Que leitura alimenta a criatividade de um dos maiores nomes da gastronomia brasileira? Quinzenalmente, o Forbes Book Club convida nomes de diferentes áreas a mostrar suas estantes e contar quais leituras marcaram suas trajetórias. O convidado da vez é Alex Atala.
Chef duas estrelas Michelin e nome à frente do icônico D.O.M, Atala é, há quase três décadas, um dos profissionais da cozinha mais influentes do país. Construiu uma carreira marcada pela valorização dos ingredientes e dos saberes do Brasil, levando nossa biodiversidade e a cultura culinária aos holofotes internacionais.
Sua visão de mundo também se revela nas escolhas literárias. História, antropologia e artes marciais (ele, afinal, é faixa-preta de jiu-jitsu) aparecem entre as referências que alimentam seu pensamento sobre o Brasil, a liderança e a formação de equipes, dentro e fora da cozinha.
Confira a seguir as indicações de livros de Alex Atala:
#1. “O Homem que Amava os Cachorros” – Leonardo Padura
Romance histórico aclamado do autor cubano Leonardo Padura, a obra entrelaça os últimos anos de vida de Leon Trotsky no exílio com a trajetória de seu algoz, o catalão Ramón Mercader, convidando o leitor a uma reflexão profunda sobre as utopias do século 20. “É a história do assassinato de Trotsky e talvez um livro que aponte, de uma forma bastante única, os pontos positivos, negativos e as contradições do socialismo. É um dos livros mais densos que li nos últimos anos”, explica Atala.
#2. “Uma Enciclopédia nos Trópicos” – Beto Ricardo e Ricardo Arnt
A obra homenageia e resgata a trajetória do antropólogo e ambientalista Beto Ricardo, fundador do Instituto Socioambiental (ISA) e parceiro do chef na fundação do Instituto ATA (criado em prol da valorização e conservação da biodiversidade brasileira). Para além de um retrato pessoal, o livro documenta a luta histórica pelos direitos e espaços dos povos originários. “Beto teve um papel fundamental na história da demarcação dos territórios indígenas no Brasil e foi um grande articulador desse processo”, destaca Atala. “Ele é um ídolo, um mestre e um parceiro, e acho que o Brasil precisa conhecer seu legado. Quando a antropologia inunda o meu trabalho, isso vem muito da minha amizade, admiração e respeito por ele e por sua história. Por meio desse livro, esse legado fica eternizado”.
#3. “Maia-Leão” – Demian Maia e Eduardo Ohata
Eis a trajetória de um dos maiores nomes da história do jiu-jitsu e do MMA: Demian Maia. O próprio Alex assina o prefácio da biografia, celebrando a relação mestre-aluno e revelando os bastidores de um atleta que quebra todos os clichês sobre os lutadores profissionais. “Foi ele quem me levou à faixa preta e me ensinou tudo no jiu-jitsu. Mas o que me interessa nessa história vai muito além da trajetória de um lutador”, conta o chef. “Demian é muito diferente do estereótipo que normalmente se imagina. É um líder, um pacificador, alguém que, mesmo em suas lutas, nunca buscou machucar os adversários, mas encontrar a finalização de maneira rápida e respeitosa. Ele me inspira não apenas a continuar no jiu-jitsu, mas também a liderar pelo exemplo, e não pela força.”
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