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“Lista Forbes As 100 Mulheres Poderosas do Agro” Ganha Sua Segunda Edição

Cinco anos após reunir pela primeira vez uma centena de lideranças femininas, Forbes retoma a seleção que percorre diferentes regiões, atividades e espaços de decisão do agro brasileiro

90 min

Em 2021, a Forbes Brasil lançou a primeira “Lista Forbes As 100 Mulheres Poderosas do Agro”, uma iniciativa inédita em dimensão na comunicação do agronegócio brasileiro. Em vez de selecionar 10 ou 15 nomes, como ocorre nas demais listas da publicação, a escolha foi reunir 100 mulheres de diferentes regiões, gerações e atividades, reconhecendo que o poder feminino no setor não estava concentrado em um único grupo de lideranças. A Forbes retorna à seleção original, em sua segunda edição cinco anos depois, para celebrar o Dia Internacional da Mulher Rural, neste 15 de outubro, incorporando ao levantamento uma compreensão ampliada sobre o significado de poder, influência e impacto.

A escolha de 100 nomes dá espaço para olhar além das posições de maior visibilidade, incluindo produtoras rurais, pesquisadoras, executivas, empreendedoras e lideranças institucionais. Desde a primeira edição, a proposta foi identificar mulheres com responsabilidade sobre negócios, recursos, pessoas e decisões, mas também aquelas cuja atuação modifica práticas produtivas, desenvolve tecnologias e mobiliza diferentes setores da economia rural nem sempre sob holofotes.

Nos quatro anos seguintes à primeira edição da lista As 100 Mulheres Poderosas do Agro, a Forbes passou a investigar dimensões específicas dessa participação. Em 2022, apresentou os 50 Grupos de Mulheres do Agro Brasil, destacando o associativismo e as redes de apoio. Em 2023, a seleção das 100 Mulheres Doutoras do Agro voltou-se à ciência e à pesquisa aplicada à produção agropecuária na academia e nas empresas do setor. Em 2024, a lista das 50 Mulheres que Levam o Agro do Brasil para o Mundo acompanhou brasileiras em posições internacionais, enquanto a edição de 2025 apresentou Mulheres da Geração Z, com trajetórias ligadas à sucessão familiar, ao empreendedorismo e às tecnologias digitais.

Esse percurso de cinco anos também contribuiu para uma distinção que orienta a curadoria de 2026. Poder, impacto e influência são conceitos relacionados, mas não equivalentes. O poder está associado à capacidade de decidir sobre recursos, pessoas, investimentos, estratégias, produção e mercados. O impacto corresponde às consequências dessa atuação na adoção de uma tecnologia, na expansão de uma atividade econômica, na abertura de mercados ou na transformação de uma cadeia produtiva.

Já a influência está relacionada à capacidade de mobilizar, orientar e levar outras pessoas a agir. Não depende necessariamente da exposição pública ou da audiência nas redes sociais. Uma pesquisadora pode desenvolver uma tecnologia utilizada em milhões de hectares sem ocupar uma posição executiva. Uma liderança de cooperativa pode modificar as condições de produção e comercialização de centenas de famílias sem ser conhecida fora de sua região. Na segunda edição da “Lista Forbes As 100 Mulheres Poderosas do Agro”, essas três vertentes estão na escolha dos nomes. Os nomes das mulheres que constam a seguir são apresentados em ordem alfabética, exceto para os dois primeiros, de Nina Plöger, atual presidente do Forbes Mulher Agro (FMA), e Helen Jacintho, sua primeira presidente, participando do processo de construção do grupo que nasceu justamente a partir da lista de 2021.

CONFIRA QUEM SÃO ELAS:

1 – Helen Jacintho, produtora rural e cofundadora do FMA

Helen Jacintho foi a primeira presidente do Forbes Mulher Agro, grupo lançado em 2023 na Agrishow, em Ribeirão Preto (SP). Ela já era colunista da Forbes quando foi convidada em 2022 para ajudar na estruturação e na concepção do grupo, que funciona como um think tank.

Engenheira de alimentos, Helen leva para a fazenda métodos da indústria, como o sistema Toyota de produção. Com o marido, Bruno, ela comanda a Continental, em Barretos (SP), e a Regalito, em Flores de Goiás (GO), onde faz pecuária intensiva com um biodigestor que converte os dejetos do confinamento em biogás e biofertilizante, ao lado de cana, grãos, seringueira e teca. Helen também é conselheira do Conselho Superior do Agronegócio da Fiesp (Cosag) e cofundadora da associação De Olho no Material Escolar, que discute como o agro aparece nos livros didáticos.

2 – Nina Plöger, economista e presidente do FMA

Economista, Nina Plöger circula entre a terra, a floresta e a mesa de negociação internacional. É acionista e representante da quarta geração da Melhoramentos, grupo centenário de base florestal com mais de 16 mil hectares, metade deles de mata nativa. Desde 2024 preside o Forbes Mulher Agro. Com o marido, Ingo Plöger, fundou o Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento Estratégico (IPDES), que assessora multinacionais em cenários e investimentos no Brasil e na América Latina.

Nina é uma liderança que leva o agro às rodas diplomáticas. Ela atua nas negociações Brasil-Alemanha da comissão de agronegócio do Encontro Econômico Brasil-Alemanha, é conselheira da Câmara Brasil-Israel e integra o comitê de sustentabilidade da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) e o Conselho Superior do Agronegócio da Fiesp (Cosag).

3 – Adriana Maugeri, da Câmara Setorial de Florestas Plantadas


Para Adriana Maugeri, a Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Florestas Plantadas funciona como uma pequena ONU: produtores, indústria, universidades e governo, cada um com sua bandeira, numa mesma sala. Desde fevereiro de 2024 é ela quem conduz essa diplomacia, como a primeira mulher a presidir o colegiado do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), num universo de 32 câmaras em que só duas têm mulheres no comando.

Chegou lá pelo caminho do campo. Foi na Plantar, entre licenças ambientais, regularização de terras e certificações florestais, que aprendeu a negociar com comunidades, órgãos públicos e tribunais. Desde 2018 preside a Associação Mineira da Indústria Florestal (Amif), em Belo Horizonte, e fala por Minas Gerais, dono da maior área de florestas plantadas do país. No conselho da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), representa as associações estaduais. Sua briga é provar que eucalipto plantado gera renda nos municípios e ajuda a conservar a natureza.

4 – Adriana Reis, do Centro de Inovação do Cacau (BA)


Quando o cacau fino entra em qualquer agenda, Adriana Reis fala como quem prova a amêndoa antes de defendê-la. E defende muito. Há anos ela percorre eventos, salas de degustação e conversas com produtores com um recado insistente: o Brasil pode ter um dos melhores cacaus do mundo, desde que aprenda a reconhecer o que tem nas mãos. “É preciso que o produtor entenda a qualidade”, repete.

Doutora em biologia e biotecnologia de micro-organismos, ela traduz em linguagem de roça o que acontece na fermentação, de onde vêm os aromas e por que um defeito derruba o preço. Como gerente de qualidade do Centro de Inovação do Cacau (CIC), em Ilhéus (BA), Adriana coordena o painel técnico do Concurso Nacional de Cacau Especial, a vitrine que leva amostras brasileiras ao Cocoa of Excellence, principal premiação mundial do setor. Para ela, cada amêndoa premiada prova que a qualidade é uma escolha.

5 – Alessandra Zanotto, da Associação Baiana de Produtores de Algodão

Alessandra Zanotto Costa comanda a Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa), que reúne cerca de 140 agricultores do segundo maior estado produtor da fibra do país. Assumiu a presidência em janeiro de 2025, e em outubro de 2026 foi reeleita para o biênio 2027-2028. Na gestão, ela colocou como prioridades inovação, capacitação de mão de obra e sustentabilidade, além de defender a ampliação do embarque de algodão pelo Porto de Salvador, hoje uma rota secundária diante de Santos.

Alessandra também integra o conselho fiscal da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) e o comitê Women in Cotton da International Cotton Association. Nascida em Barreiras (BA), filha de produtores paranaenses que migraram para o oeste baiano, ela deixou a faculdade para ajudar na fazenda quando o pai adoeceu. Hoje é sócia-diretora do Grupo Zanotto, em Luís Eduardo Magalhães (BA), que cultiva algodão, soja e milho, além de criar gado.

6 – Amanda Pelizzer Lerin, da Vinícola Aurora (RS)

Ela só tem 24 anos e representa uma nova geração de mulheres que ocupam espaços importantes no setor do agro. Amanda Pelizzer Lerin é a 2ª vice-presidente do Conselho de Administração da Cooperativa Vinícola Aurora, em Bento Gonçalves (RS), e a primeira mulher a integrar a direção do conselho em 95 anos de história. Não é pouco: a Aurora reúne cerca de 1.100 famílias de viticultores em 11 municípios da Serra Gaúcha, soma 3 mil hectares de vinhedos e faturou R$ 888,4 milhões em 2025.

Nascida no distrito de São Pedro, Amanda é viticultora e enóloga formada pelo Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS) e cultiva no próprio vinhedo variedades como Merlot, Riesling, Viognier, Pinotage, Bordô e Isabel. Entrou na cooperativa em 2020, pelo programa Aprendiz Cooperativo do Campo. Na direção, defende espaço para jovens, mulheres e sucessão familiar, desafio central de uma vitivinicultura feita em pequenas propriedades. Em 2026, foi homenageada no 1º Prêmio Campo e Batom, na Expointer.

7 – Amanda Hoch, da Tilápia Leather

O que os frigoríficos jogavam fora, Amanda Hoch transformou em couro de exportação. Zootecnista gaúcha, quarta geração de uma família de curtidores que trabalha com peles desde 1929, ela é uma das pioneiras do curtimento de couro de tilápia no Brasil. Acostumada ao couro de boi e búfalo da tradição familiar, relutou no início, mas seguiu o conselho do pai, que via no peixe o futuro do ofício. Entre 2004 e 2008, estudou o curtimento de peles exóticas como colaboradora científica da Universidade Estadual de Maringá (UEM).

Em 2018, Amanda fundou a Tilápia Leather, em Andradina (SP), onde produz cerca de 2 mil peças por mês com uma equipe majoritariamente feminina. O couro abastece mais de 50 artistas e chega a sete países, entre eles Estados Unidos, Itália e Inglaterra. Já virou vestido de noiva, biojoia e uma sandália da marca Schutz, que tem entre seus principais acionistas e executivos o empresário e designer Alexandre Birman.

8 – Ana Amélia Paulino, pecuarista e presidente de sindicato (GO)

Advogada de formação, Ana Amélia Paulino foi a primeira mulher a ocupar uma diretoria do Sindicato Rural de Porangatu, no norte de Goiás, e a primeira a presidi-lo em 58 anos de história. Eleita no início de 2024, disputa no fim de outubro a reeleição para um mandato que vai até 2029. Não é um posto qualquer: Porangatu tem o terceiro maior rebanho bovino do estado, com cerca de 458 mil cabeças, atrás de Nova Crixás e São Miguel do Araguaia

Ana Amélia é um caso raro no sindicalismo. Em Goiás, dos 121 sindicatos rurais existentes, apenas 10 têm mulheres na presidência. Na Fazenda Barra das Onças, da família, ela está à frente de um rebanho de 3 mil bovinos Nelore e uma criação de cavalos de raça. Além disso, preside a comissão de equideocultura da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg).

9 – Ana Cláudia Mendes de Souza, diretora na ABCZ

Na Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), entidade que mantém o registro genealógico das raças zebuínas no país, Ana Cláudia Mendes de Souza abriu uma porta que estava fechada. Na gestão 2023-2025, foi a primeira mulher a ocupar a vice-presidência da associação, sediada em Uberaba (MG). Na gestão 2026-2028, voltou à diretoria como a única mulher entre 17 cargos, responsável pelas Relações Internacionais e pela Coordenação de Ensino, Cultura e Relações Públicas.

A agenda externa não é novidade para Ana Cláudia: entre 2016 e 2019, ela já havia dirigido a área internacional da entidade, levando a genética zebuína brasileira a feiras e intercâmbios fora do país. Filha e neta de pecuaristas, formou-se em Administração e passou pelo setor de mineração antes de se dedicar à seleção de gado. Na Fazenda Amar, em Uberaba, conduz o melhoramento genético de Guzerá e Nelore.

10 – Ana Lúcia de Paula Viana, adida em Washington (EUA)

Em Washington, quem fala pelo agro brasileiro junto ao governo dos Estados Unidos é Ana Lúcia de Paula Viana. Designada em 2023, é a primeira mulher a ocupar o posto de adida agrícola do Brasil na capital americana, no maior mercado consumidor do mundo e num período de tensão comercial entre os dois países. Chegou lá depois de abrir outra porta.

