O programa de subsídios para veículos elétricos da Alemanha começou na última terça-feira (26), com até US$ 7 mil disponíveis para a compra de um EV ou híbrido plug-in. O grande vencedor será a China, embora os consumidores locais agora possam alugar um pequeno veículo eletrificado por menos de US$ 60 por mês.
A China, apesar de a União Europeia impor tarifas de importação de até 45,3%, ainda encontra facilidade para competir com a concorrência europeia, tamanha é sua superioridade em eficiência de manufatura e tecnologia de baterias.
Os subsídios alemães para EVs variam de US$ 1.700 a US$ 6.965 para um carro elétrico ou um híbrido plug-in e são retroativos a 1º de janeiro de 2026. O nível do subsídio depende da renda familiar e do número de filhos na residência. Não há teto de preço e veículos fabricados fora da UE se qualificam. Os híbridos plug-in precisam ter autonomia mínima de 80 km apenas no modo elétrico. A mídia alemã calcula que o orçamento durará entre 3 e 4 anos, ou cerca de 800 mil veículos.
Segundo Matt Schmidt, fundador da Schmidt Automotive Research, isso resultará em algumas pechinchas impressionantes para os consumidores alemães. O ID. Polo, da Volkswagen, que começa em US$ 28.970 com impostos, poderia cair para US$ 22 mil, assim como o Dolphin Surf (no Brasil chamado de Dolphin Mini), da BYD, de US$ 22 mil.
“O Leapmotor TO3 (listado em cerca de US$ 17.400 antes dos subsídios) passa a ficar disponível por apenas US$ 58 por mês, ou quase o equivalente a uma típica conta mensal de telefone celular, com os subsídios cobrindo a entrada”, disse Schmidt.
Subsídios e preços altos da gasolina
“As vendas de EVs na Alemanha (PHEV e BEV) já cresceram 32,9% no acumulado do ano, e vemos a tendência potencialmente acelerando nos próximos meses, dada a combinação de subsídios e preços altos da gasolina”, disse o UBS em nota de pesquisa.
“Os fabricantes alemães provavelmente serão os maiores beneficiários. (Isso beneficiará) o mercado de massa, em vez do premium, devido ao teto de renda familiar de US$ 105.000, mas como não há diferenciação entre (fabricantes), os chineses também podem conquistar uma participação relevante”, disse o UBS.
A Alemanha se encontra em um dilema. Suas grandes montadoras, como a Volkswagen e suas subsidiárias Porsche e Audi, além de BMW e Mercedes, obtiveram lucros enormes na China ao longo de muitos anos.
A Volkswagen começou a vender na China em meados dos anos 1980, e as demais seguiram o mesmo caminho. Mas, nos últimos anos, a indústria automotiva chinesa vem aprendendo gradualmente as lições dos fabricantes europeus e americanos. A participação de mercado alemã por lá vem caindo, enquanto os fabricantes chineses fazem incursões sérias na Europa, lideradas por EVs e PHEVs.
Jogo de equilíbrio
Os alemães ainda têm um mercado valioso na China, mas, se seu governo decidisse restringir as vendas chinesas na Europa, isso poderia ter implicações desagradáveis para os lucros, naquele mercado, de fabricantes premium como Audi, Porsche, BMW e Mercedes.
Schmidt disse que o chanceler alemão Friedrich Merz terá de realizar um difícil jogo de equilíbrio para manter a indústria alemã na China em termos favoráveis, ao mesmo tempo em que deixa a porta aberta para negócios chineses na Alemanha. Os consumidores alemães relutam em comprar sedãs e SUVs estrangeiros, mas isso pode estar mudando.
“Os fabricantes chineses até agora ficaram em grande parte afastados do mercado alemão movido pelo patriotismo, mas isso pode mudar a partir desta tarde. Os subsídios alemães abriram a porta para a Tesla há meia década, e isso pode correr o risco de acontecer novamente”, disse Schmidt.
O regime de subsídios alemão coincidiu com o lançamento de novos EVs de fabricantes locais, como o VW ID. Polo e o Skoda Elroq. A Skoda é uma subsidiária da VW.
“No entanto, o momento se encaixa bem com novos modelos da VW chegando ao mercado, como o ID. Polo, com preço abaixo de US$ 29 mil antes dos subsídios na versão básica com bateria LFP, que provavelmente também será beneficiado e ajudará a VW em sua fraca posição de preços nos últimos 24 meses, já que foi forçada a reduzir os preços de seus modelos BEV para atingir as metas regulatórias de CO2 de sua frota”, disse Schmidt.
A UE determinou uma queda nos níveis de emissões de dióxido de carbono, reduzindo-os em quase 100% até 2035.
A França oferece subsídios para EVs de até US$ 7 mil, mas exclui a maioria das vendas chinesas. A Itália tem um pacote de subsídios que vale até US$ 12.800. O subsídio britânico para veículos de emissão zero oferece até US$ 5 mil. Na Espanha, os subsídios chegam a US$ 8.100.
*Reportagem originalmente publicada em Forbes.com