O carro mais caro e potente vendido no Brasil não vem da Ferrari, da Porsche ou da Lamborghini. Vem da Lotus. A marca britânica, que inicia sua operação oficial no país no segundo semestre por meio da LTS, divisão do grupo Bamaq, do ex-piloto Clemente Faria Jr, escolheu justamente o Evija para marcar o topo de sua chegada: um hipercarro elétrico de 2.039 cavalos, produção limitada a 130 unidades no mundo e preço de R$ 30 milhões no mercado brasileiro.
A operação começa com uma linha mais ampla – Emira, Eletre e Emeya – mas o Evija funciona como síntese do que a Lotus quer representar no país: exclusividade, engenharia extrema e um posicionamento que passa longe de volume. Não por acaso, a marca deixa claro que um de seus ativos é justamente a escassez. A meta não é crescer em quantidade, mas consolidar presença em um mercado de nicho, apoiado em experiência, personalização e vínculo com o universo global da fabricante.
A apresentação oficial da marca no Brasil aconteceu no fim de maio, em São Paulo. A representação local ficará a cargo da LTS, empresa criada para tocar exclusivamente a operação Lotus no país. A estrutura começa por São Paulo, com uma loja no entorno do Complexo Cidade Jardim e outra no Village Boa Vista, dentro da Fazenda Boa Vista, em Porto Feliz. Até o fim de 2027, a empresa também pretende abrir revendas em Porto Alegre, Florianópolis, Belo Horizonte, Brasília, Salvador, Fortaleza, Curitiba e Goiânia.
A primeira pop-up store abre em julho, no Cidade Jardim. As primeiras entregas a clientes estão previstas para agosto. Nesse primeiro momento, o foco comercial estará sobretudo em Eletre e Emira, mas o Evija cumpre outra função: estabelecer a imagem da marca em sua forma mais radical.
Fundada em 1948 por Colin Chapman, em Norfolk, na Inglaterra, a Lotus construiu sua reputação em torno da engenharia leve, da precisão dinâmica e de uma filosofia resumida na frase Performance through Lightweight. Ao longo de 78 anos, acumulou 13 títulos mundiais de Fórmula 1 e produziu esportivos que se tornaram referências, como Elan, Esprit, Elise e Emira. Foi pela equipe inglesa que Emerson Fittipaldi conquistou, em 1972, seu primeiro título mundial e o primeiro do Brasil na F1. E foi com a Lotus que Ayrton Senna somou as seis primeiras de suas 41 vitórias na categoria, entre 1985 e 1987.
Desde 2017, a marca pertence ao grupo chinês Geely. No Brasil, a proposta é integrar a operação local à visão global da Lotus, com experiências ligadas à Fórmula 1, ao Goodwood Festival e até programas de personalização por meio do Chapman Bespoke, inclusive com possibilidade de séries específicas para o mercado brasileiro.
O que o Evija representa
Se o plano comercial inicial da Lotus no Brasil será puxado por SUV e esportivo, o Evija é o carro que define o teto da marca. Ele é o primeiro hipercarro elétrico da fabricante e concentra a interpretação mais extrema da engenharia Lotus na era da eletrificação. Com ele, a marca coloca no país não apenas seu modelo mais raro, mas também o carro mais caro e potente hoje oferecido oficialmente no mercado brasileiro.
Das pouco mais de 100 unidades previstas globalmente, o volume final é de 130 carros, número que referencia o código de projeto Type 130. Para o Brasil, estão previstas apenas duas unidades. Quem topar pagar os R$ 30 milhões terá incluída na experiência uma visita à sede da marca, em Norfolk, no Reino Unido, para conhecer o carro pessoalmente e participar do processo de personalização com os engenheiros da Lotus antes da vinda do veículo ao país.
A parte técnica
A ficha técnica ajuda a explicar por que o Evija ocupa esse lugar no topo da operação brasileira da Lotus. O carro é um hipercarro 100% elétrico, com tração integral, quatro motores elétricos e potência total de 2.039 cavalos, além de 1.704 Nm de torque.
A aceleração de 0 a 100 km/h acontece em menos de 3 segundos. De 0 a 300 km/h, a Lotus fala em pouco mais de 9 segundos. A velocidade máxima é limitada eletronicamente a 350 km/h.
A bateria tem 91 kWh e fica posicionada atrás da cabine. A autonomia combinada no ciclo WLTP é de 314 km. Em recarga rápida de 800V e 350 kW, o carro vai de 10% a 80% em menos de 18 minutos. O peso é de 1.894 kg.
As dimensões reforçam a proposta de hipercarro baixo e largo: são 4.459 mm de comprimento, 2.000 mm de largura e 1.122 mm de altura. O sistema de freios usa discos de carbono-cerâmica perfurados de 390 mm x 34 mm na dianteira e na traseira. O Evija oferece cinco modos de condução: Range, City, Tour, Sport e Track.