Em 2019, tornou-se a primeira mulher a dirigir o Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Dipoa) do Ministério da Agricultura em 105 anos de história, à frente de cerca de 5 mil estabelecimentos fiscalizados e mais de 2 mil servidores. Comandou o serviço durante a pandemia, quando manteve a produção funcionando e respondeu a auditorias da União Europeia e da China. Médica veterinária formada pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, começou como auditora fiscal num abatedouro de aves em Dois Vizinhos (PR), e construiu a carreira dentro da inspeção que garante a carne brasileira no mundo. Ana Lúcia também integrou a primeira edição da “Lista Forbes As 100 Mulheres Poderosas do Agro”, em 2021

11 – Ana Maria Soares Valentini, da Irriganor (MG)

O Noroeste Mineiro tem a maior área irrigada do Brasil, e nessa região a gestão da água é coisa de mulher. Desde 2025, a Associação dos Produtores Rurais e Irrigantes do Noroeste de Minas Gerais (Irriganor) é presidida por Ana Maria Soares Valentini, que sucedeu a produtora Rowena Betina Petroll, hoje vice-presidente da entidade. É uma volta para casa.

Ana Maria já havia comandado a Irriganor e deixou o posto em 2019 para se tornar a primeira mulher secretária de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais, cargo que ocupou até 2022. De volta, lidera cerca de 520 associados em 17 municípios, entre eles Paracatu e Unaí, que estão entre os municípios com maior área irrigada por pivôs do país.

12 – Ana Paula Losi, da AIPC

Quase todo o cacau moído no Brasil passa por empresas que falam pela voz de Ana Paula Losi. Presidente-executiva da Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau (AIPC), ela representa a indústria que reúne Barry Callebaut, Cargill e Olam, responsáveis por cerca de 97% da compra e moagem de amêndoas do país. Chegou à entidade em 2020, como diretora-executiva, e em 2023 tornou-se a primeira mulher a presidi-la.

Ana Paula traz na bagagem mais de duas décadas em relações governamentais, com passagens pelas consultorias Patri e Umbelino Lôbo e pela agência global BCW, e hoje também é vice-presidente do Instituto de Relações Governamentais (Irelgov). Em um momento de virada, com a produção nacional de cacau em forte alta, é ela quem traduz os números do setor e negocia com governo, produtores e mercado os rumos de uma cadeia que vai das roças da Bahia e do Pará às fábricas de chocolate.

13 – Ana Paula Zapelini de Melo, doutora em Ciência dos Alimentos

Quando o petróleo chegou às praias do Nordeste em 2019, o país precisava saber, e rápido, se o peixe que chegava à mesa era seguro. A resposta veio de onde ninguém esperava: uma máquina de café expresso. Ana Paula Zapelini de Melo, então doutoranda em Ciência dos Alimentos na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em Florianópolis, adaptou a cafeteira para extrair contaminantes do petróleo de amostras de peixes e frutos do mar.

Validado pelas regras do Ministério da Agricultura e da União Europeia, o método de baixo custo virou o primeiro protocolo oficial do Brasil para monitorar esses contaminantes no pescado. A tese, defendida em 2023, levou em 2024 o Prêmio Capes de Tese em Ciência de Alimentos e o Grande Prêmio Ennio Candotti, de Ciências da Vida. Em 2025, aos 33 anos, ela entrou para a lista Innovators Under 35 Brasil, da MIT Technology Review. Seu pós-doutorado tem como alvo a contaminação de peixes por nano e microplásticos.

14 – Ana Paula Repezza, da CropLife Brasil

Quando uma semente chega às lavouras brasileiras antes de ser aprovada na China, o problema deixa o campo e vira diplomacia comercial. É nesse terreno que Ana Paula Repezza joga desde maio de 2026, quando se tornou a primeira mulher a presidir a CropLife Brasil. A entidade reúne empresas de sementes, biotecnologia, defensivos químicos e bioinsumos, um setor que movimentou R$ 114,1 bilhões em 2024, último dado oficial disponível.

Na agenda de Ana estão a regulamentação da Lei dos Bioinsumos, um mercado de biológicos que chegou a R$ 6,2 bilhões em 2025; a atualização da Lei de Proteção de Cultivares e a aproximação das regras brasileiras com as de grandes compradores, como a China. Ana chega ao comando da CropLife com 25 anos de política comercial. Foi secretária-executiva da Câmara de Comércio Exterior (Camex), ligada à Presidência da República, e diretora de Negócios da ApexBrasil, onde liderou mais de 50 missões internacionais na América Latina, na África e na Ásia.

15 – Andréa Mesquita, do Território da Carne

A carne bovina brasileira recebe tecnologia da genética ao frigorífico, mas muitas vezes chega ao balcão pelas mãos de quem nunca teve formação técnica. É nesse vazio que atua Andréa Mesquita, fundadora e diretora do Território da Carne, em São Paulo. Desde 2017, a startup ensina açougueiros, donos e gerentes do pequeno varejo a conhecer a proteína que vendem e a faturar mais com ela. Seu lema nas redes socias é “Por um mundo com + açougues do que farmácias”.

A zootecnista aprendeu o ofício dentro da maior empresa de carnes do mundo. Entrou em 2011 como trainee da JBS e meses depois já estava na engenharia de processos, padronizando rotinas e cortando custos em 48 frigoríficos espalhados pelo país. Aos 26 anos, chefiava uma equipe de produção só de homens. E quando decidiu ensinar, pegou a estrada: rodou mais de 7 mil quilômetros entre Belém e São Paulo e foi conhecer a cadeia da carne em oito países.

16 – Andrea Sanches Fernandes, da CerradinhoBio (SP)

Em uma empresa familiar do porte da CerradinhoBio, uma das maiores produtoras de etanol de milho do país, além de etanol cana, Andrea Sanches Fernandes ocupa dois postos que ligam o negócio à família e às comunidades onde opera. Desde 2019, ela integra o conselho de administração da companhia, controlada integralmente pela família Sanches Fernandes, num setor em que mulheres ainda são raras nos colegiados. Também preside o conselho do Instituto Sanches Fernandes, criado em 2021 para profissionalizar o braço social do grupo.

Para Andrea, o instituto é a forma de a família deixar um legado e garantir gestão e fiscalização dos investimentos sociais. Sob sua presidência, a entidade passou a reunir projetos de saúde, educação, cultura e assistência social em Catanduva (SP), Chapadão do Céu (GO) e Uberlândia (MG), da formação profissional de jovens ao atendimento de pessoas com deficiência física.

17 – Belisa Souza Maggi, da Fundação Amaggi (MT)


Belisa Souza Maggi preside a Fundação André e Lucia Maggi, hoje Fundação Amaggi, braço de investimento social de um dos maiores grupos do agronegócio brasileiro. Neta dos fundadores, André e Lucia Maggi, ela também é acionista do grupo e sócia-administradora da Agropecuária Pirapora, empresa da família. Criada em 1997 em Sapezal (MT), a Fundação Amaggi está em 67 municípios de 9 estados, onde leva projetos sociais às comunidades em que o grupo atua.

Belisa assumiu o conselho curador da fundação em 2018. Formada em Direito, com pós-graduação em Inteligência Socioemocional e especialização em Desenvolvimento da Primeira Infância por Harvard, preside ainda o Instituto Signativo, dedicado à educação socioemocional de crianças, adolescentes e educadores.

18 – Bernardete Lorenção, do Sítio Lorenção (ES)

Tradição, produção e turismo cabem na mesma história, e ela tem nome: Bernardete Lorenção, a Dete. Em Venda Nova do Imigrante (ES), capital nacional do agroturismo, ela ajudou a provar que a porteira aberta ao visitante pode sustentar uma família e projetar uma região. O Roteiro das Montanhas Capixabas reúne 10 municípios com fortes tradições da colonização alemã e italiana. Costureira de vestidos de noiva, aprendeu com a sogra, Cacilda Caliman, a curar o socol, lombo suíno temperado só com sal, alho e pimenta, receita trazida da Itália pelos antepassados da família.

Na década de 1990, quando a cidade começou a receber turistas no campo, ela assumiu a linha de frente do Sítio Lorenção. Com apoio do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), profissionalizou a produção e foi uma das produtoras que conquistaram, em 2018, a Indicação de Procedência do socol. Hoje, os filhos Graccielli e Bernardo dividem com ela a produção.

19 – Bia Pereira, do Azeite Sabiá (SP)


A Sabiá é um negócio pequeno em volume, mas mudou a percepção do azeite brasileiro no mundo. À frente da marca está a jornalista Beatriz Pereira, a Bia, sócia do publicitário Bob Vieira da Costa. O casal transformou uma antiga fazenda de gado em Santo Antônio do Pinhal (SP), na Serra da Mantiqueira, em um olival. Em 2017, eles compraram 440 hectares em Encruzilhada do Sul (RS), onde estão 32,8 mil oliveiras em 110 hectares, com investimento de cerca de R$ 12 milhões.

Ela comanda um negócio em que poucas figuras femininas se destaca. E está à frente de um movimento de valorização do setor. Com mais de 100 prêmios, seu rótulo foi o único das Américas no top 10 do espanhol Evooleum. No guia italiano Flos Olei, foi eleito o melhor azeite do mundo na categoria médio frutado em 2025. Na edição 2026, recebeu 98 de 100 pontos, a maior nota já dada a uma marca brasileira. Na Mantiqueira, a fazenda recebe cerca de 500 visitantes por fim de semana.

20 – Camila Colpo, da Boa Safra Sementes (GO)

Em um país onde oito em cada dez cadeiras de conselho são ocupadas por homens, a engenheira agrônoma Camila Colpo preside desde 2015 o conselho de administração da Boa Safra Sementes, de Formosa (GO), companhia listada na B3 e dona de cerca de 10% do mercado nacional de sementes de soja. Cofundadora e acionista controladora ao lado do irmão, o CEO Marino Colpo, desde o início seu foco de trabalho foi a qualidade técnica da produção. Em 2025, a empresa faturou R$ 2,6 bilhões, alta de 42%, com sementes multiplicadas por cerca de 350 agricultores parceiros em 300 mil hectares.

Filha de gaúchos que chegaram a Goiás em 1979, quando poucos apostavam no Cerrado, Camila formou-se pela Universidade Federal de Goiás (UFG) e especializou-se em melhoramento genético de milho e girassol na França. É pós-graduada em gestão do agronegócio e formada em governança pelo Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC)

21 – Camila Corrêa Vargas, da agtech BioIn Biotecnologia

Em julho de 2026, a BioIn Biotecnologia, liderada por Camila Corrêa Vargas, foi celebrada como o principal case de sucesso da história do HackatAgro, uma das maiores maratonas de inovação do agronegócio do Sul, na retrospectiva Hall da Fama do evento. A trajetória começou em 2019, com o primeiro lugar na edição inaugural, no Tecnopuc, em Porto Alegre (RS), e chegou a uma biofábrica de escala comercial no Centro de Biotecnologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

O carro-chefe é a microvespa Trichogramma pretiosum, que deposita seus ovos nos ovos de lagartas e interrompe o ciclo da praga antes do estrago na lavoura. A ideia nasceu na pós-graduação, quando Camila percebeu que a tecnologia, capaz de reduzir o uso de defensivos químicos, não chegava aos agricultores familiares gaúchos. Com mestrado e doutorado em fitotecnia pela UFRGS, ela também desenvolve parasitoides contra percevejos da soja e moscas-das-frutas.

22 – Carla de Freitas, pecuarista em Rondônia

Pecuarista em Rondônia, Carla de Freitas é quase um sinônimo da organização das mulheres do agro em núcleos, modelo que cresceu e se consolidou na última década e hoje se espalha em inúmeros grupos pelo país. Ela está nessa história desde o começo da atual fase das mulheres do agro. Em 2010, ao lado das produtoras rurais Cristina Bertelli e Maria Stella Damha, cofundou o Núcleo Feminino do Agronegócio (NFA), primeira associação de mulheres do setor no Brasil, nascido em reuniões na Sociedade Rural Brasileira. Foi a primeira presidente, voltou a comandar o núcleo em 2021 e hoje integra seu conselho consultivo.

Carla também é conselheira do Conselho Superior do Agronegócio da Fiesp (Cosag), raramente perde uma reunião e entre seus pares é considerada uma voz que se faz ouvir. Dentro da porteira, dirige desde 1997 a Agropecuária Bela Vista, em Chupinguaia, em processo de sucessão aos filhos e um modelo de referência no Estado, onde trocou a pecuária extensiva pela integração lavoura-pecuária. Carla também integrou a primeira edição da “Lista Forbes As 100 Mulheres Poderosas do Agro”, em 2021.

23 – Carmen Perez, pecuarista e ativista de bem-estar animal (MT)

Nos últimos cinco anos, Carmen Perez transformou a Fazenda Orvalho das Flores, em Araguaiana (MT), naquilo que ela pregava: um local para provar que o bem-estar animal dá lucro. Ali, a mortalidade de bezerros caiu de 14% para 1,6% na última temporada, sem contratar gente nem erguer estruturas. A virada veio de treinamento da equipe, procedimentos padronizados e metas atreladas a bônus. Para levar o método a outras fazendas, ela criou o curso Rebanho de Valor, de gestão de pessoas e manejo.

