O bangalô se chamava Entardecer, mas foi o amanhecer que me marcou. O sol subindo no horizonte, os raios batendo na água, o barulho das ondas lá embaixo se misturando ao dos passarinhos… tudo isso visto da cama, sem precisar levantar. Não é uma cena que se compra em qualquer lugar de Jurerê.
E é exatamente esse o ponto. O Fuso Concept Hotel fica a poucos minutos das praias de Jurerê Internacional e do Forte, no alto de um morro entre as duas, no pedaço de Florianópolis que virou sinônimo de beach club, música alta e temporada disputada. O hotel faz o inverso: distribui apenas 13 bangalôs em 7.000 m² de área total, o que significa jardim, distância e um nível de silêncio que soa quase deliberadamente provocativo para o endereço. O nome entrega: ali, o tempo passa em outro fuso.
Aberto em dezembro de 2020, o projeto é da arquiteta e diretora criativa da Milano Incorporada, Eduarda Tonietto, com paisagismo assinado por Alex Hanazaki. A dupla trabalhou com tons suaves, atmosfera despojada e peças de design autoral, nada que grite, o que é coerente com a proposta. No paisagismo, destaque para o “labirinto” de bambus que cerca os corredores ao ar livre dos quartos, trazendo a leveza e o equilíbrio característicos da planta.

Os bangalôs
A arquitetura resolve o problema clássico da hotelaria de praia: como dar vista sem dar exposição. Cada bangalô tem uma estrutura única. O meu somava 70 m², divididos entre 35 m² de área interna e 38 m² externos. As esquadrias de vidro se abrem por completo e dissolvem a fronteira entre quarto, jardim e deck, de modo que a vista para o mar existe de qualquer ponto, visto do alto. Do lado de fora, mesa, espreguiçadeiras e piscina privativa. Um mergulho ali no fim da tarde, acompanhando o pôr do sol, é o tipo de coisa que sozinho vale a visita.
A cozinha
A gastronomia também merece atenção dedicada. Sob comando do chef João Chico Bub, a casa trabalha com cozinha autoral e matéria-prima da região.
O jantar de sábado foi um menu-degustação de cinco tempos, todo construído em torno do mar. Começa com ostras – e vale o registro de quem não era convertida ao malusco até provar os daqui. Depois, um tartar de atum com vieiras é servido com um polvilho de alga marinha, seguido do prato que ancora o menu: um raviolo de lagosta com molho de abóbora. O principal é um peixe branco local com espuma de champanhe e mousseline de batata. Para fechar, uma sobremesa de iogurte com sorbet da fruta butiá e mel de laranjeira.

Fora do menu-degustação, dois pratos pedem menção: o peixe praiano com pirão e a moqueca de frutos do mar. São fantásticos.
O café da manhã é capítulo à parte. Ele funciona quase como um ritual: chega um shot matinal, tábua de frutas, frios, pães e um queijo na brasa com melaço. Em seguida, você faz o seu pedido — de todos eles, o avocado toast com pão Hokkaido me ganhou.
O resto do dia
O programa se sustenta sem exigir nada, justamente o que eu estava precisando. Café da manhã tomado devagar de frente para a piscina, sessões de sauna, horas na piscina do hotel acompanhada de um aperol na mão e boas conversas. No Spa Gaya, uma massagem de uma hora e meia que equilibra alívio de tensão e toque relaxante.
Para quem quiser sair, dá para caminhar até a Praia do Forte ou a de Jurerê e mergulhar no mar. O atendimento complementa todo o conjunto: o staff opera com a informalidade de quem recebe em casa, mas com a atenção de um cinco estrelas.

O hotel
A chegada é simples. A 40 minutos do Aeroporto Internacional de Florianópolis, o hotel dá todo o apoio no agendamento do transfer. Vale saber de que a casa não recebe crianças.
É, de fato, a atmosfera perfeita para uma fuga da realidade, aproveitar o hoje e se reconectar para voltar à rotina com mais equilíbrio e atenção. Eu mesma já estou contando os dias para voltar.