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Diego Lozano: “Confeitaria Brasileira Ainda É Muito Inexplorada”

Jurado do Masterchef construiu carreira global com base em técnica, resiliência e "zero planejamento". Agora, ele quer provar que a confeitaria nacional é o próximo grande mercado a ser explorado

5 min

Um pequeno Diego Lozano, aos 13 anos, viu sua vida cruzar com a confeitaria por um acaso – na verdade, por um erro. Em meio a uma reestruturação familiar abrupta, que levou sua mãe a trabalhar em jornada tripla para sustentar a casa, coube a ele assumir a cozinha. Com os ingredientes de uma cesta básica, decidiu fazer um “bolo peteleco” para agradá-la, mas inverteu as medidas: usou uma xícara de sal e uma colher de açúcar.

O bolo, obviamente, ficou salgado. Mas o incidente acendeu uma faísca. “Eu vi que a confeitaria tinha que seguir receita, era metódica. E me apaixonei”, conta Lozano.

Décadas depois, aquele garoto de Santo André é um dos nomes mais influentes da confeitaria nacional. Jurado do sucesso Masterchef Confeitaria, ele comanda um ecossistema que inclui o restaurante Levena – com 12 mil clientes por mês –, uma escola que formou mais de 55 mil alunos (somando presenciais e online), e uma carreira internacional que já o levou a dar aulas em 118 países.

“Quero deixar um legado de que o Brasil é capaz. A gente não deixa nada a desejar em relação a nenhum confeiteiro do mundo” — Diego Lozano

A transição do erro de infância para a precisão profissional foi marcada pela determinação. Primeiro, ao ganhar uma bolsa de estudos no SENAI – após a diretoria ver sua mãe chorar por não poder pagar a inscrição de R$ 900 –, e fincar raízes na biblioteca, afundando a cabeça nos livros de confeitaria. Aos 19 anos, conseguiu um emprego na indústria de chocolate Harald, onde realizou o sonho de viajar de avião e conhecer o Brasil “de cabo a rabo” para dar treinamentos.

DivulgaçãoOs docinhos de Lozano no Levena

Focado em competições, Diego ganhou a seletiva brasileira do World Chocolate Masters (WCM), “um Zé Ninguém entre grandes nomes”, como descreve. Na final mundial na França, a falta de noção da grandiosidade do evento o levou ao último lugar. “Quando voltei pro Brasil, prometi pra mim que eu ia ser muito grande”, recorda sobre a frustração. A promessa começou a se cumprir com um convite para ser chef de confeitaria no D.O.M., no auge do restaurante, com apenas 24 anos. “Foi um aprendizado gigantesco em termos de brasilidade. Foi aí que eu vi que o Brasil era legal”, conta Lozano, sobre o despertar para os ingredientes nacionais.

Mas a estabilidade não era o objetivo de Lozano: o paulista decidiu deixar o restaurante premiado para empreender. “Na minha vida inteira eu sempre tive grandes sonhos, muitos desejos e zero planejamento”, admite. Abriu sua primeira loja, estrelou um programa de confeitaria na TV e, aos 27, fundou a primeira escola de alta confeitaria do Brasil. “Eu não tinha noção nenhuma de gestão, eu só sabia fazer doce muito bem”, conta, lembrando da falência que sofreu durante o sucesso precoce.

A determinação, no entanto, nunca arrefeceu. Na chance de se redimir da sua primeira participação no World Chocolate Masters, venceu o prêmio de “Melhor Escultura” na etapa mundial do concurso, com um trabalho de dois metros. O impacto foi logo sentido: a carreira internacional de Lozano foi catapultada. “De 2015 a 2019, eu fiz quase 100 países viajando, dando aula. Eram quase três países por semana”, recorda das andanças da França à Rússia. Esse processo culminou na abertura de uma loja no Japão, em 2019, dentro da prestigiada Matsuya Ginza – um sucesso, até a pandemia fechar o mundo.

De volta ao Brasil, Lozano se reinventou mais uma vez. Começou a fazer lives e a vender PDFs de receitas durante o isolamento, faturando até R$ 100 mil em apenas um ao vivo. Com esse capital, fundou o Casarìa, abriu o Levena (seu negócio atual) e consolidou sua escola de confeitaria.

Hoje, aos 41 anos, ele é jurado do sucesso do Masterchef Confeitaria e vê o programa como uma ferramenta para dar visibilidade a um setor que, segundo ele, ainda é um “neném na barriga” no Brasil. “A confeitaria aqui é uma área muito inexplorada, que precisa de mais profissionais e visibilidade”. Seu papel, diz, é mostrar a técnica unida aos nossos ingredientes de orgulho.

“Sempre tive grandes sonhos, muitos desejos e zero planejamento”

Entre os ingredientes do seu destaque no mercado atual, o bom humor nunca falta. Com um pingo de sarcasmo, Lozano gosta de abordar modismos gastronômicos com seu toque típico de acidez. Os hits incluem o prato “Isto Não é Uma Banana” – uma paródia da famosa obra de arte (a banana presa à parede com fita adesiva) – que vende, em média, 5 mil unidades por mês. Na onda do “morango do amor”, por exemplo, o confeiteiro fez a versão com a banana, que viralizou nas redes sociais.

Apesar do sucesso e 28 anos de carreira na confeitaria, Lozano não para. Tem 13 clientes de consultoria – como a Casa Lugano, em Gramado –, está lançando um livro técnico sobre croissants e sonha em abrir uma loja na França. “Eu sempre pensei grande, mas acho que extrapolei qualquer um dos meus sonhos”. O objetivo, agora, é deixar uma marca. “Quero deixar um legado de que o Brasil é capaz. A gente não deixa nada a desejar em relação a nenhum confeiteiro do mundo. Quero que, quando eu for embora, possam dizer que o Diego Lozano representou a confeitaria brasileira a nível mundial muito bem”.

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