Carmen também levou o tema às telas com o projeto Quando Ouvi a Voz da Terra. O documentário estreou no dia 25 de outubro de 2021 e virou websérie em 2022. Em 2025, lançou outro longa, o filme Um Outro Olhar, com a especialista americana Temple Grandin e o professor brasileiro Matheus Paranhos, seu guru e mentor. Paulista, Carmen se mudou aos 22 anos para o Mato Grosso com uma condição: queria criar gado com respeito. Em 2016, ela aboliu a marcação a ferro do rebanho, que é uma bandeira de vida. Carmen integrou a primeira edição da “Lista Forbes As 100 Mulheres Poderosas do Agro”, em 2021.

24 – Carminha Gatto Missio, da Federação de Agricultura e Pecuária da Bahia

Primeira mulher a ocupar a vice-presidência da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado da Bahia (Faeb), Carminha Gatto Missio foi reconduzida ao cargo para o mandato 2026-2030, numa das poucas diretorias de federação estadual do agro com presença feminina. Produtora rural e advogada em Luís Eduardo Magalhães, no oeste baiano, Carminha presidiu o sindicato de produtores do município, é conselheira da Sementes Oilema, de soja e sorgo, e representa a Bahia na Comissão Nacional das Mulheres do Agro da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

Nascida em Espumoso (RS), em uma família de dez irmãos, ela estudou até a quarta série em escola rural e foi entrar em uma faculdade de direito aos 45 anos. Passou mais de 20 anos no setor de sementes em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, enquanto o pai e os irmãos abriam lavouras no Cerrado baiano nos anos 1980. Os parceiros a chamam de Rainha das Sementes, e ela usa a tribuna da federação para defender uma política ainda mais intensa de capacitação das mulheres no campo. Carminha integrou a primeira edição da “Lista Forbes As 100 Mulheres Poderosas do Agro”, em 2021.

25 – Caroline Schneider Barcellos, de Palmas (TO)


Em mais de três décadas de Aprosojas no Brasil, nenhuma mulher havia chegado à presidência de uma associação estadual. Caroline Schneider Barcellos mudou isso em outubro de 2023, quando os produtores do Tocantins a elegeram para comandar a Associação dos Produtores de Soja e Milho do estado (Aprosoja-TO). Produtora ligada ao Grupo Wink e à Nelore Cedro, ela assumiu a entidade num momento de expansão: o Tocantins plantou 1,57 milhão de hectares e colheu 5,86 milhões de toneladas de soja na safra 2024/25, alta de 28%, e virou uma das fronteiras do grão que mais crescem no país.

Caroline também levou a voz do estado para Brasília como vice-presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil), na diretoria nacional de 2024-2027, em um período de embates como o da Moratória da Soja, que o Tocantins enfrentou com lei própria. Na reta final do mandato, Caroline deixa aberto um caminho que somente homens haviam percorrido, por 33 anos.

26 – Cíntia Ticianeli, da Federação das Indústrias do Maranhão

Uma das poucas mulheres na liderança do setor sucroenergético, a economista Cíntia Ticianeli é vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado do Maranhão (Fiema) e atua nas relações institucionais do sindicato de açúcar e álcool do Maranhão e do Pará, que já presidiu. A trajetória começou cedo. Estudante de economia na Universidade de São Paulo (USP) quando o pai, Serafim Ticianeli, morreu, ela voltou a Mato Grosso para tocar os negócios da família, que tinham empreendimentos em três estados.

Aos 20 anos, Cíntia já era diretora da destilaria mato-grossense. Mais tarde, mudou-se para o Nordeste. Hoje é sócia e diretora financeira e comercial da Agro Serra, em São Raimundo das Mangabeiras (MA), uma das maiores produtoras de etanol do Estado. Em 2025, anunciou a parceria da usina com a Evolua Etanol, joint venture da Copersucar com a Vibra Energia, para comercializar o etanol.

27 – Claudia Calmon de Sá, produtora de cacau (BA)


Claudia Calmon de Sá comanda a Agrícola Cantagalo, grupo com 14 fazendas e 1.800 hectares de cacau em cabruca e agrofloresta no sul da Bahia. Médica veterinária pela Universidade Federal do Estado (UFBA), com MBA pela Fundação Getúlio Vargas, trabalhou 20 anos nas empresas da família. Em 2019, assumiu a gestão ao lado do pai, o ex-banqueiro Ângelo Calmon de Sá, e concluiu a sucessão em 2022.

Sob seu comando, o grupo apostou no cacau fino, testou mais de 800 variedades e venceu o concurso nacional de qualidade em 2021 e 2024. Foi neste ano que ela decidiu reinvestir 60% da receita em tecnologia, levando a Fazenda Santa Cruz, em Itacaré (BA), a receber ouro no Cocoa of Excellence em Amsterdã, na Holanda, principal concurso internacional de qualidade de cacau. Agora, ela leva o cacau ao oeste baiano, com 110 hectares irrigados por pivô no município de Barra.

28 – Claudia Mendonça Camargo, da SerTãoBras

Claudia Mendonça Camargo comanda a SerTãoBras, organização da sociedade civil que defende o queijo artesanal de leite cru e os pequenos produtores do país. Eleita diretora-geral para o mandato 2026-2030, assume a entidade que criou o Mundial do Queijo do Brasil e que participa do debate sobre as regras para legalizar e vender queijo de leite cru.

Claudia fala de dentro da cadeia produtiva. Formada em Análise de Sistemas, com pós-graduação em Gestão Empresarial, divide a vida entre Campinas (SP) e a Quinta de Sant’Ana, queijaria que mantém com Odil Pereira na Serra da Canastra, em Delfinópolis (MG). Com leite cru de vacas Jersey criadas na propriedade, produz o tradicional Canastra e queijos autorais de massa cozida.

29 – Cristina Arzabe, do Observatório das Mulheres Rurais do Brasil

Quem são e onde estão as mulheres do campo brasileiro? A pergunta guia o trabalho da bióloga Cristina Arzabe, pesquisadora da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) que coordena o Observatório das Mulheres Rurais do Brasil. Lançado em dezembro de 2022 em parceria com o Ministério da Agricultura e a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), com apoio do IBGE, a plataforma reúne em painéis interativos dados sobre as quase 1 milhão de mulheres que dirigem propriedades rurais e as mais de 4 milhões que trabalham no campo, para orientar pesquisas e políticas públicas.

Cristina também edita a Coleção Mulheres Rurais no Brasil, com volumes sobre as mulheres do café, de 2023, e da produção agroecológica de milho, de 2025. Na Embrapa desde 2002, ela passou pela unidade Meio-Norte, no Estado do Piauí, e hoje atua na Gerência-Geral de Inovação Social e Transferência de Tecnologia.

30 – Débora Milori, da Embrapa Instrumentação (SP)


Débora Milori ensinou a luz a ler o solo. Ela é doutora em Física e pesquisadora da Embrapa Instrumentação, unidade em São Carlos (SP), desde 2001, onde coordena o Laboratório Nacional de Agrofotônica. Lanaf, que é a sigla desse laboratório, une física, computação e agricultura, e reúne pesquisadores de 10 unidades da Embrapa. Do seu trabalho saiu um sistema a laser que mede o carbono do solo em escala: a análise que levava um mês para 900 amostras em laboratório convencional passou a processar 1.200 por dia. A tecnologia foi licenciada para a startup Agrorobótica, que atua em 19 estados e atraiu investidores.

Em 2025, ela coordenou o teste de um robô que combina luz e inteligência artificial para detectar nematoides em algodão e soja antes que o dano apareça na lavoura. Agora, Débora avança para as tecnologias quânticas aplicadas ao agro, em um projeto temático da Fapesp, a fundação de amparo à pesquisa em São Paulo.

31 – Débora Pereira, do Mundial do Queijo do Brasil

Débora Pereira preside o Mundial do Queijo do Brasil, o maior concurso de queijos do país. Na edição de abril de 2026, em São Paulo, o evento reuniu cerca de 2 mil queijos de cerca de 30 países, avaliados por 350 jurados e estimativa de R$ 80 milhões em negócios. Na primeira edição, eram 800 produtos. Ao trazer jurados e queijos estrangeiros para cá, o concurso pôs o queijo artesanal brasileiro lado a lado com os melhores do mundo.

Jornalista, com doutorado em Ciência da Informação pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Débora vive entre o Brasil e a França e fez do queijo seu objeto de estudo e de trabalho. É mestre queijeira da Guilde Internationale des Fromagers, professora da escola francesa Mons Formation e coautora de um guia de cura de queijos publicado em três idiomas

32 – Diana Jank, da Agrindus (SP)

À frente do marketing da Letti A², marca de leite da Agrindus, em Descalvado (SP), Diana Jank fez de uma fazenda leiteira de 1945 uma marca que conversa direto com o consumidor da cidade. Nos últimos cinco anos, conduziu a ampliação do portfólio para uma linha completa de lácteos frescos sem a proteína beta-caseína A1, todos feitos na fazenda com leite tipo A. Em 2021, lançou um doce de leite sem conservantes, de receita artesanal argentina, que destina parte do lucro ao plantio de árvores nativas na região.

Nas redes, Diana construiu sem anúncios uma comunidade de mais de 55 mil seguidores, o que pôs a Letti entre as marcas de leite tipo A mais seguidas do país. Ela divide a gestão com a irmã, Taís Jank, diretora de operações, uma empresa em que mulheres ocupam mais da metade dos cargos de chefia. Publicitária formada pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), trocou a moda pela fazenda em 2018, a convite do tio, e hoje leva a palestras pelo país o debate sobre a ponte entre campo e cidade. Diana integrou a primeira edição da “Lista Forbes As 100 Mulheres Poderosas do Agro”, em 2021.

33 – Erika Bannwart, do grupo GPB Rosa

Pecuarista em Pirajuí (SP), Erika Bannwart preside o GPB Rosa, o braço feminino do Grupo Pecuária Brasil (GPB). O grupo nasceu em 2015 de um churrasco em sua fazenda, com sete mulheres, e hoje reúne quase 100 integrantes pelo país, entre donas de propriedades, esposas e filhas de pecuaristas que chegam ao negócio e trocam experiências todos os dias. O GPB, que nasceu para que os produtores de bois trocassem informações sobre cotação animal. A ferramenta mais conhecida é o Balizador GPB, lançado em 2018.

Os próprios pecuaristas informam, todo dia e sob sigilo, quanto receberam pela arroba do boi gordo em cada praça. O grupo abarca cerca de 16 mil pessoas ligadas à pecuária, em 192 municípios de 17 estados, além de três países: Bolívia, Paraguai e Estados Unidos. Nos últimos anos, Erika também levou o grupo de mulheres para fora das redes, com encontros e também discussões sobre a imagem do agro, começando por distorções presentes em parte dos livros escolares. Erika também integrou a primeira edição da “Lista Forbes As 100 Mulheres Poderosas do Agro”, em 2021.

34 – Fernanda Hoe, da Elanco

Desde fevereiro de 2026, a médica veterinária Fernanda Hoe integra, nos Estados Unidos, a diretoria executiva da unidade de Animais de Produção da Elanco, uma das maiores empresas de saúde animal do mundo. Chegou ao posto após quatro anos e meio como diretora-geral da operação brasileira, cargo que assumiu em setembro de 2021, quando se tornou a única mulher no comando de uma grande indústria de saúde animal no país. Também foi a única mulher no conselho do setor.

Na sua gestão, empresa recebeu o selo FairFood de amiga do bem-estar animal, da certificadora FairFood. Formada pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), com mestrado na Universidade de Wisconsin e MBA pela Fundação Getulio Vargas (FGV), Fernanda entrou na Elanco em 2013. Ela também integrou a primeira edição da “Lista Forbes As 100 Mulheres Poderosas do Agro”, em 2021.

35 – Flávia Miyuki Tomita, diretora técnica do IRGA

Primeira mulher a comandar a diretoria técnica do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), cargo que assumiu em setembro de 2021, Flávia Miyuki Tomita responde pela pesquisa e pela extensão do órgão que orienta a lavoura responsável por 70% do arroz produzido no Brasil. Na gestão dela, o Selo Ambiental do Irga, que premia lavouras com boas práticas de manejo de solo e água, ganhou o reconhecimento do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) em 2024, o que garante desconto no crédito do Plano Safra.

Na safra 2025/26, a área com o selo cresceu 62,4%, para 126,5 mil hectares. Na 49ª Expointer, em 2026, foi uma das vozes do encontro A Voz das Mulheres Arrozeiras do Agro, na Casa do Irga, dedicado ao protagonismo feminino na produção de arroz. Natural de Araçatuba (SP), e engenheira agrônoma pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), ela é a primeira mulher a gerenciar a Divisão de Pesquisa do instituto.

36 – Flávia Moraes, CEO da Professional Bull Riders no Brasil

À frente da operação brasileira da Professional Bull Riders (PBR), a principal liga de montaria em touros do mundo, Flávia Moraes comanda um circuito que completou 20 anos no país em 2026 com 42 etapas, prêmios de até R$ 500 mil por evento e uma final nacional em Barretos (SP). CEO da PBR Brasil desde 2021, é o cérebro administrativo de uma estrutura que reúne cerca de 180 pessoas na arena da final e mira transformar o rodeio em negócio de grande porte, num mercado estimado em R$ 10 bilhões por ano no Brasil.

