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Carro Elétrico da Ferrari Enfrenta Rejeição Inicial, Mas Analistas Veem Potencial

Mesmo com a reação negativa ao design e à proposta elétrica, analistas veem no Luce potencial para repetir o que o Purosangue fez ao superar a resistência inicial

4 min

Quando se diz que o design de um carro novo é “divisivo”, isso significa que as pessoas comuns o odeiam. A fabricante italiana de esportivos de luxo Ferrari, provavelmente com razão, presume que não são muitas as pessoas comuns com US$ 650 mil disponíveis para comprar seu novo carro elétrico Luce, de modo que o sucesso é provável apesar do veredito “divisivo” da mídia.

Os investidores também não gostaram da impressão inicial gerada pelo Luce, quando a Ferrari apresentou seu primeiro veículo elétrico na terça-feira (26). As ações chegaram a cair até 8% no primeiro dia. Os papéis se estabilizaram na quarta-feira (27), subindo 0,28%, para € 284,85, segundo a Reuters.

Analistas acharam que a negatividade inicial foi exagerada e que o Luce (luz, em italiano) provavelmente acabará alcançando as margens de lucro tradicionais da Ferrari. As reações negativas não vieram apenas da mídia.

“Corremos o risco de destruir uma lenda, e eu realmente lamento isso. (o Luce foi) certamente um carro que pelo menos os chineses não vão copiar”, disse o ex-presidente da Ferrari Luca di Montezemolo, segundo a Automotive News Europe. “Espero que ao menos retirem o cavalo empinado daquele carro.”

Qualquer coisa, menos um Cavalo Empinado

O ministro dos Transportes da Itália, Matteo Salvini, disse que o Luce era “qualquer coisa, menos um carro do Cavalo Empinado”, segundo a Reuters Breaking Views. Outros disseram que o Luce parecia mais um Nissan Leaf de mercado de massa, e não uma compra-alvo para os super-ricos.

Concorrentes relativamente malsucedidos como Aston Martin e Lamborghini, da Volkswagen, devem ter se sentido de certa forma justificados. A Aston Martin adiou seu primeiro EV para pelo menos 2030. A Lamborghini planeja apenas híbrido plug-in como seu gesto em direção à eletrificação.

O Breaking Views resumiu as preocupações dos investidores. “O novo Luce da Ferrari é um momento decisivo para o grupo italiano de € 50 bilhões (US$ 58 bilhões em valor de mercado) e para o setor de carros de luxo em geral. A grande questão é se as pessoas que pagam centenas de milhares de euros por máquinas roncadoras e gastadoras de gasolina também vão desembolsar por versões elétricas. Se não, os preços podem cair, e os valores de segunda mão podem se depreciar, o que prejudicará a marca”, disse o colunista do Breaking Views Neil Unmack. Mas Unmack afirmou que o Luce provavelmente será um sucesso.

Ferraristas de carteirinha

“Os fãs mais radicais da Ferrari vão querer possuir cada modelo, até mesmo aqueles de que não gostam, para se qualificarem (a comprar) os supercarros ultraluxuosos. E o Luce pode muito bem atrair alguns compradores que não compram Ferraris tradicionais, pense em executivos do Vale do Silício”, disse Unmack.

Quando a Ferrari lançou seu primeiro SUV, o Purosangue, em 2022, muito desconforto foi expresso pelos tradicionalistas. Ele se tornou um grande sucesso.

O HSBC Global Investment Research disse que os investidores da Ferrari terão de esperar para ver se o Luce será um sucesso. “A Ferrari dá um grande passo com o Luce. A controvérsia era esperada; agora a administração precisa entregar em pedidos”, disse o HSBC Research em relatório. O HSBC classifica a Ferrari como “manter”.

O relatório disse que a Ferrari percebeu que o Luce não necessariamente agradaria aos atuais proprietários, mas se surpreendeu com o veneno da reação. Os custos do Luce foram mantidos sob controle com o uso de muitas peças de outros modelos, incluindo o eixo dianteiro do F80, a transmissão traseira e a suspensão do Purosangue.

Luce provavelmente vai se firmar

“A Ferrari nunca revela suas metas nem as vendas reais de qualquer um de seus carros de linha; acreditamos que haja colecionadores e completistas suficientes, clientes que aspiram ao status de colecionador (e ao acesso que isso proporciona aos unicórnios da Ferrari, como seus modelos Supercars e Icona), além de novos clientes da Ferrari, para garantir que o Luce se estabeleça firmemente dentro da gama da Ferrari”, segundo a Bernstein.

*Reportagem originalmente publicada em Forbes.com

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