A invasão dos carros híbridos já começou. Somente em outubro, mais de 20 mil carros híbridos foram emplacados no Brasil, ante quase 8 mil modelos 100% elétricos, segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico. No mesmo mês, um ano antes, eram cerca de 10 mil híbridos e 6 mil elétricos – sinal de que, antes da eletrificação plena, será o híbrido que vai “invadir” o mercado brasileiro a partir de 2026.
Muito se fala do carro elétrico, mas o ponto de virada deve vir com os híbridos, impulsionados pelo programa do governo federal Mover, que incentiva a descarbonização da indústria automotiva. Lançado no fim de 2023, em substituição ao Rota 2030, o Mover concede créditos tributários a quem investir em pesquisa e eficiência tecnológica. Até 2030, as montadoras devem investir mais de R$ 100 bilhões para apresentar novos lançamentos.
É nesse cenário que o Salão Internacional do Automóvel de São Paulo volta a acontecer a partir deste sábado, 22, no Anhembi, após a última edição em 2018. Em um evento fechado para a imprensa, antes da abertura, as montadoras escancararam a aposta em versões híbridas – retrato da transição que se desenha no país.
“Os híbridos estão em crescimento de todos os tipos, desde o leve até o plug-in. Eles são mais propícios ao uso no mercado brasileiro do que o elétrico. O nível de lançamento vai ter uma constância muito maior a partir de 2026 para cumprir a legislação de redução de emissões”, analisa Milad Kalume Neto, da K.Lume Consultoria, especializada no setor automotivo.
Os carros que chegam em 2026
Entre as marcas generalistas, a Renault confirmou para o primeiro semestre de 2026 o Koleos full hybrid E-Tech. A chinesa GWM levou ao encontro com jornalistas dois híbridos plug-in. O Tank 700 incorpora o powertrain 3.0T PHEV Hi4-T, com 524 cv, 800 Nm de torque, transmissão 9HAT e tração 4×4 eletrônica, pensado para desempenho extremo e uso off-road. Já o Wey G9, da divisão de luxo da montadora, combina motor 1.5 e motores elétricos de alta eficiência. O carro tem seis lugares com bancos executivos individuais, mirando longas distâncias com conectividade e eficiência.
Nem mesmo grupos consolidados em motores a combustão ficam de fora. A Stellantis já lançou, neste ano, tecnologia híbrida para seus carros de entrada, como o Fiat Pulse, e prepara para 2026 versões híbridas de Jeep Renegade e Commander, desenvolvidas pelo Tech Center da empresa na América do Sul em parceria com fornecedores e centros de pesquisa.
Na ala das novas marcas, o chinês Jaecoo 8 foi apresentado como o “Ultimate Jaecoo”. É o primeiro SHS-P AWD da empresa, combinando motor 1.5, dois motores elétricos (Dual EV) e bateria de LiFeFo com mais de 30 kWh. Tem modos de condução variados, opções para seis ou sete passageiros e porta-malas de 738 litros – solução para famílias que buscam espaço e tecnologia entre os SUVs médios-grandes.
Os esportivos também entram na onda híbrida. Ícone da Honda, o novo Prelude sai de fábrica com motor 2.0 aspirado a gasolina e sistema híbrido paralelo e:HEV, o mesmo conjunto da 11ª geração do Civic 2026, entregando 203 cv de potência e 32,1 kgfm de torque.
Na camada de luxo, a Denza – divisão premium da BYD – confirmou o híbrido plug-in Denza B5. Mostrado em avant-première à imprensa, o SUV combin motor a combustão com o sistema híbrido plug-in que garante autonomia de até 1.200 km. A bateria de 31,8 kWh pode ser recarregada na tomada, como em um elétrico convencional. Com 677 cv de potência, o SUV acelera de 0 a 100 km/h em apenas 4,8 segundos.
Se vendas, anúncios e lançamentos servirem de guia, 2026 tende a marcar menos a substituição imediata do motor a combustão pelo elétrico puro e mais a consolidação de uma fase híbrida em larga escala – ajustada ao bolso, às estradas e à infraestrutura do Brasil.