Está no rodeio desde 1989, quando passou a acompanhar a carreira do marido, Adriano Moraes, tricampeão mundial da modalidade. Por décadas, cuidou de contratos, patrocínios e da relação dele com a PBR nos Estados Unidos, e também ajudou peões brasileiros com negócios e logística no circuito americano. Hoje, entre os seus desafios está a defesa de um espaço maior e mais representativo das mulheres no rodeio.

37 – Flávia Strenger Garcia Cid, produtora em Querência do Norte (PR)

A advogada Flávia Strenger Garcia Cid trocou os tribunais pela terra em 1999 e hoje é uma produtora de óleos essenciais orgânicos certificados. A família Garcia Cid é uma das dinastias mais tradicionais e influentes da pecuária zebuína no país, desde quando o pioneiro Celso Garcia Cid começou a trazer gado da Índia lá em 1957. Com o marido, Flávia comanda a Fazenda Jaracatiá, em Querência do Norte (PR), de 1,5 mil hectares, dos quais em cerca de 200 hectares são cultivados com citronela, capim-limão, melaleuca e palmarosa.

Ela tem em sua estrutura uma destilaria própria e vende direto às indústrias de cosméticos e de aromaterapia. Além disso, dos resíduos da extração dos óleos nasceu a Strenger Bioagro, com produção de bioinsumos para grãos e pastagens. Entre os reconhecimentos mais recentes de seu trabalho está a primeira colocação na categoria Grande Propriedade do Prêmio Mulheres do Agro, da Bayer, com a Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), em 2025.

38 – Gabriela Feffer Moll, da Suzano

Desde abril de 2022, Gabriela Feffer Moll ocupa uma das cadeiras do conselho de administração da Suzano, maior produtora de celulose de eucalipto do mundo, e integra quatro comitês: estratégia e inovação, gestão e finanças, pessoas e sustentabilidade. Filha do presidente do conselho, David Feffer, é vice-presidente da Suzano Holding, controladora da companhia, onde cuida da gestão estratégica de pessoas e da comunicação corporativa.

Ela é exemplo de uma nova geração definindo as grandes companhias. Ela defende que empresas familiares só preservam valor com preparação contínua da companhia e de seus sucessores. Formada em administração hoteleira, com MBA executivo pela Fundação Dom Cabral, fundou uma consultoria de eventos esportivos e passou pela Dotz antes de entrar na Suzano, em 2017, para liderar a comunicação de produtos e a transformação digital da unidade de papel e embalagens. Após a fusão com a Fibria, Gabriela atuou na equipe que acompanhou as sinergias da integração.

39 – Gabriela Pötter, da Estância do Vinho (RS)


Na Serra Gaúcha, o vinho é herança italiana. Na Campanha, ganhou sotaque alemão e bombacha pelas mãos de Gabriela Pötter. Uma das filhas do pecuarista Valter Pötter, numa família de Dom Pedrito que desde 1958 vive de gado, ovelhas, arroz e cereais, a engenheira agrônoma convenceu o pai a plantar uvas viníferas, com mudas trazidas da França e da Itália. Foram mais de dez anos de vinhedo antes da inauguração da Guatambu Estância do Vinho, em 2013, onde hoje é enóloga e diretora técnica.

A estância segue criando gado, e a uva entrou como nova vocação da terra. A aposta se provou: a vinícola cultiva oito variedades, de Chardonnay a Tannat, leva o selo de Indicação de Procedência Campanha Gaúcha e coleciona prêmios. No Guia Descorchados 2025, o Pötter Tannat 2024, vinificado em ânforas de concreto, foi eleito o melhor tinto do Brasil, com 93 pontos. Cerca de 40 mil pessoas já visitaram a propriedade, que virou referência de enoturismo no Pampa.

40 – Geni Caline Schenkel, presidente do Movimento Agroligadas

Tudo começou com o livro didático da filha. Ao se deparar com desinformações sobre o agro, a fisioterapeuta Geni Caline Schenkel decidiu levar os colegas da menina para conhecer uma fazenda. Em agosto de 2018, em plena discussão sobre o projeto de lei dos defensivos agrícolas, reuniu cerca de 50 mulheres em Campo Verde (MT) e fundou o movimento Agroligadas, do qual é presidente, a partir de um grupo de WhatsApp.

A proposta foi a de construir uma ponte entre o campo e a cidade, levando estudantes, professores e consumidores para dentro das propriedades. Hoje, o movimento reúne cerca de 3 mil mulheres, está presente em 100 cidades de 24 estados, com impacto estimado em mais de 2 milhões de pessoas. Geni também integra a Comissão Nacional das Mulheres do Agro da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

41 – Giovanna Araújo, da KPMG

Desde outubro de 2025, a economista Giovana Araújo lidera o setor de agronegócio da KPMG nas Américas, com a missão de desenvolver negócios e parcerias no agro, em alimentos e em bioenergia em todo o continente. Desde 2019, ela é sócio da KPMG, uma das Big Four – as maiores empresas de auditoria e consultoria do mundo, com Deloitte, EY e PwC.


Giovanna participa de discussões, entre as mais recentes a medição do impacto do tarifaço americano e da lei antidesmatamento europeia sobre as exportações do agro. Em sua trajetória, já foi economista-chefe da Datagro, comandou por oito anos a análise de ações de agro e alimentos do Itaú BBA e foi sócia-associada da consultoria MB Agro, onde assessorou fusões e aquisições. Formada pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), é conselheira do Conselho Superior do Agronegócio da Fiesp (Cosag).

42 – Giulia Fabrin Scussel, da Federação de Apicultores de Santa Catarina


Em agosto de 2026, Giulia Fabrin Scussel, de Chapecó (SC), tornou-se a primeira mulher a presidir a Federação das Associações de Apicultores e Meliponicultores de Santa Catarina (Faasc), que reúne 53 associações. Ela assume em um momento de destaque: de janeiro a julho de 2026, Santa Catarina liderou as exportações brasileiras de mel, com cerca de 5,5 mil toneladas embarcadas, acima de todo o ano de 2025.

Boa parte vem do mel de melato da bracatinga, com indicação geográfica e tem peso. Não por acaso, o Estado sediou neste ano, pela quinta vez, o Congresso Brasileiro de Apicultura e Meliponicultura. A proposta de proposta é tirar as decisões de Florianópolis, ouvindo os presidentes das associações e percorrendo as regiões produtoras. Entre as prioridades estão fortalecer a marca do mel catarinense, valorizando a identidade do produtor e a diversidade da produção para ampliar a presença no mercado internacional.

43 – Iandra Vilela, coordenadora do Grupo Cafeína (MG)

Nutricionista por formação, Iandra Mendes Vilela coordena o Cafeína Cocatrel, apontado como um dos maiores grupos cooperativos de mulheres cafeicultoras do mundo. Formalizado em 2019 na Cooperativa dos Cafeicultores da Zona de Três Pontas (Cocatrel), com sede em Três Pontas (MG) e com atuação em cerca de 80 municípios do Sul do Estado, o grupo reúne 2.200 cooperadas donas de terra, 23% do quadro da cooperativa que conta com cerca de 850 participando.

Especializada em pós-colheita e qualidade, para Iandra, o objetivo não é ensinar a plantar, e sim fazer as produtoras enxergarem o valor do próprio café. Os números mostram o resultado: entre 2022 e 2025, o grupo movimentou R$ 111,4 milhões com a venda de café próprio, sendo exportado para 25 países. Agora, a cooperativa desenvolve um protocolo de sustentabilidade exclusivo para mulheres, com piloto em 2026 e validação internacional prevista para 2027, que deve render um prêmio extra por saca.

44 – Iêda de Carvalho Mendes, da Embrapa Cerrados (DF)


Desde 2019, Iêda de Carvalho Mendes treina 80 laboratórios comerciais do país a medir a vida do solo. Trinta e um já foram habilitados e formam a Rede Embrapa de Bioanálise de Solos, que leva aos agricultores a BioAS, tecnologia desenvolvida por seu grupo na Embrapa Cerrados, unidade em Planaltina (DF). Ao incluir duas enzimas, a arilsulfatase e a beta-glicosidase, na análise de rotina, a BioAS mostra como estão os ciclos do enxofre e do carbono e permite ao produtor monitorar a saúde da terra que cultiva.

Em novembro de 2025, na COP30, em Belém, sua equipe lançou a Plataforma Saúde do Solo BR, o maior banco público de dados de saúde do solo do mundo. Agrônoma pela UnB e PhD em Ciência do Solo pela Oregon State University, está na Embrapa desde 1989. Neste ano, em agosto, no congresso da Associação Brasileira de Agronegócio, ela recebeu o Prêmio Norman Borlaug de Sustentabilidade.

45 – Isabela Peregrino, enóloga

Como enóloga, Isabela Peregrino auxilia vinícolas. Em 2025, um Syrah do Sul de Minas sem uma gota de madeira fez história em Londres. O Isabela Syrah 2023, da Vinícola Maria Maria, em Boa Esperança (MG), levou ouro com 96 pontos no Decanter World Wine Awards, a maior nota já dada a um vinho brasileiro no concurso. O rótulo leva o nome de quem o criou: a enóloga Isabela, que dispensou o carvalho para deixar o terroir mineiro falar sozinho.

A medalha coroa uma trajetória feita no vinhedo. Farmacêutica bioquímica e tecnóloga em viticultura e enologia, trabalhou de 2014 a 2021 na Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), onde ajudou a aprimorar a dupla poda, técnica que leva a colheita para o inverno seco e abriu o Sudeste ao vinho fino. Participou da construção da Indicação de Procedência Vinhos de Inverno do Sul de Minas, reconhecida em 2025, e é diretora regional da Associação Brasileira de Enologia.

46 – Isabela Raposeiras, do Coffee Lab

Antes de o café especial virar fila nas calçadas de São Paulo, Isabela Raposeiras já ensinava o brasileiro a provar a bebida. Formada em psicologia, chegou ao café depois de a família enfrentar uma falência, venceu o primeiro Campeonato Brasileiro de Barista, em 2002, e se tornou uma das pioneiras na popularização dos cafés especiais no país. Em 2004, abriu sua escola e consultoria e, em 2009, deu forma ao Coffee Lab, em São Paulo, que reúne torrefação, salas de aula e cafeteria no mesmo endereço.

Isabela trocou a venda no atacado pelo ensino e fez do espaço uma escola de formação de baristas. Na torra, trabalha apenas com grãos brasileiros e leva para a embalagem o nome de quem produz, como Edevaldo Costalonga, de Vargem Alta (ES), Joselino Menegueti, de Brejetuba (ES), Wilson Vicente, de Capitólio (MG), e Ana e Eliana Cagnani, de Poços de Caldas (MG).

47 – Izete Costa, a Dona Nena da Ilha do Combu

Izete Costa, a Dona Nena, fez do cacau que crescia no quintal da família um dos símbolos da Ilha do Combu, em Belém (PA). A virada começou em 2002, numa feira ambiental, quando levou biojoias para vender e lembrou da barra de cacau puro que o sogro preparava. Passou a vender chocolate caseiro e em 2017 abriu a Casa do Chocolate, primeira loja da Filha do Combu na ilha. O crescimento foi passo a passo, sem desmatar: a produção acontece em plena floresta de várzea, da colheita à barra, com cacau próprio e de vizinhos.

A fábrica virou uma das paradas da Rota do Combu, roteiro turístico da ilha, e recebeu visitantes como o presidente francês, Emmanuel Macron. E ela não está sozinha. Na ilha, outro exemplo é Daniele Raiol, presidente da Associação das Mulheres Extrativistas do Combu (AME), que trabalha com a andiroba; os ateliês de biojóias e as mulheres que colhem açaí.

48 – Joana Adissi, da Boehringer Ingelheim

Desde setembro de 2024, Joana Adissi comanda no Brasil a divisão de Saúde Animal da Boehringer Ingelheim, que faturou 4,9 bilhões de euros no mundo com medicamentos e vacinas veterinárias em 2025. O país está entre os dez maiores mercados da companhia, e a fábrica de Paulínia (SP) é uma das maiores do grupo. Em 2024, ano em que assumiu, a operação brasileira cresceu 12,6% e se tornou a de maior expansão da empresa no mundo.

Em 2025, em um mercado pet praticamente estagnado, manteve o quarto ano seguido de alta, com a produção animal em destaque: no último trimestre, as vendas para suínos subiram 34% e para aves, 29%. Formada em Administração pela ESPM, Joana tem já passou dos 25 anos de carreira em multinacionais como Unilever, Diageo e Reckitt Benckiser. Na Sanofi, liderou em 2016 o processo de aquisição do portfólio de saúde do consumidor da própria Boehringer no Brasil, dirigiu a unidade de genéricos e foi a primeira brasileira a liderar a unidade de vacinas da farmacêutica.

