Em um movimento que, segundo todos os relatos, é sem precedentes, o Departamento de Comércio dos Estados Unidos está impedindo que a subsidiária Polestar, da Volvo, importe seus carros para os EUA ao fim do atual ano-modelo. Embora a Volvo continue sendo uma marca sueca, a empresa é controlada majoritariamente pela chinesa Geely Holding (controladora da Geely Auto), e aí está o problema.
Promulgada em 2025 nos últimos dias do mandato do ex-presidente Joe Biden para ajudar a fortalecer a indústria automotiva doméstica, e agora aplicada pelo governo Donald Trump, a Regra de Veículos Conectados proíbe a importação e a venda de carros com tecnologia de veículos conectados ligada à China ou à Rússia a partir do ano-modelo 2027.
Embora a Volvo tenha recebido autorização, em maio, para continuar vendendo sua linha completa de carros nos Estados Unidos, a Polestar não recebeu o mesmo privilégio e, como resultado, afirma que efetivamente sairá do mercado americano após o ano-modelo 2027. Enquanto isso, relatos dizem que a empresa vai consolidar a produção de seu modelo Polestar 3 em sua fábrica na Carolina do Sul e interromper a importação de modelos vindos de sua unidade de Chengdu, na China.
Espera-se que a montadora continue vendendo seu estoque existente dos modelos Polestar 3 e Polestar 4 nos Estados Unidos e continue prestando assistência aos veículos já vendidos. A empresa planejava lançar o novo Polestar 7 e uma variante do Polestar 4 a partir do fim deste ano, seguidos por um Polestar 2 sedã renovado em 2027. O sedã Polestar 5 e o roadster Polestar 6, que a empresa também tinha em desenvolvimento, igualmente não chegarão ao mercado americano.
A Polestar, no entanto, continuará fabricando veículos e vendendo-os em outras partes do mundo, com 94% de suas vendas do primeiro trimestre realizadas fora dos Estados Unidos, segundo dados da empresa, e quase 80% das vendas ocorrendo na Europa.
“A indústria automotiva está entrando em uma nova fase, baseada em dinâmicas regionais. Nossa estratégia reflete isso, com a Europa sendo nosso maior motor de crescimento e com nosso plano de fabricar o Polestar 7 na Europa”, segundo declaração feita pelo CEO da Polestar, Michael Lohscheller. “Além disso, continuaremos a investir em mercados onde temos oportunidades de seguir crescendo, como Sudeste Asiático, Europa Oriental, América Latina e Canadá.”
Isso impõe mais uma barreira à presença de carros fabricados na China nos Estados Unidos, especialmente seus altamente elogiados modelos totalmente elétricos, que já estão sujeitos a tarifas devastadoras para o mercado, com legisladores supostamente considerando restrições adicionais.
*Reportagem originalmente publicada em Forbes.com