantes polos sucroenergéticos do mundo.
A aquisição foi acertada com a Raízen, gigante brasileira dos setores de energia e agronegócio, e inclui não apenas a planta industrial, mas também aproximadamente 30.000 hectares de cana-de-açúcar própria e contratos de fornecimento com produtores da região.
Fundada em 2002 por um grupo de empresários liderados por Mariano Bosch, a Adecoagro transformou-se em uma das maiores companhias agroindustriais da América do Sul. Atualmente desenvolve atividades na Argentina, no Brasil e no Uruguai e tem ações negociadas na Bolsa de Valores de Nova York sob o código AGRO.
A companhia brasileira passa por um profundo processo de reestruturação de seus negócios, que a levou, no mês passado, a vender, na Argentina, seus ativos da Shell, adquiridos pela suíça Mercuria Energy em associação com o empresário argentino José Luis Manzano.
A usina tem capacidade para processar cerca de 4 milhões de toneladas de cana-de-açúcar por safra, volume que complementará as operações que a Adecoagro já desenvolve no Brasil.
A empresa informou que a operação será financiada integralmente com recursos próprios e espera que ela tenha impacto positivo sobre seus resultados “desde o primeiro dia”, graças às sinergias operacionais e à proximidade geográfica com suas outras plantas industriais.
Para a Adecoagro, o negócio de açúcar, etanol e geração de energia elétrica representa um dos segmentos de maior crescimento dentro de seu portfólio. A companhia já opera três complexos industriais no Brasil e produz açúcar para exportação, etanol destinado ao mercado de combustíveis e eletricidade a partir do bagaço da cana, que é injetada no sistema elétrico brasileiro.
Renato Junqueira Pereira, vice-presidente do negócio de Açúcar, Etanol e Energia da Adecoagro, afirmou que a aquisição constitui uma “extensão natural” das operações atuais e permitirá obter ganhos de eficiência logística e industrial praticamente de forma imediata.
Além de produzir grãos, arroz e lácteos, a empresa tornou-se uma das principais participantes regionais no setor de energias renováveis a partir de biomassa. Nos últimos anos, também ampliou seu negócio de alimentos com a compra das marcas Las Tres Niñas e Molinos Ala.
O Brasil é o maior produtor e exportador mundial de açúcar e o segundo maior produtor global de etanol. Seu programa de biocombustíveis, em vigor há décadas, garante uma demanda sustentada pelo combustível produzido a partir da cana-de-açúcar, enquanto a geração de energia por meio da biomassa constitui um negócio complementar de rentabilidade crescente.
Na Argentina, a desaceleração da inflação, a normalização do mercado cambial e o avanço de reformas voltadas para melhorar o ambiente de negócios começam a reativar as decisões de investimento do setor privado, especialmente em atividades ligadas à exportação e à agregação de valor agroindustrial.
Publicada originalmente em Forbes Argentina