49 – Joana Darc Bezerra, da Associação Agroecológica do Pajeú (PE)

Antes de presidir uma associação, Joana Darc Bezerra trabalhava como faxineira. A virada veio da roça, em Sertânia, no Sertão do Pajeú (PE), com o algodão agroecológico plantado junto de milho, feijão, gergelim, girassol e amendoim. Hoje ela preside a Associação Agroecológica do Pajeú (Asap), que reúne 214 famílias em nove municípios. Em 2023, sob seu comando, a Asap conquistou do Ministério da Agricultura o direito de usar o selo orgânico por certificação participativa, depois de quatro anos de espera.

Na unidade de beneficiamento da associação, em Serra Talhada, a colheita vira óleo de gergelim, gergelim fracionado, amendoim integral e pasta de amendoim. Os produtos chegaram a supermercados de Afogados da Ingazeira e de Sertânia, a uma loja no bairro de Casa Forte, em Recife, e ao Mercado Livre.

50 – Joana Rodrigues Mousinho, da Articulação Nacional das Pescadoras

Aos 70 anos, a pescadora artesanal Joana Rodrigues Mousinho é uma das 100 mulheres escolhidas pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) como heroínas dos sistemas agroalimentares. A homenagem está marcada para esta quinta-feira (15), em Roma. Ela pesca desde os oito anos no Canal de Santa Cruz, em Itapissuma (PE), e ajudou a mudar a forma como o Brasil enxerga as mulheres da pesca.

Nos anos 1970, Joana organizou com outras pescadoras a luta que fez delas algumas das primeiras do país a obter o registro profissional da atividade, condição para ter acesso a direitos como aposentadoria e seguro-defeso. Presidiu também a colônia de pescadores de Itapissuma e foi a primeira mulher eleita para comandar a federação dos pescadores de Pernambuco. Lá em 2005, ajudou a fundar a Articulação Nacional das Pescadoras (ANP), que leva as demandas das mulheres da pesca ao governo federal.

51 – Josiani Napolitano, presidente da ABiogás

O biometano deixou de ser promessa em 2026. Pela Lei do Combustível do Futuro, produtores e importadores de gás natural passaram a ter meta obrigatória de redução de emissões com o combustível renovável, no movimento de descarbonização da economia. Quem traduz essa virada em política pública é Josiani Napolitano, que assumiu em maio deste ano a presidência da Associação Brasileira do Biogás e do Biometano (ABiogás).

Na mesa dela estão a regulação do mandato, a entrada do biogás nos leilões de energia e a ponte com o agro, dono da maior parte da matéria-prima: dejetos da pecuária, resíduos da cana e de lavouras. Engenheira eletricista com mais de 30 anos no setor e oito como diretora de Relações Institucionais da Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Energia Elétrica (Apine), ela estreou com um plano que projeta R$ 216 bilhões em investimentos até 2035, incluindo o uso do biometano na fabricação de fertilizante nitrogenado, hoje dependente de gás fóssil.

52 – Juliana Lima, chefe de cozinha e influencer 

Juliana Lima ou Chef Ju Lima, aprendeu a cozinhar em Paris e foi ensinar o Brasil a assar carne. Formada em 2018 pelo Le Cordon Bleu, Juliana começou postando receitas francesas nas redes sociais e encontrou sua voz quando levou para a grelha o rigor da escola clássica: molhos tradicionais, técnica e explicação de cada passo. Hoje fala com cerca de 5 milhões de seguidores, quase metade deles homens, em um território que por muito tempo foi deles.

O que ela faz é traduzir. Mostra por que um corte pede um ponto e não outro, como a gordura trabalha na brasa, o que muda entre uma peça e outra. Juliana tira a carne do ritual reservado a poucos e a coloca ao alcance de quem nunca acendeu uma churrasqueira. Para uma pecuária que precisa ser entendida por quem está longe do campo, ter alguém que explique o produto com clareza vale tanto quanto uma campanha.

53 – Leandra Miglioranza, do comitê Elas pelo Coop

Coordenadora nacional do Elas pelo Coop, o comitê de mulheres do Sistema OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras), Leandra Miglioranza articula os comitês femininos que trabalham para ampliar a presença das mulheres em um movimento de 23 milhões de cooperados no país. Elas já são 41% dos associados, mas ocupam 23% das presidências e dos conselhos, fatia que era de 3% a 4% há duas décadas.

Leandra chegou ao cooperativismo há pouco mais de dez anos, levada pelo marido, produtor rural associado à Camisc, cooperativa de Mariópolis, no sudoeste do Paraná. Logo entrou no comitê de mulheres da cooperativa e, em 2023, integrou o primeiro comitê estadual feminino do Sistema Ocepar. Defende que as mulheres ocupem espaço nos negócios ao lado dos homens e aposta na formação: na Camisc, participa do projeto Escola do Agro, que leva o cooperativismo a alunos de 10 a 14 anos em escolas do Paraná e de Santa Catarina.

54 – Letícia Cardelli, do Bradesco BBI

Quando o Bradesco BBI decidiu criar uma diretoria dedicada ao agronegócio, foi Letícia Cardelli quem assumiu a cadeira. Desde então, ela comanda o braço de atacado e banco de investimento que atende as grandes empresas, processadoras e grupos produtores do país, a fatia mais pesada de uma carteira de cerca de R$ 130 bilhões em crédito ao agro, que coloca o Bradesco entre os três maiores financiadores do setor, ao lado de Banco do Brasil e Itaú.

A área conta com 11 plataformas regionais, um time de 32 analistas de crédito exclusivos para o setor e uma mesa de commodities. Num momento em que o agro cresce, mas com mais risco, Letícia virou a voz do banco para o campo. Na abertura do Bradesco BBI Agro Summit 2026, em setembro, Letícia defendeu que gestão de risco, governança e disciplina financeira pesam tanto quanto produtividade, e apontou um ciclo mais positivo para as grandes empresas do setor em 2027.

55 – Letícia Jacintho, da associação De Olho no Material Escolar

Em 2021 nasceu a De Olho no Material Escolar, associação que a produtora rural Letícia Jacintho é cofundadora em Barretos (SP) e preside. A ideia veio ao acompanhar a aula online da filha na pandemia, vendendo inconsistências sobre o setor do agro nos livros da menina. Em cinco anos, o grupo levou alunos, professores e representantes de editoras para dentro de fazendas e indústrias no programa Vivenciando a Prática, que segundo a entidade já alcançou cerca de 70 mil crianças e formou próximo de mil professores da rede pública.

Em 2023, encomendou à Fundação Instituto de Administração (FIA) um estudo sobre como o agro aparece nos livros didáticos e passou a negociar mudanças com editoras. Em seguida, chegou à política educacional: no ano passado apresentou propostas ao novo Plano Nacional de Educação e agora atua nos planos de estados e municípios. Letícia também integrou a primeira edição da “Lista Forbes As 100 Mulheres Poderosas do Agro”, em 2021.

56 – Letícia Zanphorlin, do Laboratório Nacional de Biorrenováveis

Física de formação, Letícia Zanphorlin procura nas enzimas uma rota para tirar o petróleo dos tanques de avião. Pesquisadora sênior e líder de grupo no Laboratório Nacional de Biorrenováveis (LNBR), do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas (SP), comanda a área de biocatálise, que desenvolve enzimas capazes de transformar gorduras e resíduos agroindustriais em hidrocarbonetos, a base do combustível sustentável de aviação e de químicos renováveis.

Em 2023, seu grupo identificou uma enzima que converte ácidos graxos nesses compostos. Em 2025, encontrou outra que transforma o óleo de milho que sobra da produção de etanol em combustível para aviões, num projeto de R$ 10 milhões financiado pela indústria. Já captou mais de R$ 20 milhões com empresas e tem patentes em vários países. Formou-se pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) e é doutora em química pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

57 – Lilian Amorim, diretora do CPA-Citros


Há mais de três décadas, Lilian Amorim estuda como uma doença se espalha por uma lavoura e quanto ela custa ao produtor. Essa autoridade fez da professora titular da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), em Piracicaba (SP), o nome escolhido para liderar a principal frente de pesquisa paulista contra o greening, doença que desde 2004 já custou 65 milhões de pés de citros aos pomares de São Paulo.

Engenheira agrônoma pela USP, mestre pela Universidade Paris XI e doutora em fitopatologia, ela coordenou por dez anos a área de Ciências Agrárias da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Hoje dirige o Centro de Pesquisa Aplicada em Inovação e Sustentabilidade da Citricultura (CPA-Citros), criado por Fapesp, Esalq e Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus). Sob seu comando estão 75 pesquisadores de 19 instituições e R$ 200 milhões para cinco anos.

58 – Manoela Bertagnolli, diretora da AMSSoja

Diretora da Associação dos Multiplicadores de Sementes de Soja do Brasil (AMSSoja Brasil), a antiga Abrass, Manoela Bertagnolli ajuda a conduzir a entidade cujos associados, em 10 estados, respondem por cerca de metade das vendas de sementes de soja do país. Na diretoria desde 2021, primeiro na comunicação e no marketing e hoje na área administrativa, ela é uma das vozes do setor na defesa da semente certificada, base da produtividade da soja brasileira.

A entidade enfrenta a pirataria de sementes. Nos dias atuais, cerca de 28% da soja do país é plantada com semente não certificada, um mercado paralelo estimado em R$ 9 bilhões na safra 2025/26. Jornalista de formação e agricultora por vocação, ela é diretora administrativa da Sementes Butiá, empresa familiar fundada pelo avô, Pedro Bertagnolli, em 1950, no norte gaúcho. Na terceira geração da família, a Butiá multiplica sementes de soja e trigo e atende seis estados.

59 – Maira Lelis, presidente Federação Brasileira do Sistema Plantio Direto

Pela primeira vez em mais de três décadas, a Federação Brasileira do Sistema Plantio Direto (Febrapdp) é comandada por uma mulher: Maira Costrato Lelis da Silva, ou apenas Maira Lelis, como é conhecida no setor. Ela assumiu a presidência que vai de março deste ano até 2029. Passou a responder pela entidade que guarda e difunde a técnica que mudou a agricultura tropical brasileira, presente em cerca de 33 milhões de hectares.

Maira assume a entidade em um momento no qual o plantio direto deixa de ser somente manejo de solo e vira a base da agricultura regenerativa. Sua agenda é dar à federação voz mais ativa junto aos produtores de cada estado e explicar à sociedade o que se faz no campo. Maira fala de dentro da lavoura. Voltou para a fazenda da família há cerca de dez anos e hoje cuida da soja da Fazenda Santa Helena, em Guaíra (SP), onde a família foi pioneira no sistema de plantio direto.

60 – Márcia Kafensztok, da Primar Aquacultura

Dona e CEO da Primar Aquacultura, a primeira fazenda de aquacultura orgânica certificada do Brasil pelo IBD (Instituto Biodinâmico) em 2003, Márcia Kafensztok comanda cerca de 40 hectares de viveiros no Sítio São Félix, em Tibau do Sul, no litoral sul do Rio Grande do Norte. Ali, cria camarão nativo e do Pacífico, ostra nativa e cavalo-marinho ornamental, com laboratório próprio de sementes de ostras.

A trajetória de Márcia começou longe dos viveiros. Designer e dona de uma agência de design gráfico em Natal, Márcia assumiu o negócio em 2015, após a morte do marido, o biólogo Alexandre Wainberg, que fundou a Primar em 1993. A fazenda estava em expansã e fechar as portas não era opção. Ela conversou com a equipe, estudou cada etapa da produção, tomou a frente da operação e se tornou uma referência na criação de cultivados.

61 – Maria Cecília Zenezokemaero, da etnia Haliti-Paresi (MT)

Maria Cecília Zenezokemaero já era estudante de medicina quando visitou uma lavoura mecanizada na qual o marido operava máquinas, no território Paresi, em Mato Grosso. Saiu de lá decidida a trocar de curso. Ela se formou pelo Instituto Federal de MT, em Campo Novo do Parecis, e se tornou a primeira mulher de sua aldeia com diploma de engenheira agrônoma. Hoje, Cecília presta assistência técnica a lavouras de algodão e leva para fora do território o conhecimento de um povo que cultiva 17 mil hectares de soja, milho, feijão e gergelim em apenas 1% de suas terras, com a renda dividida por igual entre as famílias.

Uma das bandeiras que defendia, o licenciamento ambiental da lavoura indígena, foi conquistada em outubro de 2025, após mais de duas décadas de espera, o que abre caminho para o crédito bancário e a rastreabilidade dos grãos. Cecília fala a língua Paresi desde criança e resume o que move a sua comunidade: “Você tendo autonomia e economia, é bem visto em qualquer lugar.”

62 – Mariana Beckheuser, presidente da Beckhauser

Em agosto de 2026, Mariana Beckheuser inaugurou o BeckLab, laboratório de pesquisa e desenvolvimento no parque tecnológico MaringaTech, em Maringá (PR), para criar tecnologias voltadas à pecuária regenerativa, que aumenta a eficiência do rebanho e reduz o impacto ambiental. A aposta, de R$ 1,5 milhão iniciais e mais R$ 2 milhões em dois anos, marca a decisão dela de abrir a inovação da empresa para universidades, startups e centros de pesquisa, e de usar a posição de primeira âncora do parque para orientar negócios menores da incubadora.

