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Fernanda Feitosa: “O Cenário Brasileiro de Arte É Hoje um dos Mais Dinâmicos do Hemisfério Sul”

A SP-Arte reafirma seu papel como termômetro do mercado — e Fernanda Feitosa divide, com exclusividade para a Forbes, os highlights desta edição

6 min

Com a abertura da SP-Arte nesta quarta-feira (8), a sensação é de que a feira deixou de ser apenas um ponto de encontro do circuito para se afirmar, cada vez mais, como um termômetro do que está por vir. Entre galerias, colecionadores, curadores e designers, o pavilhão da Bienal do Ibirapuera volta a concentrar, por alguns dias, uma leitura bastante precisa do momento da arte brasileira.

Para Fernanda Feitosa, esse momento é particularmente significativo. “O cenário brasileiro de arte é hoje, a meu ver, um dos mais dinâmicos, especialmente do Hemisfério Sul”, diz. “Mesmo em um contexto global mais lento, o mercado brasileiro tem se destacado a cada ano, com crescimento consistente, e ganhado relevância internacional.”

Mais do que números, o que sustenta essa percepção é uma combinação difícil de replicar: produção artística consistente, colecionismo ativo e um interesse crescente do exterior por narrativas brasileiras — especialmente aquelas ligadas à identidade, diversidade e às questões contemporâneas.

Esse interesse se traduz também na presença internacional. Nesta edição, cerca de 100 convidados estrangeiros — entre diretores de museus, curadores, colecionadores e art advisors — desembarcam em São Paulo para a feira. “Há um interesse geral no Brasil. Não só com esse boom do cinema, mas com a cultura brasileira como um todo”, afirma Feitosa. A lista inclui nomes da América do Sul, Europa, Estados Unidos e até da Oceania.

No mesmo movimento, a feira reforça sua vocação global com o retorno e a estreia de galerias internacionais, ampliando o diálogo entre a produção local e o circuito externo. Ainda assim, é o eixo brasileiro que dá o tom — e, este ano, ele passa inevitavelmente pelo design.

Design como linguagem central

Se há alguns anos o design ocupava um espaço mais tímido dentro da feira, hoje ele se consolida como um dos seus pilares. Em 2026, a SP-Arte celebra dez anos dedicados ao segmento — um marco que vem acompanhado de uma expansão clara da área e de uma curadoria mais afinada.

“São ótimos motivos para comemorar”, diz Feitosa.

Entre os destaques está a exposição “Existe uma árvore”, com curadoria de Livia Debbane, que propõe uma leitura do mobiliário brasileiro a partir das espécies nativas do território. Mais do que uma mostra, a exposição funciona como um exercício de narrativa: cada peça conta uma história que conecta design, matéria-prima e território.

Outro ponto-chave é o lançamento do Design NOW, novo setor dedicado à cena independente. Com foco em estúdios autorais e produção em pequena escala, o espaço apresenta um recorte mais experimental e contemporâneo do design brasileiro — menos industrial, mais próximo de processos e pesquisas.

Juntos, esses movimentos ajudam a reforçar algo que já vinha se desenhando: o design brasileiro deixa de ser coadjuvante e passa a ocupar um lugar estrutural dentro do mercado, tanto local quanto internacional.

Ao longo de suas 22 edições, a SP-Arte construiu uma posição rara: a de operar simultaneamente como plataforma de negócios e espaço de articulação cultural. A programação de talks, os encontros informais e a circulação de profissionais do mundo todo reforçam esse papel de conexão.

Entre arte e design, Fernanda aponta alguns nomes, galerias e projetos que merecem atenção nesta edição da SP-Arte. Confira a seleção abaixo.

Design:

Bref (Jay Boggo + Bruno Rodrigues)
A coleção Ritos transforma pedra natural em mobiliário de edição limitada, explorando a fronteira entre função e escultura. O resultado é um design que carrega peso simbólico e material, ancorado em técnicas precisas e em uma estética quase ritualística.

Lucas Recchia
Em seu segundo ano como estúdio independente na feira, o designer concentra sua pesquisa na iluminação. As peças — em bronze e vidro — tratam a luz como linguagem escultórica, com destaque para o pendente Cirrus, que inaugura uma nova fase mais experimental de sua produção.

DivulgaçãoLuminária Arandela Coria

PROSA (Júlia Rovigo e Gabriel Pesca)
O estúdio investiga a madeira a partir de técnicas da carpintaria naval, propondo um diálogo entre rigor geométrico e gesto manual. As peças reforçam o valor do fazer artesanal em um contexto contemporâneo, com forte presença de matéria e processo.

Arte: trajetórias e leituras contemporâneas

Nara Roesler (50 anos)
A galeria celebra cinco décadas de atuação com uma seleção de obras recentes de seu programa, reforçando sua posição central no circuito brasileiro.

DivulgaçãoDa série Jangadeiros alagoanos

Fortes D’Aloia & Gabriel (25 anos)
O estande propõe uma leitura de sua trajetória a partir de um diálogo entre gerações de artistas, em um projeto que funciona como linha do tempo curada.

Janaina Torres (10 anos)
Com foco em obras inéditas, o projeto destaca a pintura contemporânea e traz nomes como Manuela Navas, cuja produção revisita cenas do cotidiano a partir de uma perspectiva afro-diaspórica.

DivulgaçãoDa série Black to the Future

Cavalo (10 anos)
A galeria apresenta apenas obras inéditas de seus artistas, incluindo Eustáquio Neves, em um estande pensado como celebração coletiva de sua trajetória.

Auroras + Solar do Abacaxis (10 anos)
A parceria traz uma mostra de Luiz Paulino, conectando memória, história e experiência social em uma leitura potente da arte contemporânea.

Instituições e diálogos ampliados:

Instituto Inhotim (20 anos)
O museu celebra duas décadas com novos produtos e edições especiais, reforçando sua presença também no campo do design e do colecionismo ampliado.

Instituto Tomie Ohtake (25 anos)
O projeto Tomie Imprime aposta na democratização da arte com edições em risografia, além de novos objetos que traduzem o universo visual da artista para o cotidiano.

DivulgaçãoCálice de Sonia Gomes

Outros nomes para ficar de olho:

Gomide&Co
Do diálogo entre arte moderna e contemporânea à joalheria de artistas como Dalí e Picasso, o estande atravessa diferentes linguagens e períodos.

DivulgaçãoObra de Maria Lira Marques

Paulo Darzé Galeria
Destaque para a produção de Ayrson Heráclito, com pesquisas sobre diásporas negras nas Américas.

Galatea
Núcleo dedicado à Pop Art e a artistas à margem do cânone, com nomes históricos da arte brasileira.

Mendes Wood DM
Reúne artistas centrais da cena atual, como Rosana Paulino e Sonia Gomes, além de trabalhos de Lygia Pape.

DivulgaçãoObra de Lygia Pape

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