É mais um capítulo de uma trajetória ligada ao bem-estar animal: à frente da Beckhauser, fabricante de equipamentos de manejo de bovinos fundada pelos avós, ela levou a discussão sobre manejo racional e perdas na carcaça a pecuaristas e frigoríficos. CEO desde 2018, conduziu a sucessão e a governança da empresa familiar e entrou na diretoria do sindicato das indústrias metalúrgicas de Maringá, onde nenhuma mulher havia atuado. Mariana também integrou a primeira edição da “Lista Forbes As 100 Mulheres Poderosas do Agro”, em 2021.

63 – Mariana Bonora, da agtech Sette (PR)

Quando o produtor rural precisa de crédito, alguém tem de garantir que o título que ele assina vale o que promete. É nesse elo que trabalha Mariana Bonora, sócia e cofundadora da Sette, agtech de Londrina (PR) que já movimentou mais de R$ 31 bilhões em títulos e garantias do agro, para mais de 400 clientes em mais de 1.200 cidades. A empresa também monitorou por satélite mais de 120 milhões de hectares nos últimos quatro anos, acompanhando as lavouras dadas em garantia.

A Sette nasceu em junho de 2024 da fusão da Bart Digital, que Mariana fundou em 2016 e comandou como CEO, com a A de Agro. Na nova empresa, ela dirige a operação, o relacionamento com clientes e o mercado, que vai de revendas e fabricantes de insumos a bancos e gestoras. A fusão, negociada por dois anos e meio, foi uma das primeiras consolidações entre as fintechs do agro. Mariana começou a carreira como trainee em 2006.

64 – Mariana de Aragão Pereira, Embrapa Gado de Corte (MS)


Em mais de 50 anos de história, a Embrapa Gado de Corte, em Campo Grande (MS), nunca tinha sido comandada por uma mulher. Em 2026, Mariana de Aragão Pereira mudou isso. A chefe-geral responde hoje pela unidade de referência da pecuária de corte do país que mais exporta carne bovina no mundo. Zootecnista formada pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), mestre em Economia Aplicada e doutora em Gestão Agrícola pela Lincoln University, na Nova Zelândia, está na Embrapa desde 2001.

Mariana fez carreira em um terreno pouco explorado: a conta do pecuarista. Ajudou a criar o Controlpec, o Gerenpec e o CustoBov, ferramentas de gestão e custos usadas nas fazendas, além de coordenar nacionalmente o programa Boas Práticas Agropecuárias (BPA). Defende o “arroz com feijão bem feito” no manejo e quer levar inteligência artificial e parcerias com o setor privado ao pequeno e médio produtor.

65 – Mariana Velloso Heitor, da Expocacer

Desde a fundação, a Expocacer, cooperativa dos cafeicultores do Cerrado Mineiro, nunca tinha tido uma mulher na presidência do conselho de administração. Isso mudou em fevereiro de 2025, quando Mariana Velloso Heitor foi eleita para o posto, depois de passar pelo conselho fiscal e de ser a primeira mulher vice-presidente do conselho. Ela preside o colegiado que define a estratégia e fiscaliza a gestão de uma cooperativa que faturou cerca de R$ 3,2 bilhões em 2025, recorde histórico. São cerca de 800 produtores e próximo de 85 mil hectares de lavouras, um terço da área da região.

Terceira geração de cafeicultores da família, Mariana deixou São Paulo em 2009 para trabalhar na Fazenda Reserva Heitor, em Patos de Minas (MG), que os pais compraram em 1994, quando ainda era pasto. Ao lado do irmão, Leonardo, ajudou a fazer dela uma referência em café sustentável, com ética, cuidado com a comunidade e preservação dos recursos naturais. A fazenda é carbono neutro e tem certificações Rainforest Alliance, 4C, Nespresso e da Região do Cerrado Mineiro.

66 – Mariselma Sabbag, produtora e presidente da IWCA Brasil


Quando as cafeicultoras brasileiras precisam de uma voz em fóruns nacionais e internacionais, é Mariselma Sabbag quem fala. Presidente da IWCA Brasil, a Aliança Internacional das Mulheres do Café, ela comanda uma rede de 1.223 associadas em 10 regiões do país. A entidade está em projetos como o Arábica-Canephora, financiado pelo programa Al-Invest Verde da União Europeia, que preparou cerca de 170 pequenas produtoras para uma cadeia rastreável e livre de desmatamento.

No Grupo Mulheres do Brasil, de Luiza Helena Trajano, Mariselma lidera o Comitê de Agronegócio. A força dessa voz vem da terra. Formada em Sistemas de Informação, ela assumiu os cafezais herdados do pai em Conceição da Aparecida, no Sul de Minas. Em 2017, criou a Renovo Cafés Especiais e passou a vender o próprio grão em várias formas, do café verde às cápsulas. Atualmente, compra também café de outras produtoras da região e leva para o mercado o trabalho de quem representa.

67 – Márcia Marçal dos Santos, do conselho da MBRF


De atuação muito discreta, Márcia Marçal dos Santos é uma especialista em finanças que hoje está por trás de uma das maiores empresas de alimentos do mundo. Ela é o que se chama quiet leadership, quando a influência não vem do volume da voz ou do desejo de ser o centro das atenções, mas da consistência. Cofundadora da Marfrig ao lado do marido, Marcos Molina, ela acompanhou desde o início a compra dos primeiros frigoríficos da companhia, conferindo contabilidade e relatórios das plantas, e comandando a área financeira e a auditoria interna até 2006.

No conselho de administração desde 2007, onde integra também o comitê financeiro, Márcia ajudou a conduzir a criação da MBRF, fruto da fusão de 2025 entre Marfrig e BRF, dona de Sadia e Perdigão, empresa de 130 mil funcionários e presença em 117 países. Ela é sócia e vice-presidente da MMS Participações, holding que controla o grupo. Márcia também participa do Instituto Marfrig Fazer e Ser Feliz, que oferece atividades de contraturno escolar para crianças nas cidades onde a empresa possui unidades.

68 – Maria Antonieta Guazzelli, da Associação Brasileira dos Produtores de Leite

Diretora de Comunicação e Marketing da Associação Brasileira dos Produtores de Leite (Abraleite), Maria Antonieta Guazzelli trabalha para fortalecer uma cadeia que chega à mesa de quase todas as famílias brasileiras, e que em 2025 bateu recorde de 36,7 bilhões de litros com o menor número de vacas ordenhadas desde 1979, sinal de que a produtividade está virando a regra do jogo.

Ela também coordena o Fórum Nacional do Leite da entidade, evento que reúne produtores, indústria e governo para discutir mercado, sustentabilidade e a comunicação com o consumidor. Maria Antonieta fala com conhecimento de causa: ela comanda a Agropecuária Rex, em Boa Esperança (MG), uma das maiores fazendas leiteiras do país, com cerca de 23 mil litros por dia, além de café e grãos. A família está no leite desde 1930. Mas antes do campo, construiu mais de 30 anos de carreira em tecnologia da informação, de onde trouxe para o campo a gestão por processos e planejamento.

69 – Mariana Vasconcelos, da Agrosmart

Cofundadora e presidente do conselho da Agrosmart, Mariana Vasconcelos transformou uma startup de sensores de Itajubá (MG) em uma plataforma de dados climáticos que monitora cerca de 48 milhões de hectares para 100 mil produtores em nove países. Nos últimos cinco anos, ela levou a empresa para a Argentina, com a compra da BoosterAgro, em 2021. Para as grandes cadeias, propôs ferramentas que medem carbono, desmatamento e risco climático entre fornecedores, que são usadas por indústrias, bancos e seguradoras.

Em 2022, Mariana ganhou voz global como Young Global Leader do Fórum Econômico Mundial, e em 2024 se tornou comissária da Fundação Kofi Annan para segurança alimentar. Integra também o conselho consultivo de agricultura digital do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA). Vinda de uma família de produtores da Serra da Mantiqueira, ela fundou a Agrosmart aos 23 anos, em 2014. Mariana também integrou a primeira edição da “Lista Forbes As 100 Mulheres Poderosas do Agro”, em 2021

70 – Mercedes Bustamante, da Universidade de Brasília

Quando um hectare de Cerrado vira pasto ou lavoura, Mercedes Bustamante quer saber o que sai do chão. Há mais de 30 anos, a ecóloga da Universidade de Brasília (UnB) mede no solo do bioma o que ninguém vê: o nitrogênio que escapa, os gases que aquecem o planeta, os micro-organismos que somem ou resistem. Esse trabalho de formiga a levou ao painel do clima da ONU, onde ajudou a escrever o capítulo sobre agricultura e uso da terra, e à Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos, como membro internacional.

Em 2026, o ranking Research.com a coloca no topo entre as mulheres da ecologia brasileira, em 17º lugar no país. Dona de posições públicas firmes, ela fala ao agro com dados, sem tom de militância. Defende abertamente que a agricultura brasileira pode continuar crescendo sem derrubar mais vegetação nativa, ocupando pastagens degradadas e áreas já abertas e apostando em mais produtividade.

71 – Mineia Otsuka, produtora de frutas no Vale do São Francisco

Filha de um dos pioneiros da manga no Vale do São Francisco, Mineia Otsuka está na linha de sucessão de uma das famílias que ajudaram a transformar o semiárido no maior polo exportador da fruta no país. O pai integrou o grupo de cinco famílias que implantaram a mangicultura na região, hoje responsável por quase 95% das exportações brasileiras de manga. Ela também tem a Otsuka Soluções.

Mineia cresceu acompanhando o trabalho na lavoura, chegou a se afastar do campo e voltou por escolha própria. Hoje atua em várias frentes da produção, com a manga como carro-chefe e rotação de culturas. Participa da gestão, das decisões estratégicas e da relação com compradores internacionais. Ela defende o uso racional da água e de insumos biodegradáveis e cobra crédito, informação e espaço de fala para as mulheres do campo. Não por acaso, Mineia é muito ativa em suas redes sociais.

72 – Miriam Santiago Krindges, do Sítio Rosa do Vale (RS)


Mulher negra e advogada de formação, Miriam Guedes Santiago Krindges trocou a carreira jurídica pela vitivinicultura em Poço das Antas (RS), no Vale do Taquari. Desde 2022, conduz com o marido, Irani Krindges, o Sítio Rosa do Vale, agroindústria familiar de vinhos, espumantes, sucos e derivados de frutas, formalizada em 2023.

Ela se tornou um talento em mostrar o trabalho da vinícola, ampliando a comercialização da marca para redes varejistas, como o Carrefour. Também criou o Samba da Uva, experiência de afroturismo que combina pisa de uvas, degustações e música. Em 2026, a empresa conquistou o segundo lugar na categoria Vinho Tinto Fino Seco no Concurso de Produtos da Agroindústria Familiar da Expointer, no Rio Grande do Sul.

73 – Maria Alaídes Alves de Sousa, extrativista e liderança rural (MA)


Quebradeira de coco babaçu e liderança rural do Maranhão, Maria Alaídes Alves de Sousa é coordenadora-geral do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB), organização que atua no Maranhão, Pará, Piauí e Tocantins, cuja base social reúne cerca de 300 mil quebradeiras de coco. Natural de Lago do Junco (MA), na região do Médio Mearim, assumiu a coordenação do movimento em 2019.

Sua trajetória está ligada à organização econômica das extrativistas, à preservação dos babaçuais e à defesa do acesso às palmeiras em propriedades privadas, e já ocorre em parcerias com fazendas. Em julho de 2025, como coordenadora-geral do MIQCB, ela participou do lançamento da campanha nacional Lei Babaçu Livre: Território é Vida, em Brasília, durante a Pré-COP30, defendendo a ampliação das garantias legais de acesso aos babaçuais.

74 – Mariangela Hungria, pesquisadora da Embrapa

Em 2025, a microbiologista Mariangela Hungria recebeu o inédito World Food Prize para uma mulher brasileira, considerado o Nobel da agricultura, pelo trabalho de uma vida com bactérias que tiram nitrogênio do ar e o entregam às plantas. Pesquisadora da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) desde 1982 e da Embrapa Soja, em Londrina (PR), desde 1991, desenvolveu dezenas de tecnologias biológicas que substituem adubos químicos, da inoculação da soja à coinoculação em feijão, milho, trigo e pastagens.

Hoje, cerca de 85% da soja brasileira, perto de 40 milhões de hectares, usa esses microrganismos, o que poupa aos produtores cerca de US$ 25 bilhões por ano e evita a emissão de 230 milhões de toneladas de CO2 equivalente. Entre as novidades recentes está um método de inoculação do milho, lançado em 2021, que reduz em 25% o uso de adubo nitrogenado. Formada pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), é membro da Academia Brasileira de Ciências. Mariangela também integrou a primeira edição da “Lista Forbes As 100 Mulheres Poderosas do Agro”, em 2021.

75 – Mônica Ribeiro de Castro Cunha, presidente da ABQM


Na apartação, o cavaleiro entra no meio do rebanho, escolhe um único animal e o mantém afastado dos demais, em um duelo de leitura e reflexo com o cavalo. A prova nasceu da lida no campo, onde separar o gado é trabalho de todo dia. No esporte, Mônica Ribeiro de Castro Cunha foi a primeira mulher a disputá-la no Brasil. Filha de Geraldo Ribeiro, pioneiro do Quarto de Milha no país, ela competiu em nove modalidades.

Em 2021, foi campeã nacional em um torneio chancelado pela AQHA, a associação americana da raça, e pela Associação Brasileira de Criadores de Cavalo Quarto de Milha (ABQM). Na entidade, teve em 2019 a maior votação da história do conselho e, em 2023, tornou-se a primeira mulher a presidi-la em mais de meio século. Reeleita até 2027, cortou o conselho pela metade, endureceu as regras de bem-estar animal e reaproximou a ABQM da AQHA. Em 2025, o campeonato nacional da raça reuniu 4,1 mil cavalos, recorde da entidade.

76 – Mônica Marchett, pecuarista e diretora da ACNB


Mônica Marchett tinha 20 anos quando assumiu a malharia da família em Caxias do Sul (RS), enquanto o pai partia para Rondonópolis (MT) atrás de terra. Dois anos depois, trocou a fábrica pelo campo. Foi dela a decisão de levar o grupo para a pecuária nos anos 1990 e de apostar na integração lavoura-pecuária-floresta antes de virar moda.

Hoje preside o Grupo Mônica, com quase 25 mil bovinos, entre gado comercial e genética Nelore de elite, em cerca de 70 mil hectares no Brasil e na Bolívia, onde planta soja e prepara a expansão no Beni. É a única mulher entre os 12 diretores da Associação dos Criadores de Nelore do Brasil (ACNB), onde comanda o marketing. Neste ano, em Uberaba (MG), ela foi o destaque feminino da 91ª ExpoZebu, a mais importante feira desse tipo de gado no mundo. Como bandeira, Mônica defende manejo sem estresse, para o gado e para quem trabalha com ele.

77 – Nair Helena Castro Arriel, da Embrapa Algodão (PB)


O gergelim era cultura de quintal no Nordeste quando Nair Helena Castro Arriel decidiu levá-lo para a escala das grandes lavouras. Paraense, engenheira agrônoma pela Universidade Federal Rural da Amazônia e doutora pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), está na Embrapa desde 1987 e passou a coordenar o programa de melhoramento de gergelim da Embrapa Algodão, em Campina Grande (PB). Em 2019, liderou a criação da BRS Morena, primeira cultivar de gergelim protegida do país, voltada ao cultivo mecanizado e ao mercado gourmet.

A semente pequena virou negócio grande: somente o Mato Grosso plantou 400 mil hectares na safra 2025/26, de um total nacional de cerca 570 mil de hectares. O grão segue para China, Índia e Turquia. Curadora dos bancos de germoplasma de gergelim, cártamo e faveleira, ela não parou. Em agosto de 2025, Nair assumiu a chefia-geral da unidade, depois de dois anos como interina.

78 – Natália Martins, pecuarista em Mato Grosso

Natália Martins é o retrato de uma nova geração na seleção de gado no Brasil. Formada em Direito, chegou a advogar antes de voltar para a Fazenda Camparino, em Cáceres (MT), onde cuida da gestão financeira e comercial. É a sexta geração de uma família de pecuaristas e sucede, ao lado do irmão, Matheus, o avô José Humberto Vilela Martins, o eterno Zé Humberto. Contar a trajetória dele é recontar a história do Nelore moderno e da evolução da genética zebuína no país. A fazenda também cria cavalos Quarto de Milha.

Zé Humberto morreu em agosto deste ano, aos 84 anos, e deixou um plantel de Nelore, Nelore Mocho, Sindi e Gir Leiteiro. Natália também aposta na comunicação digital para aproximar gerações no campo. Nas redes sociais, ela vem criando Zezão Responde, uma homenagem aos saberes do avô como selecionador.

79 – Nathália Secco, da Orchestra Ventures (GO)

Cantora lírica formada em Música pela Universidade Federal de Goiás (UFG), Nathália Secco trocou o palco pelo campo sem abandonar a ideia de reger um conjunto. Em 2019 fundou, em Rio Verde (GO), o Orchestra Innovation Center, primeira aceleradora de agtechs de Goiás voltada à inovação tecnológica, que coloca startups para testar soluções dentro de grandes fazendas. Três anos depois criou a Orchestra Ventures, com um fundo de R$ 6 milhões bancado por ela, por quatro empresas e por três produtores rurais da região.

As tecnologias aceleradas já chegaram a cerca de 200 mil hectares de soja, milho, cana e algodão no sudoeste goiano, com ganhos de produtividade e corte médio de 40% no custo com herbicidas. Com MBA pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e formação em capital de risco pela Universidade da Califórnia em Berkeley, foi a única brasileira entre as finalistas da categoria agtech do Global Women in Agritech, na Bélgica, em 2025.

80 – Neiriane Taerik, da Aldeia Barranco Vermelho (MT)


Nas aldeias Rikbaktsa da Terra Indígena Erikpatsa, em Brasnorte, no noroeste de Mato Grosso, a castanha-do-pará virou negócio pelas mãos das mulheres. E quem está à frente delas é Neiriane Taerik, que tem 26 anos e se tornou a primeira mulher a presidir a Associação Indígena da Aldeia Barranco Vermelho. São 12 aldeias integradas, contando com um grupo de 16 mulheres que beneficiam a castanha.

São as famílias que colhem e vendem as amêndoas já beneficiadas. Entre 2024 e 2025, o grupo comercializou 2,5 toneladas, e outras mulheres aguardam vaga para entrar. O trabalho integra o projeto de bioeconomia Biodiverso, cujos territórios produziram cerca de 34 toneladas de castanha por ano. A meta é chegar a 800 toneladas até 2027, com 300 extrativistas, ajudando a conservar 1,4 milhão de hectares de floresta.

81 – Odette Halfen Teixeira Liberal, pesquisadora da área de sementes

“Cada vez que venho aqui, eu vejo a tal sementinha que plantamos”. Foi assim que Odette Halfen Teixeira Liberal, que completou 99 anos no dia 10 de abril, definiu o trabalho com sementes diante de mais de 1,5 mil pessoas no Congresso Brasileiro de Sementes, em Foz do Iguaçu (PR), em agosto de 2026. A plateia a homenageava pelos 56 anos da Associação Brasileira de Tecnologia de Sementes (Abrates), entidade que ela ajudou a fundar. Engenheira agrônoma pela Faculdade de Agronomia Eliseu Maciel, em Pelotas (RS), foi a única mulher de sua turma.

Nos anos 1960, chefiou o recém-criado Laboratório de Análise de Sementes do Instituto Agronômico do Sul, e em 1970 esteve entre os fundadores da Abrates. No ano seguinte, tornou-se a primeira mulher a presidi-la. Hoje, segue como memória viva da ciência de sementes no país, e ainda usa a voz para chamar as novas gerações para o setor. A Forbes Brasil a escolhe como homenageada desta edição da lista. Em 2021, na primeira edição, a homenagem foi para Zênia Aranha da Silveira, então com 75 anos, pioneira na organização de mulheres por meio da Comissão de Produtoras Rurais da Farsul.

82 – Paloma Venturelli, do Moinho Globo, em Sertanópolis (PR)


Paloma Venturelli abriu duas portas que o trigo brasileiro mantinha fechadas para mulheres. Em 2021, assumiu o comando do Moinho Globo, em Sertanópolis (PR), fundado pelo avô, e tornou-se a primeira mulher a presidir um moinho de trigo no país. Em 2025, chegou à presidência do Sinditrigo-PR, o Sindicato da Indústria do Trigo no Estado do Paraná, a primeira em 73 anos da entidade. Não chegou por acaso: foram 12 anos como vice antes de assumir.

Como CEO, apostou na expansão industrial e dobrou o faturamento da empresa em cinco anos, para R$ 666 milhões. Mas também sabe quando não avançar: mantém em espera um novo moinho de R$ 300 milhões para não endividar o negócio. No sindicato, Paloma fala por um estado que produz cerca de 30% da farinha do Brasil e leva à mesa pautas como o impacto da reforma tributária e a modernização da indústria. Integra ainda o comitê consultivo externo da Embrapa Trigo, onde a pesquisa encontra quem mói o grão.

83 – Rafaela Kern, da Rede Mulher Florestal

Rafaela Kern preside a Rede Mulher Florestal (RMF), associação criada em 2018, em Curitiba (PR), para promover a igualdade de gênero num setor historicamente masculino. Ela é mestre em estudos governamentais pela Saint Joseph University, em Macau, na China. A RMF reúne profissionais do setor e tem o apoio de algumas da algumas das maiores empresas da base florestal do país, como Suzano, CMPC, Arauco, Bracell, Cenibra e LD Celulose, além da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), entidade que representa o setor.

A rede atua em três frentes: ampliar o espaço das mulheres na silvicultura e na indústria, combater o assédio sexual e moral e melhorar as condições de trabalho da gestação à primeira infância dos filhos. Uma das vitrines é o programa de mentoria Floresta para Todas, criado em 2022, que chegou em 2026 à quinta edição. A RMF também mantém um banco de palestrantes sobre uma variedade de temas.

84 – Raquel Steltenpool, produtora rural e diretora da Ibraflor

Filha de produtor rural, Raquel Steltenpool é uma das porta-vozes da floricultura brasileira, setor em que as mulheres respondem por cerca de 56% da mão de obra. Conselheira na gestão 2026-2028 do Instituto Brasileiro de Floricultura (Ibraflor), onde antes foi diretora de mercado, ela ajuda a dar visibilidade a uma cadeia que gerou R$ 23,35 bilhões em 2025, alta de 10% sobre o ano anterior, com São Paulo concentrando três quartos da produção nacional.

Raquel defende que as flores abrem às trabalhadoras rurais um caminho concreto de autonomia financeira, bandeira que leva a debates e artigos sobre o setor. Ela também dirige a Steltenpool Flores e Plantas, empresa que leva o nome da família, e que é cliente da cooperativa Veiling Holambra. Raquel é formada em psicologia, com pós-graduação em gestão de pessoas, e aplica no negócio e na representação setorial o olhar sobre equipes e relações.

85 – Renata Amano, da Seda Bratac, Londrina (PR)

Renata Amano é uma mulher de sedas. Neste ano, esteve na ExpoLondrina à frente de um movimento de valorização e organização dos produtores de seda do Paraná, estado que responde por 86% dos casulos do Brasil. É sucessora e CEO da Fiação de Seda Bratac, sediada em Londrina, a única fiação em escala industrial do Hemisfério Ocidental, fundada em 1940 e fornecedora da Hermès.

Ela preside também a Abraseda, a Associação Brasileira da Seda, que ajudou a criar em 2017 e que reúne a cadeia do casulo à moda. Advogada, com mestrado em direito comercial pela PUC-SP e MBA pela Fundação Getúlio Vargas, deixou a carreira de executiva em multinacionais de tecnologia e voltou para casa em 2014. Renata foi vice-presidente da International Silk Union, em Hangzhou, na China, o maior polo sedeiro do mundo, e articulou a entrada do Paraná na rede Silk Cities, a Rede Internacional de Cidades da Seda.

86 – Roberta Carnevalli, chefe de P&D na Embrapa Soja (PR)

Passa pelas mãos de Roberta Carnevalli boa parte das decisões sobre o que a pesquisa pública brasileira vai entregar ao maior produto do agro nacional. Chefe-adjunta de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Soja, em Londrina (PR), ela define prioridades e conduz os projetos do principal centro público de pesquisa em soja do país.

Engenheira agrônoma, com mestrado e doutorado pela Universidade de São Paulo (USP) e pós-doutorado na Massey University, na Nova Zelândia, tornou-se uma das principais porta-vozes da Soja Baixo Carbono, programa que cria um protocolo de certificação para lavouras com menos emissões e mais carbono no solo. A proposta une plantio direto, rotação de culturas, coinoculação no lugar do nitrogênio químico e bioinsumos, e promete ao produtor acesso a crédito mais barato e melhor valor de mercado.

87 – Roberta Meneghel, da SL Alimentos

Roberta Meneghel faz parte de uma nova geração que já não espera a vez para assumir o comando das empresas do agro. Desde 2022, preside a SL Alimentos, maior processadora de aveia do Brasil, fundada em 1988 em Mauá da Serra (PR) pelo pai, Luiz Meneghel Neto, que hoje preside o conselho. Comanda três fábricas, com capacidade para 150 mil toneladas de cereais por ano e clientes como Nestlé e PepsiCo.

Roberta conduziu em 2024 um plano de R$ 80 milhões para modernizar a fábrica-mãe e levou a companhia para proteínas vegetais e ingredientes de alto valor. O resultado apareceu no Fi Innovation Awards 2026, em São Paulo: a SL ocupou todo o pódio da categoria Ingrediente Mais Inovador em Saudabilidade e levou ainda um bronze na categoria Ingrediente Mais Inovador, com quatro produtos premiados. Em 2025, ela também negociou uma joint venture com o grupo Certano que arrendou a antiga fábrica da General Mills em Cambará (PR).

88 – Rosane Freitas Schwan, diretora da CCMA na UFLA (MG)


Todo café especial e todo chocolate fino passam por uma etapa invisível que decide boa parte do sabor: a fermentação. Rosane Freitas Schwan dedicou a carreira a esse processo e hoje dirige a Coleção de Culturas da Microbiologia Agrícola (CCMA), do Departamento de Biologia da Universidade Federal de Lavras (UFLA), em Minas Gerais. Agrônoma, doutora em microbiologia pela Universidade de Bath, na Inglaterra, ela começou pelo cacau, como pesquisadora da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), na Bahia, onde criou um consórcio de micro-organismos que acelera a fermentação das amêndoas.

Na UFLA, levou o mesmo olhar ao café e liderou o estudo, em parceria com a Syngenta, que selecionou leveduras capazes de intensificar aroma e sabor; em 2020, elas chegaram a 400 cafeicultores e renderam lotes vendidos a sete vezes o preço do café comum. Dona de oito patentes, é a segunda mulher mais bem colocada em microbiologia ligada ao agro no ranking Research.com 2026, atrás apenas de Mariangela Hungria.

89 – Silvia Massruhá, presidente da Embrapa

Primeira mulher a presidir a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) em mais de cinco décadas, Silvia Massruhá assumiu o cargo em maio de 2023, um cargo desafiante pela complexidade desse órgão histórico de pesquisa do agro, mas que sofre com um orçamento apertado. Por exemplo, a previsão era de R$ 410 milhões em 2026. Mas como esse dinheiro é discricionário e pode ser bloqueado ao longo do ano, gerir a Embrapa significa conviver com cortes.

Para reduzir essa dependência, na sua gestão foi criado um núcleo de inovação que permite reinvestir royalties direto na pesquisa e ampliando as parcerias privadas, hoje com cerca de 1.170 acordos que rendem perto de R$ 100 milhões por ano. E com uma necessidade crescente nas áreas de agricultura digital, biotecnologia e inteligência artificial. Na empresa desde 1989, Silvia é doutora em computação aplicada pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e comandou a Embrapa Agricultura Digital.

90 – Simone Palma Favaro, da Embrapa Agroenergia

A macaúba, palmeira nativa que por séculos cresceu solta pelo Cerrado, está virando lavoura para abastecer aviões, e a agrônoma Simone Palma Favaro é uma das cientistas por trás dessa transformação. No país hoje há cinco empresas com projetos em escala. Pesquisadora da Embrapa Agroenergia, em Brasília, ela coordena desde 2024 o lado científico do projeto de cinco anos com a Acelen Renováveis, do fundo Mubadala, para domesticar a planta, aprimorar a extração do óleo e aproveitar casca, polpa e amêndoa.

A pesquisa dá base científica a uma das maiores apostas do país em combustível sustentável de aviação: a Acelen planeja investir US$ 3 bilhões e plantar até 144 mil hectares de macaúba em pastagens degradadas, para alimentar uma biorrefinaria na Bahia. Simone estuda oleaginosas desde que chegou à Embrapa, em 2012. Ela é doutora pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), com parte dele feito na Inglaterra, e já trabalhou com bioenergia em Moçambique.

91 – Simone Pereira de Souza, da Boing

Engenheira ambiental, Simone Pereira de Souza cuida de relações institucionais, política pública e parcerias estratégicas, com foco em combustível sustentável de aviação (SAF) e mercado de carbono. Desde dezembro de 2025, faz isso como diretora regional de Sustentabilidade da Boeing para a América Latina e o Caribe, num momento em que o Brasil desenha as regras do seu mandato de SAF. Chegou ao posto com uma bagagem rara entre executivas do setor.

Simone é doutora em Planejamento Energético pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e passou anos medindo emissões de biocombustíveis como especialista em análise de ciclo de vida da Roundtable on Sustainable Biomaterials (RSB), organização que certifica combustíveis renováveis no mundo. Na Raízen, conduziu a defesa de políticas de descarbonização para aviação e navegação. Ela também foi assessora técnica da delegação brasileira na Organização Marítima Internacional (IMO), onde se negociam as metas de emissões do transporte marítimo.

92 – Stéphanie Ferreira Gobato, presidente da Comissão de Mulheres da CNA

Nas 27 federações estaduais que formam o sistema da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a presidência é ocupada por homens. É nesse ambiente que Stéphanie Ferreira Gobato trabalha para abrir espaço. Desde 2023, ela preside a Comissão Nacional das Mulheres do Agro da CNA, criada para ampliar o protagonismo feminino e formar lideranças dentro do sindicalismo rural. Em 2026, lançou a Jornada de Liderança Feminina, com 300 vagas distribuídas entre todos os estados.

Quarta geração de uma família de pecuaristas de Mato Grosso do Sul, é engenheira agrônoma formada pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), com passagem pela Universidade da Flórida, nos Estados Unidos. Stéphanie tem uma consultoria própria especializada em manejo e recuperação de pastagens degradadas e defende uma pecuária de corte mais tecnológica e sustentável.

93 – Tânia Zanella, presidente da Organização das Cooperativas do Brasil (DF)


Tânia Zanella chegou ao Sistema OCB em 2008 como analista. Dezessete anos depois, assumiu o comando. A advogada catarinense de Ipumirim, formada pela Univali, subiu degrau por degrau, e em quase todos foi a primeira mulher: gerente de Relações Institucionais, gerente-geral e, em 2021, superintendente nacional. Em dezembro de 2025, quando a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) separou a gestão executiva do conselho, foi eleita a primeira presidente executiva da entidade.

Hoje responde por um sistema de 29 milhões de cooperados e R$ 848 bilhões em receitas em 2025, dos quais R$ 487 bilhões vêm do agro. As cooperativas agropecuárias exportaram US$ 17,4 bilhões, cerca de 10% das vendas externas do agronegócio. A meta que ela persegue é chegar a R$ 1 trilhão em dois ou três anos. Preside ainda o Instituto Pensar Agropecuária, braço técnico da bancada do agro no Congresso. Tânia também integrou a primeira edição da “Lista Forbes As 100 Mulheres Poderosas do Agro”, em 2021.

94 – Talita Cury, do Grupo Santa Clara (SP)

Única mulher no conselho de administração do Grupo Santa Clara, empresa familiar de nutrição vegetal e bioinsumos de Ribeirão Preto (SP), Talita Cury usa a cadeira para abrir espaço a outras mulheres dentro da companhia. Lidera o Damas do Agro, grupo de funcionárias que hoje representa cerca de 30% da força de trabalho do grupo. A ação serve de modelo de como as empresas podem contribuir para a equidade de gênero apostando em mentoria, formação, eventos e metas de liderança feminina

Conselheira desde 2021, Talita responde pelas relações institucionais, integra os comitês de estratégia e risco e de crédito e cobrança e estrutura a área de ESG. Também conduziu a governança e a sucessão familiar da empresa fundada pelos pais em 1997, preparando a chegada da terceira geração. Ela também criou o Crianças no Agro, que leva o campo a escolas públicas de Jaboticabal e Ribeirão Preto e alcançou 3 mil alunos no primeiro ano. Advogada, Talita começou no grupo em 2009 como assistente administrativa.

95 – Tereza Cristina, liderança agro no Senado (DF)

Engenheira agrônoma formada pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), Tereza Cristina é hoje uma das principais vozes do agro no Congresso. Senadora por Mato Grosso do Sul desde 2023, ela já disse que quer ser a primeira mulher a presidir a Casa. Entre outras ações, Tereza Cristina foi relatora do projeto de regularização fundiária em áreas de fronteira, aprovado pelo Senado e em grande parte vetado pelo Executivo, e liderou uma comitiva parlamentar aos Estados Unidos para negociar a redução das tarifas sobre produtos brasileiros.

Antes, comandou o Ministério da Agricultura entre 2019 e março de 2022, deixando como um dos últimos atos o Plano Nacional de Fertilizantes, que mira reduzir a dependência de adubos importados de 85% para cerca de 50% até 2050. Tereza Cristina também integrou a primeira edição da “Lista Forbes As 100 Mulheres Poderosas do Agro”, em 2021.

96 – Thais Vieira, diretora da Esalq/USP


Por 122 anos, só homens comandaram a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, a Esalq/USP, berço de boa parte da ciência que fez do Brasil uma potência agrícola. Em janeiro de 2023, Thais Maria Ferreira de Souza Vieira mudou essa história. A engenheira agrônoma formada pela própria Esalq, doutora em Tecnologia de Alimentos pela Unicamp e ex-pesquisadora da Embrapa, assumiu a direção de uma escola com cerca de 3 mil estudantes, 660 servidores, 12 departamentos, 140 laboratórios, instalados em de 3,8 mil hectares, quase metade da área de toda a USP.

Na gestão, criou o primeiro conselho consultivo de uma unidade da universidade, com 12 lideranças, e viu nascer o Centro de Estudos de Carbono em Agricultura Tropical. Pesquisadora de ingredientes funcionais extraídos de resíduos agroindustriais, ela defende que na ciência como no campo, o que vale é o trabalho colaborativo.

97 – Vânia Cristina Rennó Azevedo, diretora dos Bancos Genéticos CGIAR


Arroz, trigo, milho, feijão, mandioca, batata: boa parte da diversidade genética que alimenta o planeta está sob a guarda de uma brasileira. Nascida em Brasília, Vânia Cristina Rennó Azevedo assumiu em outubro de 2025 a direção dos Bancos Genéticos Globais do CGIAR. A sigla denomina o Consultative Group on International Agricultural Research, consórcio internacional de pesquisa agrícola, com sede em Montpellier, na França.

No programa Genebanks Accelerator, ela comanda uma rede de 11 bancos que conservam cerca de 730 mil acessos de 25 grupos de culturas. Bióloga e doutora em biologia molecular pela Universidade de Brasília (UnB), fez carreira na Embrapa, onde coordenou a Rede de Recursos Genéticos Vegetais e criou o Banco de DNA de Plantas. Depois chefiou os bancos genéticos do Instituto Internacional de Pesquisa em Culturas para os Trópicos Semiáridos (Icrisat), na Índia, e do Centro Internacional da Batata (CIP), no Peru, onde teve papel decisivo na criação de um cofre de criopreservação para batata, batata-doce e mandioca.

98 – Vanúsia Nogueira, presidente da OIC, em Londres


Todo café tem dois lados: o de quem planta e o de quem bebe. Vanúsia Nogueira passou a carreira aprendendo a falar com os dois. Filha de uma família de cafeicultores, foi sócia da PwC Consulting e, a partir de 2002, passou a se dedicar aos mercados de nicho do grão. Em 2007, assumiu a direção-executiva da Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA) e passou 15 anos abrindo portas para o café especial brasileiro no exterior. Em maio de 2022, deu o passo maior: tornou-se a primeira mulher a comandar a Organização Internacional do Café (OIC) desde sua criação, em 1963. Com sede em Londres, a entidade intergovernamental reúne países produtores e consumidores, e é ela quem conduz a mesa onde se discutem mercado, sustentabilidade e o futuro do café no mundo. Engenheira de sistemas pela PUC-RJ, é doutora em administração e marketing pela Universidade Nacional de Rosário, na Argentina.

99 – Xenia Yamanaka, da fintech Agrolend

Filha de produtores rurais, Xenia Yamanaka construiu quase três décadas de carreira no mercado financeiro, com passagem por grandes corporações, antes de voltar ao campo pelo caminho do crédito. Desde 2022, ela é diretora de risco da Agrolend, fintech de crédito para o agro, onde responde por compliance, controles internos e gestão de riscos de uma carteira que chegou a R$ 968 milhões no fim de 2025, com meta de R$ 2 bilhões em 2026.

Ela faz parte de um movimento que também ganha força nas finanças do agro, em que mulheres passam a ocupar cadeiras decisivas em áreas antes dominadas por homens, como risco, crédito e conformidade. A trajetória começou em 1997, como estagiária do Banco CCF. No Itaú, onde ficou 15 anos, chefiou o compliance da operação aberta em Dubai. No Safra, liderou compliance, risco operacional e ouvidoria. Antes da Agrolend, Xenia foi diretora de compliance e controles internos da Finaxis.

100 – Zene Vieira, presidente da cooperativa Copirecê (BA)

Em março de 2024, a engenheira agrônoma Zene Vieira se tornou a primeira mulher a presidir a Cooperativa Agropecuária Mista Regional de Irecê (Copirecê), no semiárido baiano, em 54 anos de história. Chegou ao cargo após comandar a assistência técnica da cooperativa, onde ajudou a garantir em 2021 a certificação de milho não transgênico do Instituto Biodinâmico (IBD) para o Flocão Puro Milho, que permite rastrear o grão do plantio à venda e pagar preço justo ao agricultor familiar.

A cooperativa, que tem cerca de 600 produtores, é um exemplo de agricultura familiar que avança. Na presidência, Zene conduziu a sua expansão. Em 2026, a Copirecê inaugurou com o governo da Bahia uma nova agroindústria com o triplo da capacidade de processamento, apresentada como uma das maiores plantas de derivados de milho da agricultura familiar do país. Já foram lançados o macarrão de milho e o milho de pipoca, com esses produtos em 12 estados disputando espaço nas prateleiras com as grandes marcas.

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